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Game of thrones

por jonasnuts, em 25.04.16

game-of-thrones-s4e5-arya.png (1901×929).jpg

Gosto muito.

 

Comecei pela série. Soube que havia livros. Marchou tudo. Estou à espera do que falta.

 

Mas há já 2 temporadas que não vejo a série, e quando sair o novo livro, não vou comprar.

 

Mais, Game of Thrones mudou a forma como compro livros que constituam capítulos duma história maior. Só compro depois de tudo publicado e terminado. E eu explico porquê.

 

De repente, dei por mim a reunir-me à manada de gente que gritava por novos livros, por novos episódios da série (que é substancialmente mais limitada que os livros, já agora) e que se tornou numa poderosa máquina de marketing da indústria do entretenimento.

 

A expectativa dos fãs é gerida minuciosa e cirurgicamente para acrescentar (muito) valor à pesada máquina de comunicação da série.

 

Não estou interessada em colaborar com a indústria do entretenimento, nem quero ficar refém das estratégias de comunicação das várias marcas envolvidas. Dá-me igual que morra A, B ou C (as mortes de personagens chave fazem parte do esquema).

 

Aguardarei calmamente que sejam publicados todos os livros, que a série acabe (altura em que já será tão diferente dos livros que já pouco terá a ver com a história original) e nessa altura, e só nessa altura, consumirei. Se ainda estiver viva e se ainda me interessar, claro.

 

Não me chateiam os spoilers, nem percebo o drama, porque saber uma coisa, mesmo que importante, não muda em nada a forma como eu experimento quer os livros quer a série. Bring them on.

 

E se o gajo morrer sem escrever tudo, não há qualquer problema, termino a história na minha cabeça, à minha maneira, sem stress, sem dramas e livre.

 

A escolha da imagem para ilustrar este post não é inocente. É a mais "fuck you" que encontrei. É aquela que representa melhor o que sinto em relação à coisa :)

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25 de Abril sempre, fascismo nunca mais

por jonasnuts, em 25.04.16

Para que cá em casa não aconteça o que a Imprensa Falsa preconiza (e ele é irónico, mas neste caso não deve andar muito longe da verdade), já temos programa para logo à noite.

 

Recomendo a pais que queiram mostrar aos teenagers como era, viver em Portugal, antes do 25 de Abril.

 

 

 

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Vamos a um grande suponhamos.

 

Supunhamos que eu tinha 18 anos e que ia com um grupo de amigas ao sudoeste.

 

E que ia acampar.

 

E que era a primeira vez de toda a gente do grupo a acampar no Sudoeste.

 

Vamos supor que a única coisa que eu tinha era uma tenda para 6 pessoas (uma arpenaz T3x2 Air - seja lá isso o que for, que tem uns 10 anos e nunca foi usada), e um saco cama.

 

De que é que eu preciso mais?

 

Preciso de colchão? E de almofada? E de fogão? E cadeiras? E mesas? E pratos? E talheres?

 

Não vai ser tudo roubado enquanto eu estiver nos concertos?

 

Dicas de pessoal com experiência, precisa-se. Gajos e gajas. Com urgência.

 

Muitagradecida.

 

 

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Subversão das tetas

por jonasnuts, em 20.04.16

Adoro subversões. Não é a primeira vez que aqui falo de subversão e do meu apreço pelo conceito (auto-links).

 

Quando se alia a subversão à utilidade imediata (a subversão é sempre útil), é um dois em um que acerta em cheio na mouche do meu contentamento.

 

Foi o caso da campanha de que falei aqui e é, claramente, o caso desta campanha, curiosamente sobre o mesmo tema, o da mama, e que a minha irmã me fez chegar.

 

Have fun :)

 

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GATAfunho

por jonasnuts, em 17.04.16

iPhone - Photo 2016-04-16 18_55_38.jpeg.jpg

 

 

Não é de agora, este meu amor/ódio pelas livrarias. Estou fartinha de escrever sobre livros, livrarias, editores, insucessos (muitos) sucessos (poucos), a indústria, a feira do livro, formas de ler, e o diabo a quatro. Caramba, até já fui convidada por mais do que uma vez, para escrever livros. (tudo auto-links).

