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Sugestão de programa para amanhã à tarde

por jonasnuts, em 24.11.14

Quando: Amanhã, terça 25 de Novembro, às 18h00.

Onde: Anfiteatro 6.1.36 do Edifício C6 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O quê?: Debater sobre formas de viabilização de velhos negócios em novas plataformas.

 

Trata-se de um encontro pró-digital, pró-Internet e pró-modernidade para o qual está confirmada a presença das seguintes pessoas:

Mário Jorge Silva – professor universitário no IST
Pedro Ramalho Carlos – empreendedor e ex-gestor de operador de comunicações
José Valverde – presidente da AGEFE
Maria João Nogueira – blogger, comunicadora
José Magalhães - deputado
Michael Seufert - deputado
Gustavo Homem – empreendedor e ex-dirigente associativo do sector das TIC
Rui Seabra – presidente da ANSOL

A discussão estará centrada nas soluções para um mercado de conteúdos moderno, soluções que permitam a aquisição prática e flexível de conteúdos protegidos por direito de autor, sem onerar dispositivos de armazenamento que em muitos casos alojam apenas dados de trabalho ou simplesmente dado pertencentes ao seu proprietário.

Este evento não se tratará, em hipótese alguma, de uma repetição de anteriores debates sobre o PL/246 cujos duvidosos fundamentos são sobejamente conhecidos do público. O evento pretende apontar soluções para sustentabilidade do mercado digital compatíveis com o respeito pelos consumidores.

A moderação do evento ficará a cargo do Prof. Pedro Veiga (de quem é, também, a iniciativa do debate).

 

Apareçam. São todos bem-vindos.

 

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Sempre gostei de ficção científica. Sempre. O filme podia ser merdoso, mas se fosse de ficção científica, marchava. Porra, eu até do Outland gostei.

 

Estava portanto com uma enorme expectativa em relação ao Interstellar. As críticas eram maioritariamente excelentes. O meu filho adorou e queria muito vê-lo comigo, embora, para ser franca, ele não seja a melhor bitola. Ele teria adorado o Outland.

 

Toda a gente fala da maravilhosa realização, e da espectacular fotografia, das notáveis interpretações, e a montagem, e a edição de som e a música e a ciência e o raio que o parta, mas toda a gente que eu li se esqueceu de dizer que o filme é tristíssimo. É isso que me fica, maioritariamente, do Interstellar. Triste, triste, triste.

 

No meu caso por mais do que uma razão. Eu gosto de cinema. Sempre gostei de cinema. Eu cresci num cinema. A minha avó trabalhava na bilheteira de um cinema. O meu avô foi projeccionista (entre outras coisas). Eu sempre fui ao cinema, não apenas quando passou a ser acessível.

 

Não sou, confesso, muito exigente. Só preciso de silêncio e de escuro. 

 

Não é pedir muito, pois não?

 

É.

 

Depois de perder a guerra das pipocas, e a guerra das embalagens de plástico, e a guerra dos sussurros, e a guerra de atenderem a porra dos telemóveis, e tudo, e tudo, e tudo, e quando eu achava que não havia mais guerras para perder, fui ver o Interstellar.

 

Eu atraio, é verdade. Os senhores que vendem os bilhetes têm um talento especial, concedo. Vêem que sou eu e pensam assim: quem é que a gente vai pôr ali para chatear a gaja a ver se ela nos larga a labita?

Ontem foi na mouche. Na sessão das 16h30 do Oeiras Parque, nós estávamos na penúltima fila. Ao meu lado um casal. Sem pipocas. Ena. Escurecem as luzes. Os lugares atrás de mim, 6, vazios. 

 

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia.

 

Bingo.

 

Ainda durante a publicidade, chega aos lugares atrás de mim uma família. A família era constituída por um casal de 50 e poucos anos. As suas duas filhas. E os seus dois netos. Um puto que não tinha mais de 3 anos, e uma miúda que não tinha mais de 5.

 

Até uma porra de um carrinho de transporte de crianças aquela gente levou.

 

Obviamente, a miúda de 5 anos não parou quieta o tempo todo de um lado para o outro, e quando sentada, a dar pontapés das costas da cadeira da frente, a minha. O puto esteve cheio de medo e a fazer barulho durante as 3 HORAS que dura o filme.

