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Para a Nica

por jonasnuts, em 27.11.14

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Parabéns miúda. Serás sempre uma miúda.

 

Da mana.

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No debate de ontem, promovido pelo Prof. Pedro Veiga da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (uma universidade que não só não impede os debates políticos como os acolhe generosamente), uma das conclusões a que chegámos rapidamente é que, pelo andar da carruagem, a lei é aprovada.

 

Estas foram as más notícias. Mas há boas notícias. Ainda há muito que cada um de nós pode fazer para impedir a aprovação.

 

Por um lado o tema não é sexy, e é complexo, e a maioria dos deputados não é especialista na matéria. porque não quer ou não tem tempo para se informar devidamente. O que muitos deputados fazem é confiar naqueles que são os "especialistas" da sua bancada, e votar de acordo com o que sugere ou indica o tal especialista. Isto é algo que eu já tinha reparado, quando foi da ACTA, no parlamento europeu. Assim que a coisa foi explicada aos deputados, eles começaram a pensar e a somar dois com dois. Enfim, a maioria, pelo menos. Houve professores doutores de Coimbra, meu deus, que mantiveram o voto favorável à coisa. 

 

O que defendem alguns entendidos na matéria e conhecedores dos meandros da Assembleia da República é que seria interessante que todos os deputados pudessem estar informados. Porque, como sabemos, se estiverem informados, não há como votarem a favor desta lei.

 

Assim, o que podemos fazer, e rapidamente, porque a coisa prepara-se para começar a andar muito rapidamente, é contactar os deputados, de forma pedagógica (e educada, já agora), explicando a Lei da Cópia Privada, o seu efeito, o seu impacto e, acima de tudo, a sua injustiça.

 

O contacto dos deputados está disponível no site da Assembleia da República, mas a ANSOL fez a papinha toda há já algum tempo e centralizou tudo aqui.

 

Não coloco aqui um texto padrão por vários motivos. Para já, porque penso que cada um terá os seus motivos para se opor à proposta de lei, e depois porque receber a mesma mensagem vezes sem conta deve ser uma seca, e não gostaria, se fosse deputada (que não está nos meus planos) de receber a mesma mensagem inúmeras vezes. Ficaria a pensar que quem me mandava uma mensagem pré-fabricada não se importava o suficiente com o tema, para nem sequer querer dar-se ao trabalho de escrever um texto simples.

 

E depois, na variedade é que está o ganho.

 

Escolham os deputados da vossa preferência, os deputados de quem mais gostam, ou mais detestam, é indiferente :) Se tiverem tempo, escolham todos. 

 

O manual de instruções é simples e curto - Mails para os deputados. Para as direcções dos grupos parlamentares. Para os líderes parlamentares. 

 

(E, nunca é demais repetir, mails pedagógicos, que expliquem pontos de vista, educadamente).

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Sugestão de programa para amanhã à tarde

por jonasnuts, em 24.11.14

Quando: Amanhã, terça 25 de Novembro, às 18h00.

Onde: Anfiteatro 6.1.36 do Edifício C6 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O quê?: Debater sobre formas de viabilização de velhos negócios em novas plataformas.

 

Trata-se de um encontro pró-digital, pró-Internet e pró-modernidade para o qual está confirmada a presença das seguintes pessoas:

Mário Jorge Silva – professor universitário no IST
Pedro Ramalho Carlos – empreendedor e ex-gestor de operador de comunicações
José Valverde – presidente da AGEFE
Maria João Nogueira – blogger, comunicadora
José Magalhães - deputado
Michael Seufert - deputado
Gustavo Homem – empreendedor e ex-dirigente associativo do sector das TIC
Rui Seabra – presidente da ANSOL

A discussão estará centrada nas soluções para um mercado de conteúdos moderno, soluções que permitam a aquisição prática e flexível de conteúdos protegidos por direito de autor, sem onerar dispositivos de armazenamento que em muitos casos alojam apenas dados de trabalho ou simplesmente dado pertencentes ao seu proprietário.

Este evento não se tratará, em hipótese alguma, de uma repetição de anteriores debates sobre o PL/246 cujos duvidosos fundamentos são sobejamente conhecidos do público. O evento pretende apontar soluções para sustentabilidade do mercado digital compatíveis com o respeito pelos consumidores.

A moderação do evento ficará a cargo do Prof. Pedro Veiga (de quem é, também, a iniciativa do debate).

 

Apareçam. São todos bem-vindos.

 

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Sempre gostei de ficção científica. Sempre. O filme podia ser merdoso, mas se fosse de ficção científica, marchava. Porra, eu até do Outland gostei.

 

Estava portanto com uma enorme expectativa em relação ao Interstellar. As críticas eram maioritariamente excelentes. O meu filho adorou e queria muito vê-lo comigo, embora, para ser franca, ele não seja a melhor bitola. Ele teria adorado o Outland.