 

Percebi que muito do que escrevo (e que reli, quando andei à procura destes links) tem a ver com duas coisas diferentes. A minha irritação e frustração com os editores e livreiros, por um lado, e por outro, o facto de querer muito que o puto ganhe gosto pela leitura.

 

A segunda tem tido prioridade sobre a primeira. É mais importante para mim que o puto goste de ler do que a frustração que sinto, quando, para preencher a primeira, dou com os burros na água na segunda.

 

O puto cresceu, e já entrou numa idade em que os temas de que gosta se aproximam mais das coisas que eu conheço. Por isso, há já algum tempo que andava à procura de um livro específico. Que tive, em tempos, mas que, por tanto o ler e por tanto o emprestar (e por tantas mudanças que fiz), ficou todo despencado e perdeu páginas e se tornou ilegível. Wilt, do Tom Sharpe.

 

São muitos os livros que já me fizeram chorar, mas são muito poucos os livros que me fizeram chorar, de tanto rir. O Wilt é um desses livros (bem como muitos outros, do mesmo autor). Decidi que era capaz de ser uma boa, o puto ler Tom Sharpe, agora que já tem idade.

 

E já ando há quase um ano, à procura do Wilt. Na grande maioria das livrarias onde tenho entrado, nem sequer conhecem o livro, quanto mais tê-lo.

 

Mas sou teimosa. Por isso, mais uma vez, deitei para trás das costas a tal frustração e ontem, entrei numa livraria. Local, claro, que das grandes já desisti de forma definitiva. Pelo aspecto, parecia ser diferente. Não engana, o aspecto. Quem mora na linha de Cascais (Oeiras e redondezas) e goste de livros não pode deixar de visitar.

 

Entrei na GATAfunho

 

Duas mulheres, ao balcão. Uma jovem, outra menos jovem. 

 

Digo ao que vou, Wilt, do Tom Sharpe.

 

Ambas as caras se iluminam, em simultâneo, com um sorriso. Conhecem bem, têm, e o respectivamente pai e marido foi o editor do livro há uns anos. A mais nova, a Inês, vai direitinha ao sítio onde está o Wilt e outros títulos do mesmo autor. Não preciso dos outros, que os tenho a todos.

 

Compro logo.

 

Explico a razão de ser da compra, recomenda-me na hora outro autor, de que o puto também poderá gostar. Roald Dahl. Short stories. Mas só em inglês. Não é problema, explico. Traz-me também estes dois. E fala dos livros, e do autor, e ri-se. Ri-se muito. Trago ambos.

 

Mais conversa, e internet, e facebook e twitter e o concurso da APEL (por quem tenho, explico, particular ódio de estimação, e cópia privada e coiso), e dizem-me que está a decorrer um concurso, promovido pela tal da APEL, para melhor livraria, onde não constam as pequenas livrarias. Mas que se pode votar na mesma. "Mesmo que não vote em nós, vote numa pequenina, para ver se não ganham os do costume."

 

E pronto..... por tudo isto,  tornei-me, em 15 minutos, cliente fiel da GATAfunho. Adoro pessoas que gostam de livros e que falam de livros com um entusiasmo genuíno. E gosto de pessoas com mau-feitio. E gosto dos outsiders. E dos underdogs, embora, no caso, se aplique mais os stray cats.

 

Já votei na GATAfunho, claro. Quem quiser fazer o mesmo, votando na GATAfunho ou em qualquer outra livraria pequenina, porque não são tratadas em igualdade de circunstâncias com as grandes, por uma associação que deveria representar todas, basta ir aqui. A probabilidade de não verem a vossa livraria na lista é grande. A GATAfunho não está lá, mas isso não impede de votar. Basta escolher «Lisboa» (para quem for de Lisboa, claro), «D-I» e finalmente a opção OUTRA, QUAL?  GATAfunho.

 

Estou numa de fazer campanha, apesar de ser uma coisa da APEL, e da probabilidade de serem sinceros e honestos com os resultados ser pouca ou nenhuma. A coisa não é pública, portanto, no fundo, ganha quem eles quiserem que ganhe. Basta anunciar o vencedor, e ninguém tem forma de saber se quem eles anunciaram foi de facto quem recolheu mais votos. 

 

Que se lixe.

 

VOTA GATAfunho!