 

Que as pessoas sejam imbecis, já não me surpreende. Que os responsáveis pela sala permitam a entrada de duas crianças que claramente não devem (nem podem) estar ali, é o meu limite.

 

Ir ao cinema comigo não é uma experiência agradável. Reconheço que a minha família, substancialmente mais tolerante do que eu, stressa com o meu stress. Stressa quando mando calar as pessoas, stressa quando me viro para trás para olhar de forma insistente para quem está a fazer barulho, stressa quando eu stresso. Por isso esforço-me por não lhes estragar a coisa. 

 

Ontem não fiz grande coisa. Olhei para trás meia dúzia de vezes quando a coisa se tornava mesmo insuportável. Não fiz mais nada.

 

Mais nada, não. Ontem tomei uma decisão. A bem da minha sanidade mental e da da minha família, não volto ao cinema. 

 

Já disse que o Interstellar é um filme tristíssimo?

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"I'd fuck net neutrality"

por jonasnuts, em 15.11.14

 

Acho que o básico fica explicado.

 

Via Facebook da Shyznogud.

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Programa para hoje - Citizenfour

por jonasnuts, em 15.11.14

É em cima da hora, e vou ter uma trabalheira para convencer a malta cá de casa a substituir o pré-agendado Interstellar por isto, mas vou tentar.

 

Na secção Ficção e Realidade: para além do Big Brother do Lisbon & Estoril Film Festival passa o Citizenfour.

 

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Não é muito caro, ainda por cima, e podem comprar-se os bilhetes online.

 

 

UPDATE: Aparentemente, comprei os últimos 4 bilhetes. Deixou de aparecer a sessão, na Ticketline. Esgotou.

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Pontaria

por jonasnuts, em 13.11.14

Está provado. Tenho pontaria certeira.

 

Então, depois de finalmente conseguir encontrar o Fahrenheit 451 (auto-link), o puto já o despachou, evidentemente.

 

Ainda ele estava a começar, já eu estava à procura do próximo da lista. A Fundação, do Isaac Asimov.

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Não é só um livro, são pelo menos 7. Sempre me daria algum descanso enquanto o puto lia a coisa.

 

Eu não sou esquisita. A única coisa que preciso é que seja em português de Portugal. Não ando à procura da edição xpto três vezes nove vinte e sete, noves fora nada, vintage, autografada.

 

Não há. Nem em livrarias físicas, nem online, nem em alfarrabistas (online) nem no OLX nem no Custo Justo, nem no raio que os parta.

 

Jonas, dizem-me vocês, tu és uma esquisitinha que só queres coisas que não lembram nem à cabeça de um tinhoso. Epá, pois, é possível. Mas o Asimov não é assim um desconhecido tão grande. Usando um argumento muito relevante nos dias que correm, já viu a sua obra adaptada ao cinema por mais do que uma vez. 

 

Mais, no Brasil, parece que a coisa é até pujante. Há edições com menos de 5 anos. E à venda. Sem estarem esgotadas há anos.

 

O que é que me vai safar, desta vez? Um amigo que vai à arrecadação buscar um caixote e olhar lá para dentro, para ver se descobre as coisas e o facto de já ter feito o pedido do cartão da biblioteca.

 

E link para o pdf ou para o mobi, Jonas, encontraste? Sim, com relativa facilidade (embora apenas para versão de português do Brasil que para este caso não me interessa).

 

Ai, mas o negócio dos livros está muito mau, as pessoas não compram, coitadinhas das editoras, que não conseguem sobreviver, e tudo por causa das fotocópias, e temos todos de fazer um esforço, para que a cultura não morra. Porque se não salvarmos as editoras, e os autores, e os intermediários, estamos todos perdidos.

Olhem, senhores. Trabalhem mazé. Não é normal, eu passar a vida a querer comprar livros que vocês não têm para vender. Mas depois queixarem-se da falta de vendas. Claramente, andam a tentar vender as coisas erradas.


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So close, yet so far

por jonasnuts, em 11.11.14

"We're sorry, but this video isn't available in your location".

 

Oh, but it is, but it is. 

 

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Privacidade

por jonasnuts, em 08.11.14

Não é de agora, a minha preocupação sobre questões relacionadas com a privacidade. Por sinal, é uma preocupação que tem crescido gradualmente, não só por ver as constantes agressões ao direito à privacidade (em nome de tudo e um par de botas) mas, sobretudo, por ver a falta de interesse das pessoas em relação a esta ameaça. 