 

Toda a gente fala da maravilhosa realização, e da espectacular fotografia, das notáveis interpretações, e a montagem, e a edição de som e a música e a ciência e o raio que o parta, mas toda a gente que eu li se esqueceu de dizer que o filme é tristíssimo. É isso que me fica, maioritariamente, do Interstellar. Triste, triste, triste.

 

No meu caso por mais do que uma razão. Eu gosto de cinema. Sempre gostei de cinema. Eu cresci num cinema. A minha avó trabalhava na bilheteira de um cinema. O meu avô foi projeccionista (entre outras coisas). Eu sempre fui ao cinema, não apenas quando passou a ser acessível.

 

Não sou, confesso, muito exigente. Só preciso de silêncio e de escuro. 

 

Não é pedir muito, pois não?

 

É.

 

Depois de perder a guerra das pipocas, e a guerra das embalagens de plástico, e a guerra dos sussurros, e a guerra de atenderem a porra dos telemóveis, e tudo, e tudo, e tudo, e quando eu achava que não havia mais guerras para perder, fui ver o Interstellar.

 

Eu atraio, é verdade. Os senhores que vendem os bilhetes têm um talento especial, concedo. Vêem que sou eu e pensam assim: quem é que a gente vai pôr ali para chatear a gaja a ver se ela nos larga a labita?

Ontem foi na mouche. Na sessão das 16h30 do Oeiras Parque, nós estávamos na penúltima fila. Ao meu lado um casal. Sem pipocas. Ena. Escurecem as luzes. Os lugares atrás de mim, 6, vazios. 

 

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia.

 

Bingo.

 

Ainda durante a publicidade, chega aos lugares atrás de mim uma família. A família era constituída por um casal de 50 e poucos anos. As suas duas filhas. E os seus dois netos. Um puto que não tinha mais de 3 anos, e uma miúda que não tinha mais de 5.

 

Até uma porra de um carrinho de transporte de crianças aquela gente levou.

 

Obviamente, a miúda de 5 anos não parou quieta o tempo todo de um lado para o outro, e quando sentada, a dar pontapés das costas da cadeira da frente, a minha. O puto esteve cheio de medo e a fazer barulho durante as 3 HORAS que dura o filme.

 

Que as pessoas sejam imbecis, já não me surpreende. Que os responsáveis pela sala permitam a entrada de duas crianças que claramente não devem (nem podem) estar ali, é o meu limite.

 

Ir ao cinema comigo não é uma experiência agradável. Reconheço que a minha família, substancialmente mais tolerante do que eu, stressa com o meu stress. Stressa quando mando calar as pessoas, stressa quando me viro para trás para olhar de forma insistente para quem está a fazer barulho, stressa quando eu stresso. Por isso esforço-me por não lhes estragar a coisa. 

 

Ontem não fiz grande coisa. Olhei para trás meia dúzia de vezes quando a coisa se tornava mesmo insuportável. Não fiz mais nada.

 

Mais nada, não. Ontem tomei uma decisão. A bem da minha sanidade mental e da da minha família, não volto ao cinema. 

 

Já disse que o Interstellar é um filme tristíssimo?

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"I'd fuck net neutrality"

por jonasnuts, em 15.11.14

 

Acho que o básico fica explicado.

 

Via Facebook da Shyznogud.

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Programa para hoje - Citizenfour

por jonasnuts, em 15.11.14

É em cima da hora, e vou ter uma trabalheira para convencer a malta cá de casa a substituir o pré-agendado Interstellar por isto, mas vou tentar.

 

Na secção Ficção e Realidade: para além do Big Brother do Lisbon & Estoril Film Festival passa o Citizenfour.

 

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Não é muito caro, ainda por cima, e podem comprar-se os bilhetes online.

 

 

UPDATE: Aparentemente, comprei os últimos 4 bilhetes. Deixou de aparecer a sessão, na Ticketline. Esgotou.

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Pontaria

por jonasnuts, em 13.11.14

Está provado. Tenho pontaria certeira.

 

Então, depois de finalmente conseguir encontrar o Fahrenheit 451 (auto-link), o puto já o despachou, evidentemente.

 

Ainda ele estava a começar, já eu estava à procura do próximo da lista. A Fundação, do Isaac Asimov.

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Não é só um livro, são pelo menos 7. Sempre me daria algum descanso enquanto o puto lia a coisa.

 

Eu não sou esquisita. A única coisa que preciso é que seja em português de Portugal. Não ando à procura da edição xpto três vezes nove vinte e sete, noves fora nada, vintage, autografada.

