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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
As pessoas que não existem

Há muitas pessoas que não existem. A sério. Isto ocorreu-me há já algum tempo, no trânsito da A5 a caminho de Lisboa.

 

Por exemplo, eu não conheço ninguém que, em conversa com amigos diga, ah sim senhor, sempre que passo por um acidente, eu paro ou abrando para olhar e ver se há mortos ou feridos, ou para ver o estado em que ficaram os carros para depois poder pensar com os meus próprios botões "eish, o estado em que aquilo ficou, vai ser uma despesa enorme de bate chapas, espero que ninguém se tenha magoado" (e no entanto abranda um pouco mais, à procura do sangue).

 

Também não conheço ninguém que diga, ah, eu sou chico esperto. Quando vejo uma enorme bicha (desculpem, mas para mim é bicha, não gosto do politicamente correcto), quando vejo uma bicha, dizia o meu personagem inexistente, tento sempre encontrar forma de dar a volta ao texto, mesmo que isso passe por meter por uma escapatória e ultrapassar os outros pela direita. Ou ir na faixa rápida e mesmo em cima da saída da auto-estrada, meto-me à frente dos desgraçados que estão à espera há meia hora.

 

Também não conheço ninguém que se vanglorie de passar à frente na bicha do supermercado ou do cinema.

 

Também não conheço ninguém que se assuma como incompetente. Lido com alguns incompetentes, alguns mesmo mais próximos do que o que gostaria, mas não conheço ninguém que assuma e diga "eu sou incompetente".

 

Nunca ouvi uma pessoa dizer sistematicamente "ah, aquela empresa é uma merda e está cheia de incompetentes" e depois, ao primeiro vislumbre de cravar a dita empresa nalguns cobres, é a primeira da bicha (provavelmente passando à frente dos que já lá estavam).

 

No entanto, sei por experiência, que este tipo de pessoas existe. Cruzo-me com eles todos os dias, na estrada, na rua, na empresa onde trabalho.

 

Devo ser eu que tenho uns amigos muito selectos.



publicado por jonasnuts às 09:41
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4 comentários:
De PDuarte a 29 de Maio de 2009 às 14:11
a mim aquilo que me dá ideia é que, daquilo que dizes áquilo que fazes vai uma distância do caraças.
isto sou eu a dizer descansado, por me estar a dirigir a alguém que gosta do politicamente incorrecto .


De João Lúcio a 29 de Maio de 2009 às 16:42
Não se trata de ser politicamente correcto, mas sim de falar português correcto! Bicha é português. Lá que a malta veja muita telenovela, é um problema dela!
Mas o que me lixa é que a maior parte do tempo que se perde no trânsito seria eliminado se existissem menos pessoas que não existem (bela frase...).


De Bino a 30 de Maio de 2009 às 13:19
Confesso que nunca paro por causa de acidentes. Suponhamos que atropelo um gajo em plena passadeira, ando sempre com pressa e sem tempo; não sou o Dr. House para ir lá fazer-lhe o diagnóstico e dizer se está morto ou ainda vivo; nunca tenho saldo no telemóvel, nem bateria carregada para chamar uma ambulância; problemas com a Polícia já tenho de sobra; seguro da viatura, tive mas foi há mais de um ano, de modos que a única coisa válida que posso fazer é continuar a andar e depressa, para não empatar o trânsito. Com sorte, o carro que vier atrás de mim passa também por cima do tipo estendido no asfalto e acaba por assumir ele a culpa pelo acidente.



De eu a 2 de Junho de 2009 às 09:29
Ah, mas eu já fui, e, de quando em vez, ainda sou francamente incompetente. Mas não paro para ver sangue no meio da chapa retorcida e só passo à frente de filas quando vou de bicicleta pelo meio dos carros (e é tão divertido! hoje passei por uma carrinha, a 100 metros do sítio onde trabalho, subi com a minha mais-que-tudo, meti chave à porta, arrumei a bicicleta, liguei o computador e quando abri a janela... a carrinha ainda estava no semáforo. hihihi)


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