 

Há relativamente pouco tempo, tive acesso a um estudo de mercado (focus group) feito em Portugal (e não apenas em Lisboa), a meio deste ano, que numa determinada parte, questionava as pessoas (homens e mulheres) sobre estas coisas da privacidade. Em todas as faixas etárias o desinteresse e a falta de preocupação foram totais. As pessoas não se importam. A atitude "vejam tudo o que quiserem" é transversal e apenas muito ligeiramente contrariada (mas muito ligeiramente mesmo) na faixa etária dos +45 anos.

 

Desde o "quem não deve não teme", até ao "não sou importante/interessante o suficiente para merecer a atenção de quem quer que seja", passando pelo "somos animais sociais, temos de abdicar da nossa privacidade, em função desse chamamento maior que é o da comunicação". Tudo errado. E tudo mentira, por sinal. Dizem, mas não fazem.

 

Não sou fã absoluta do Glenn Greenwald. Creio que neste momento ele cavalga na onda Snowden para a qual contribuiu enquanto jornalista, mas que já ultrapassou em muito esse âmbito. Nada contra, apenas não acredito que haja aqui motivações exclusivamente altruístas.

 

Mas é muito interessante o que ele diz numa Ted Talk dedicada precisamente a estas questões da privacidade. Básico, mas interessante.

 

É ver. 

 

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Pires de Lima Gate - The Soundtrack

por jonasnuts, em 07.11.14

Era inevitável, como alguns se aperceberam de imediato, o que se seguiria ao espectáculo proporcionado por Pires de Lima ontem, na Assembleia da República.

 

A tweetosfera foi a primeira (como sempre, de resto), a rir-se à gargalhada com o vídeo (disponível na conta oficial do CDS no Vimeo, vá-se lá saber porquê). 

  

Depois surge a imagem do insuspeito Económico

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 Só mesmo os mais desatentos não se começaram a rir de imediato com o que por aí vinha.

 

O @paupas tweeta isto, associado ao tweet "Tomai e sejam criativos"

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Centenas de tweets, obviamente. Há um resumo no Tumblr que foi de imediato criado, aqui.

 

E quem quiser ver todos, pelo menos os que usaram a hashtag certa, é procurar no Twitter pela hashtag #piresdelima

 

E, a cereja no topo do bolo, são as várias propostas de banda sonora, que surgiram ainda durante o dia de ontem.

A versão soft porn, que pode ser ouvida aqui. (às 00h22)

 

E a versão pimba, que pode ser ouvida aqui. (às 00h40)

 

Meu coração balança.

 

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A lei da cópia privada está a ser debatida na especialidade. Para já, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. 

 

Na passada terça (4 de Novembro) decorreram as audiências com algumas entidades envolvidas no debate (auto-link). 

 

O vídeo abaixo é da intervenção do deputado Michael Seufert (que está no Vimeo, pelo que facilita a partilha). A totalidade da coisa, disponível no arquivo da ARtv não é tão partilhável (e por ser um wmv mais difícil de ver, em alguns computadores).

 

 

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O que disse a senhora Merkel, não se diz

por jonasnuts, em 06.11.14

Por outro lado, a senhora Merkel não disse aquilo que tentaram fazer-nos crer que ela disse.

 

Vamos por partes. Não nutro especial simpatia pela senhora Merkel. Também não nutro especial simpatia pela grande maioria dos Órgãos de Comunicação Social tradicionais portugueses, ou de qualquer outra nacionalidade.

 

Anteontem não se falava de outra coisa. Fomos mesmo bombardeados com as alegadas afirmações da senhora por órgãos de comunicação social que costumam tentar distanciar-se de outros, enfim, mais useiros e vezeiros nestas matérias.

 

Houve mesmo um ministro que respondeu às alegadas afirmações da senhora. Crato, who else.

 

Nas redes sociais (Twitter e Facebook) foi uma festa. Só comentários indignados, e outros pior ainda. Eu própria comecei por embarcar na coisa.


Mas depois parei para pensar e fui atrás.