 

Não há. Nem em livrarias físicas, nem online, nem em alfarrabistas (online) nem no OLX nem no Custo Justo, nem no raio que os parta.

 

Jonas, dizem-me vocês, tu és uma esquisitinha que só queres coisas que não lembram nem à cabeça de um tinhoso. Epá, pois, é possível. Mas o Asimov não é assim um desconhecido tão grande. Usando um argumento muito relevante nos dias que correm, já viu a sua obra adaptada ao cinema por mais do que uma vez. 

 

Mais, no Brasil, parece que a coisa é até pujante. Há edições com menos de 5 anos. E à venda. Sem estarem esgotadas há anos.

 

O que é que me vai safar, desta vez? Um amigo que vai à arrecadação buscar um caixote e olhar lá para dentro, para ver se descobre as coisas e o facto de já ter feito o pedido do cartão da biblioteca.

 

E link para o pdf ou para o mobi, Jonas, encontraste? Sim, com relativa facilidade (embora apenas para versão de português do Brasil que para este caso não me interessa).

 

Ai, mas o negócio dos livros está muito mau, as pessoas não compram, coitadinhas das editoras, que não conseguem sobreviver, e tudo por causa das fotocópias, e temos todos de fazer um esforço, para que a cultura não morra. Porque se não salvarmos as editoras, e os autores, e os intermediários, estamos todos perdidos.

Olhem, senhores. Trabalhem mazé. Não é normal, eu passar a vida a querer comprar livros que vocês não têm para vender. Mas depois queixarem-se da falta de vendas. Claramente, andam a tentar vender as coisas erradas.


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So close, yet so far

por jonasnuts, em 11.11.14

"We're sorry, but this video isn't available in your location".

 

Oh, but it is, but it is. 

 

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Privacidade

por jonasnuts, em 08.11.14

Não é de agora, a minha preocupação sobre questões relacionadas com a privacidade. Por sinal, é uma preocupação que tem crescido gradualmente, não só por ver as constantes agressões ao direito à privacidade (em nome de tudo e um par de botas) mas, sobretudo, por ver a falta de interesse das pessoas em relação a esta ameaça. 

 

Há relativamente pouco tempo, tive acesso a um estudo de mercado (focus group) feito em Portugal (e não apenas em Lisboa), a meio deste ano, que numa determinada parte, questionava as pessoas (homens e mulheres) sobre estas coisas da privacidade. Em todas as faixas etárias o desinteresse e a falta de preocupação foram totais. As pessoas não se importam. A atitude "vejam tudo o que quiserem" é transversal e apenas muito ligeiramente contrariada (mas muito ligeiramente mesmo) na faixa etária dos +45 anos.

 

Desde o "quem não deve não teme", até ao "não sou importante/interessante o suficiente para merecer a atenção de quem quer que seja", passando pelo "somos animais sociais, temos de abdicar da nossa privacidade, em função desse chamamento maior que é o da comunicação". Tudo errado. E tudo mentira, por sinal. Dizem, mas não fazem.

 

Não sou fã absoluta do Glenn Greenwald. Creio que neste momento ele cavalga na onda Snowden para a qual contribuiu enquanto jornalista, mas que já ultrapassou em muito esse âmbito. Nada contra, apenas não acredito que haja aqui motivações exclusivamente altruístas.

 

Mas é muito interessante o que ele diz numa Ted Talk dedicada precisamente a estas questões da privacidade. Básico, mas interessante.

 

É ver. 

 

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Pires de Lima Gate - The Soundtrack

por jonasnuts, em 07.11.14

Era inevitável, como alguns se aperceberam de imediato, o que se seguiria ao espectáculo proporcionado por Pires de Lima ontem, na Assembleia da República.

 

A tweetosfera foi a primeira (como sempre, de resto), a rir-se à gargalhada com o vídeo (disponível na conta oficial do CDS no Vimeo, vá-se lá saber porquê). 

  

Depois surge a imagem do insuspeito Económico

piresdelimagate.jpg

 Só mesmo os mais desatentos não se começaram a rir de imediato com o que por aí vinha.

 

O @paupas tweeta isto, associado ao tweet "Tomai e sejam criativos"

Paupério on Twitter_ _Tomai e sejam criativos. http___t.co_UwCvpx4NEL_.jpg

 

Centenas de tweets, obviamente. Há um resumo no Tumblr que foi de imediato criado, aqui.

 

E quem quiser ver todos, pelo menos os que usaram a hashtag certa, é procurar no Twitter pela hashtag #piresdelima

 

E, a cereja no topo do bolo, são as várias propostas de banda sonora, que surgiram ainda durante o dia de ontem.

A versão soft porn, que pode ser ouvida aqui. (às 00h22)

 

E a versão pimba, que pode ser ouvida aqui. (às 00h40)

 

Meu coração balança.

 

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