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No meu post anterior (auto-link) falei do chico-esperto Rogério Gomes, e da novela de sábado de manhã.

 

Mas induzi-vos em erro. Disse eu que o senhor tinha apagado o post e bloqueado quem lá foi comentar.

 

Não é verdade. Quer dizer, ele bloqueou a malta que fez a festarola, mas não apagou o post.

 

E como é que tu sabes disso, Jonas Maria?

 

Sei disso porque o senhor além de ser chico-esperto, ou é burro, ou tem a memória de um peixinho de aquário e no dia em que bloqueia uma M João Nogueira (que sou eu), pede amizade a uma Ana Nogueira.

 

Sim, Nogueiras há muitas, mas esta calha ser minha irmã, que me liga a dizer que o senhor, de quem ela nunca tinha ouvido falar a não ser no meu post, lhe tenha ido pedir amizade. Aproveitou ainda para dizer que eu sou uma besta, porque desanco as pessoas, porque se calhar o rapaz é tímido, porque nós fomos agressivos nos comentários e não lhe deixámos outra opção senão a do bloqueio, porque....... enfim, o costume.

 

E depois aprofundou o mural do senhor.

 

Começou logo por dizer que não, que o post em causa não tinha sido removido e que lá estava, sem quaisquer créditos ou correcções, apenas com os comentários da festarola apagados.

 

Depois começou a parte divertida. O caramelo é daqueles que faz like aos próprios posts. Espera...... não é aos próprios posts, porque os posts não são dele. Enfim, ao menos coerência.

 

E depois fez uma experiência. Foi ver outros posts. 

 

E é aqui que tenho uma péssima notícia para dar à Helena. Ela não é caso único. 

 

Dos outros 4 posts que a minha irmã viu, era TODOS plagiados, sem qualquer referência à origem, ou crédito. Exactamente a mesma coisa, um parágrafo de introdução de autoria própria, e depois a continuação que é um copy paste sem qualquer alteração, de um post alheio.

 

As provas.

 

rogerio1.jpg

 

Que é tirado deste post do Jumento

 

 

rogerio2.jpg

Que é tirado deste post do Diário do Purgatório.

 

 

rogerio3.jpg

Que é tirado deste post da Pipoca mais Picante.

 

rogerio4.jpg

Que foi tirado deste post do Delito de Opinião.

 

Depois a minha irmã fartou-se de chafurdar em merda, e não fez mais pesquisas, mas o padrão está identificado. Entretanto o servicinho estava feito, o caramelo fez um post ordinário (provavelmente roubado a um blog rasca) e ela fartou-se e desamigou-o.

 

Portanto, o senhor anda nos blogs, cata o que lhe parece bem, copia no Facebook como sendo dele, e bane quem lá vai deixar comentários a chamar a atenção para o plágio.

 

Eu e a minha irmã acabámos a concordar. Não, o gajo não é tímido. É mesmo imbecil.

 

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Os chico-espertos do plágio - Take 2

por jonasnuts, em 11.04.16

Há chico-espertos para todos os gostos. Aqui há uns tempos, falei (auto-link) dos chico-espertos profissionais, que se aproveitam do trabalho alheio para ganhar dinheiro. Mas há os outros, os que se aproveitam do trabalho alheio para passarem por espertos, sem ser chico, mas sendo. É desta segunda figurinha que venho falar, com um exemplo prático ocorrido no fim de semana.

 

A coisa passa-se no Facebook.

 

No dia 8 de Abril a Helena escreve um post sobre a cena do "E se fosse eu?" Como é habitual, o post estava bem escrito, com inteligência, alguma piada, e era certeiro.

 

Naturalmente, foi parar ao Facebook, onde, aliás, ainda está.

 

No sábado, dia 9, acordo muito cedo, por motivos que não interessam para nada (a sério, são motivos de merda) e dou um pulinho ao facebook, para encontrar um post da Helena, divertida com o facto de ter havido uma abécula a usar as palavras que ela escreveu, como se tivessem sido escritas pela abécula. Sem aspas, sem créditos, sem links, sem porra nenhuma.

 

rogerio.jpg

 

 

 

Dizia a Helena, com mention ao senhor, que agradecia muito o elogio, já que o plágio era uma forma de reconhecimento, mas que vá...... umas aspas não faziam mal a ninguém. 