Todos citavam a Lusa e Bloomberg. A Lusa referia a Bloomberg. Na Bloomberg, nada. Órgãos de comunicação social espanhóis? Nada. Imprensa internacional? Nada.

 

Eu conseguia encontrar várias notícias sobre o discurso da senhora, mas referências a Portugal e Espanha? Nada.

 

Recorro ao Twitter e ao Facebook. Pergunto. Alguém sabe? Pessoas a viver na Alemanha? Nada. No Luxemburgo. Em Espanha. Em França. Ninguém conseguia encontrar nada.

E eu queria contexto. 

 

E finalmente chega-me o contexto e o enquadramento de que eu precisava, e que me devia ter sido dado pelos órgãos de comunicação social. E chegou-me através da Helena Ferro de Gouveia que deixou um comentário num post que a Helena Araújo escreveu no Facebook.

 

O que a senhora disse foi (adaptado da tradução da Helena Ferro de Gouveia):

 

“Eu peço a todos vocês para tornarem claro nos vossos discursos em escolas e perante jovens: a formação profissional é um excelente pré-requisito para levar uma vida de prosperidade. Não tem necessariamente que se ter tirado um curso superior. Isto é muito, muito importante. Faremos tudo o que estiver no nosso poder, também a OCDE, que nos fornece muitos números úteis que afirmam que não é uma “descida” social, que o filho ou a filha de um trabalhador qualificado complete uma formação como trabalhador qualificado novamente e, de seguida, se torne num bom técnico. Internacionalmente reconhece-se que não é uma “descida” e que isto não significa que o sistema de educação tenha fracassado. Temos que abandonar a ideia de que o ensino superior é o Nonplusultra para uma carreira bem sucedida. De outra forma não poderemos provar a países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados e procuram hoje vias de formação profissional, que isso é bom”.

Ora, isto é muito diferente de "Merkel diz que Portugal tem demasiados licenciados". Isto é um "temos, nós próprios, de tomar consciência disto, porque senão não temos moral para dizê-lo aos portugueses e aos espanhóis".

 

Eu não estou a dizer que concordo (o sistema educativo alemão a mim parece-me extraordinariamente estranho), não estou a dizer que a senhora tem razão, e acho que ela está muito mal informada em relação ao número de licenciados portugueses. Não é esse o meu ponto.

O meu ponto é que alguém pegou nisto, subverteu, baralhou, descontextualizou e distribuiu. E quem está no meio da cadeia, devia ter recebido, e devia ter ido atrás. E verificado. E dado contexto. E feito aquilo que eu acho que é o trabalho jornalístico de base. Deviam ter-se informado, para informar. Pelo contrário, desinformaram.

 

E ganharam o quê? Mais cliques. Sem dúvida. Não frequento, mas estou certa de que o número de comentários a esta "notícia" ultrapassou a média habitual.

 

Os nossos órgãos de comunicação social estão a trabalhar para o agora, sprintam. Não estão a trabalhar para o futuro, na construção duma imagem de seriedade e de credibilidade. Pelo contrário, os poucos que ainda têm essa réstia de credibilidade estão a delapidá-la vertiginosamente. Ganham no sprint, mas perdem na maratona.

 

A mim já me tinham perdido, como consumidora habitual há muito tempo. Sou uma mera consumidora pontual, online. E, pelo acima descrito, cada vez menos.

 

Não percebo a estratégia de degradar qualidade e passar a cobrar os acessos (pay per view). É ao contrário senhores. O pay per view só funciona quando a credibilidade e a seriedade são inatacáveis E quando não há alternativa. 

 

Junte-se a isto o que por aí vem de quererem receber para serem indexados no Google (é um caminho que os espanhóis estão adoptar, é uma questão de tempo até chegar cá, caminho, por sinal, já encetado e entretanto arrepiado pelos alemães) e temos o quê?

 

Uma indústria moribunda, sem respostas e sem ideias, que não se sabe adaptar os seus modelos de negócio a novas plataformas e que há-de ir ao fundo.

 

Não faz mal, pelo caminho hão-de pressionar os pressionáveis para que estes criem uma taxa sobre o papel higiénico (auto-link), porque lhes faz concorrência. É uma receita com provas (quase) dadas.

 

 

Edição posterior: O Marco deixou nos comentários um link para um caso exactamente igual, passado há relativamente pouco tempo. 

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