 

E isto apareceu no mural dela, e no mural dele. 

 

E a partir daí foi uma festa. 

 

Team Helena começa a deixar comentários ao post.

 

Primeiro foi a Catarina Ivone, que disse: "Este post não é da sua autoria, mas sim de Helena Araújo. Tenha vergonha! !!! vá pedir-lhe desculpa e a seguir apague-o".

 

Depois fui eu: "Muito bom, este texto. Tão bom que nem lembrava de o ter lido, por quem o escreveu originalmente. http://conversa2.blogspot.pt/2016/04/esefosseeu.html
Se queremos usar o jeito que outros têm para escrever, normalmente fazemos a fineza de citar a origem e creditá-la. De outra forma, é roubo e tentativa de enganar os nossos amigos, levando-os a pensar que somos mais espertos e inteligentes do que de facto somos. Não?"

 

plagio-1.jpg

 

Depois veio a Helena, que perguntou: "Rogério, o seu teclado não tem aspas?" A seguir o Lutz que afirmou "O senhor não tem aspas no seu teclado, nem vergonha na cara".

 

E mais uma catrefada de malta que estava animadíssima para a hora a que aconteceu a coisa. Não tenho o resto dos comentários (devem estar algures nas notificações de mail, mas não justifica o trabalho de andar à pesca).

Reparem...... isto foi praticamente de madrugada, para um sábado. Ainda não eram 9 da manhã e a festa estava lançada. E divertida.

Eu já cá ando há uns anos, por isso, não só fiz alguns screenshots como comentei a dizer que o senhor deveria estar a dormir depois de uma noite de borga, e que quando acordasse ainda ressacado, teria 3 reacções.

 

A primeira seria assustar-se, ao ver tanta notificação, julgando que tinha Facebookado enquanto bêbedo.

A segunda de regozijo, ao ver que os comentários eram a um post feito ainda sóbrio.

E a terceira de horror, ao ver o pandemónio que ali se instalara, e que havia uma catrefada de gente a descobrir-lhe a careca junto de amigos a quem ele queria enganar fazendo-se de esperto.

 

Preconizei também que a reacção do "senhor" seria apagar tudo e bloquear toda a gente, por falta de "material testicular". Eu só não acerto nos números do Euromilhões.

 

Meu dito, meu feito. A meio da manhã, desapareceu tudo. O post, os comentários, a festarola que tínhamos andado a fazer em mural alheio. 

 

Visitei o perfil do Rogério Gomes. Conhecimento é poder. Vi que tínhamos 14 amigos em comum. Fixei 3. Serão tagados nos comentários ao post do Facebook que há-de acontecer automaticamente assim que publicar isto.

 

Caro Rogério Gomes, mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo. O Luís Aguiar-Conraria que é um gajo simpático, diz que apaga o post dele se aparecer um pedido de desculpas à Helena. Eu não sou uma gaja simpática.

 

Não sou simpática, mas tenho a minha veia de Cassandra. Coberta de razão, quando falei na ausência de material testicular.

 

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Exemplo prático

por jonasnuts, em 02.04.16

Gosto sempre de exemplificar aquilo que digo.

 

No post anterior (auto-link) falei e reforcei a importância de ler sempre aquilo que escrevemos antes de publicar. Esqueci-me de dizer que é preciso ler, com olhos de ver. 

 

Mas também falei da importância da ajuda dos grammar nazi. 

 

Uma imagem, às vezes, vale mais do que mil palavras.

 

Ivo Nunes on Twitter.jpg

 

:)

 

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No início, era o Verbo

por jonasnuts, em 02.04.16

CuthbertGospels-John-1-1.jpg (865×243).jpg

 

 

O meu post "Community Manager" (auto-link) recebeu um inesperado feedback. Fosse aqui, no Facebook, no Twitter, no Linkedin, pessoalmente, em público e em privado, fui contactada com solicitações várias. Todas interessantes e, a maioria, manter-se-á em privado.

 

Porém, alguns desses contactos surgiram de pessoas que estão agora a começar, ou que começaram há pouco tempo. E as perguntas eram as mesmas; "Como é que eu faço? Por onde é que eu começo? Como é que eu melhoro? Como é que arranjo experiência? Como é que me informo? Como é que preencho as lacunas da minha licenciatura/mestrado onde não falámos sobre estes temas do digital? Para que lado é que me viro?"

 

Decidi por isso escrever uma série de posts para essa malta que está agora a começar. Suspeito que poderão ser úteis para quem já começou e, em alguns casos, podem também revelar-se interessantes para quem já cá anda há algum tempo. É a minha visão de como a coisa deve ser feita, e são as recomendações que sempre passei a quem estagiou comigo (e se me passaram estagiários pelas mãos, nestes quase 20 anos). 

 

E aqui chegamos ao título do post. O João tinha razão. No início, é o verbo. 

 

Das muitas ferramentas de trabalho que usamos para comunicar (já que é disso que se trata), a língua em que o fazemos é a base de tudo. Centremo-nos no português, já que é em português que escrevo neste blog embora, para ser franca, o inglês seja hoje também fundamental.

 

Quando comunicamos com má ortografia, má dactilografia, erros de concordância, ou erros de construção, estamos a cometer erros básicos e estamos a prejudicar a mensagem que queremos transmitir.

 

Há diferença entre erros de dactilografia e erros de ortografia. Estatisticamente, quem lê, chateia-se mais com o erros de dactilografia (que denunciam falta de atenção) do que com erros de ortografia (que denunciam falta de conhecimento). Na dúvida, evitem ambos.

 

O domínio da língua escrita não é algo com que se nasça. É algo que vamos aprendendo e que melhora substancialmente com a prática. O estilo, o nosso estilo pessoal, é algo que evolui. Vão aos primeiros posts deste blog, leiam meia dúzia,  depois leiam alguns posts de uns anos mais tarde, e depois uns dos últimos posts. Concentrem-se na forma, não no conteúdo. Há diferenças substanciais. Houve uma evolução, ao longo dos anos, à medida que eu aprendia às minhas custas, com a mão na massa (que é a melhor maneira de aprender, para mim) o que é que funcionava e o que é que não funcionava. Neste caso em particular, o funcionar ou não funcionar não se traduz em número de visitas, links, pageviews, comentários ou engage (que são as medidas mais frequentes), traduz-se em eu gostar ou não gostar. Neste blog, é esse o meu único critério.

 

No início eu nem queria ter um blog. Obriguei-me a ter um blog porque estava a gerir a plataforma de blogs do SAPO e queria ter a mesma experiência de utilização que a comunidade que estava a gerir (isto dará outro post, mais lá para a frente). 

 

Portanto, escrever, ensina-nos a escrever. E quanto mais escrevemos, mais aprendemos. 

 

Mas escrever não é a única forma de aprender a escrever. 

 

Ler. Ler muito. Jornais, revistas, livros, blogs, bulas, folhetos, rótulos, embalagens, anúncios, press releases, comentários, convites, posts de Facebook, tweets. Não interessa. Quanto maior for a diversidade, melhor. Porque a forma como escrevemos tem de se adaptar ao meio para o qual escrevemos. Escrever um texto para um blog é diferente de escrever um texto para um press release, já para não falar da adaptação ao target.

 

Portanto, para quem quer começar, esta é a minha primeira recomendação. Dominem o verbo. 

 

Criem um blog e comecem a escrever. Nos intervalos, leiam.

 

Usem as ferramentas básicas à vossa disposição para melhorar a qualidade do vosso português. Encontram alguns links úteis na barra lateral deste blog (a minha fixação pela correcta utilização da língua não é recente).

 

Façam como eu e tornem-se bilingues dentro da vossa própria língua. Quando escrevo a título pessoal (como aqui), não uso o novo acordo ortográfico. Profissionalmente sou obrigada a fazê-lo. Tive de aprender as novas regras, por isso e porque o meu filho adolescente já só usa o novo acordo, dá jeito, para corrigir trabalhos e apresentações :)

 

Usem o corrector ortográfico sempre. Não resolve tudo. Um corrector ortográfico não distingue entre um "há" e um "à", mas ajuda noutras coisas.

 

Leiam e releiam os vossos posts antes de os publicar.

 

A sério. Leiam e releiam os vossos posts antes de os publicar. 

 

Peçam ajuda. Há uma seita na Internet que são os grammar nazis (olá, Mª João Nogueira, muito prazer), que adora chamar a atenção para os erros. Não é bem adorar, é ser mais forte que eles. Usem a seita a vosso favor e digam de caras, no blog, que correcções ao português são muito bem-vindas. Provavelmente terão mais ajuda do que aquela de que precisam. Se tudo correr bem, cada vez precisarão de menos ajuda. Mas precisarão sempre.

 

Obriguem-se a escrever. Nem sempre vos vai apetecer, nem sempre saberão sobre o quê (essa é sempre das primeiras grandes dificuldades - que raio tenho eu de interessante para dizer?), mas inventem. Forcem-se. Saibam à partida que terão sempre mais facilidade em escrever sobre temas de que gostam e sobre os quais sabem alguma coisa do que sobre temas que podem ser mais eficazes (do ponto de vista da audiência) mas acerca dos quais vocês não saibam porra nenhuma.

 

Isto já vai muito longo, TLDR nos comentários nunca é bom sinal, e já têm aqui muita sarna com que se coçarem.

 

No próximo "capítulo", a vossa marca, o nome e o endereço do blog, tipo de linguagem, periodicidade, frequência, temática e mais algumas sugestões.

 

Não sei se já disse, leiam e releiam os vossos posts antes de os publicar, que é o que eu vou fazer agora (e fiz, e alterei algumas coisas, acrescentei outras, tirei algumas e corrigi os gatos - agora - publicar).

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Community manager

por jonasnuts, em 30.03.16

Há quase 20 anos que tenho imensa dificuldade em responder, nos formulários que me caem no colo, à questão "profissão?".

 

Antes era mais fácil; "publicitária" ou "produtora de publicidade", que era esquisito, mas mesmo assim, era minimamente conhecido e modernaço.

 

Quando mandei a publicidade às favas e passei a fazer profissionalmente algo ainda mais esquisito, a dificuldade agravou-se. Ao princípio escrevia "Internet", porque era suficientemente vago e ninguém sabia bem o que era, só sabiam que era moderno. Depois passei a escrever "gestora de serviços de comunidade", que era mais exacto, mas que literalmente ninguém sabia o que era. Foram muitas as vezes em que, à minha frente, era riscada a parte dos "serviços de comunidade" para ficar apenas o "gestora". 

 

"Gestora" eles percebiam bem o que era, embora, na minha perspectiva, "gestora" seja quase tão abrangente como "Internet". Mas era um abrangente mais conhecido e, sobretudo, na perspectiva "deles" tinha mais élan.

 

Mas, na realidade, o que eu faço há quase 20 anos, entre muitas outras coisas, é mesmo isso; gestora de comunidades online. Devo ser a pessoa que, em Portugal, o faz há mais tempo.

 

Tive a enorme vantagem de poder aprender com as mãos na massa, e tive a sorte de, quando comecei, não existirem redes sociais, pelo que os erros que naturalmente cometi enquanto aprendia a coisa, não tomaram nunca proporções bíblicas. Fui uma privilegiada, na medida em que pude aprender à minha custa e à custa das comunidades que geri, e que me ajudaram, a perceber os "dos and don'ts" duma actividade acerca da qual havia muito pouco know how e o que havia era estrangeiro, que não é facilmente transponível para as idiossincrasias portuguesas. 

 

Foi por isso com muita satisfação que, de há uns meses para cá, vi começarem a aparecer anúncios de emprego para "Community Managers". Olá, pensei, as coisas começam a animar.

 

Vi muitos desses anúncios.

 

A grande maioria deles pede pessoas recém-licenciadas, com frequência, o que oferecem é um estágio (normalmente não remunerado). Pedem pessoas que saibam de SEO e SEM, e de Google Analytics, e de Facebook Ads, e de html e css, e de criação e gestão de conteúdos, e competências de design são factor preferencial. Estou a excluir os pedidos mais idiotas, como php, python, javascript e outros que tais, que se vê mesmo que não sabem muito bem de que é que estão à procura.

 

Em NENHUM anúncio eu vi pedidas as características que são mais importantes num community manager: disponibilidade e bom senso.

 

Disponibilidade, porque se é online, a coisa tem de funcionar 24/7. Bom senso porque é uma característica muito subvalorizada e é a que impede de fazer disparates, num mundo em que é preciso ser-se rápido no gatilho. Comunicação (quase) em tempo real exige MUITO bom senso. 

 

 

Foram raros os anúncios em que foram pedidas as segundas características mais importantes num community manager; a utilização irrepreensível da língua portuguesa e a cultura, quer geral quer específica do meio.

 

Um recém licenciado não sabe escrever. E não me refiro aos recém-licenciados das engenharias. Refiro-me a todos os recém-licenciados, e passaram-me muitos pelas mãos. Mas, pelos vistos, isso não interessa para nada, porque a utilização irrepreensível da língua portuguesa não é fundamental para quem anda à procura dos novos community managers, pelo menos a julgar pelos anúncios que vi.

 

Para mim, sempre foi fundamental, para qualquer posição, mas especialmente para aquelas que contactam directamente com os clientes/utilizadores, customer care incluído.

 

Cultura geral e cultura específica do meio, porque quem gere uma comunidade comunica com muitas pessoas diferentes e quanto mais o seu discurso estiver adaptado a cada interlocutor, mais eficaz será. Cultura geral impede argoladas básicas, cultura específica do meio permite uma resposta no mesmo tom, e deixa antever modernidade e actualidade que são muitas vezes (mas não sempre) factores decisivos. 

 

LuisB.jpg

 

Outra ausência gritante dos anúncios é a valorização da presença online dos candidatos. Em nenhum anúncio vi serem pedidos o endereço do Blog, do Facebook, do Twitter, do Instagram, etc....

Peço sempre isto, nos anúncios que coloco. Permite-me ter uma ideia acerca da personalidade da pessoa, da forma como escreve, há quanto tempo usa determinadas ferramentas, com que frequência, etc..

Tudo dados fundamentais para se desempenhar uma função de gestão de comunidades.

Já me aconteceu, no passado, ter de encontrar alguém que tivesse, também, competências (ou potencial) de community manager (enfim, de acordo com a minha definição da coisa). Não me enganei.

 

E, por último, os salários. À partida, um estagiário, não ganha grande coisa. Se não ganha grande coisa e é estagiário, é sinal de que está a aprender (o que contradiz o pedido frequente para estagiários, com experiência), ora, eu não quereria entregar a comunicação da minha marca ou do meu serviço a alguém que está a aprender porque, lá está, se está a aprender, que não seja às custas da minha marca e do meu serviço. Para community manager, nunca quereria ninguém com menos de 5 anos de experiência específica nesta área, mas essa não parece ser uma preocupação de quem recruta. Confirma-se assim o "If you pay peanuts, you get monkeys".

 

Vai na volta e a definição corrente de community manager é muito diferente da minha. Um community manager, na versão actual, é um gestor de redes sociais. Portanto, algo muito mais simples do que criar e gerir uma comunidade usando, entre outras ferramentas, as redes sociais. 

 

Para mim, community manager é a pessoa que cria e mantém uma comunidade. Por comunidade entende-se um grupo de pessoas que, por usarem o mesmo serviço ou o mesmo produto ou frequentarem o mesmo sítio se sentem incluídas e como pertencentes a algo que as diferencia de quem não tem essa presença ou utilização. E criar essa noção e esse sentimento de pertença num grupo (desejavelmente cada vez maior) de pessoas, não é tarefa fácil.

 

Criar e gerir uma comunidade não é um sprint (como muitos parecem achar), é uma maratona. É um trabalho que exige paciência, tempo, entrega, pertença à comunidade que se quer gerir e, muito importante, ouvir. Uma comunidade que não participa no processo de decisão, ou que não é ouvida nesse processo, não é uma comunidade.

 

Fazer like na página duma marca, no Facebook, não faz de mim membro de nenhuma comunidade. Seguir uma marca no Twitter ou no Instagram não faz de mim parte duma comunidade. 

 

E é assim que chego à conclusão de que hoje, tal como há 20 anos, a profissão de community manager é uma raridade. O resto da malta é gestor de redes sociais e, para mim, isso é muito diferente (faz parte, mas está longe de ser a única competência). 

Acho que vou regressar ao "Internet", nos formulários, para não correr o risco de acharem que sou só gestora de redes sociais.

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