E vou já avisando que os mais susceptíveis às piroseiras não devem ler este post e, sobretudo, não devem ver o vídeo.
Toda a gente se lembra daqueles carros que, antigamente, tinham na tampa do porta bagagens (que tecnicamente se chama chapeleira), um napperon e por cima do napperon de renda, um cão que abanava desesperadamente a cabeça, ao sabor dos movimentos dos carros, certo?
Carro de família conservadora que era digna desse nome, tinha o caraças da imitação do chihuaha a dar à cabeça cá atrás.
E nós ríamos perdidamente.
Ando há que tempos à procura duma coisa dessas. Acho que vai com o Smart. E como agora até ando numa de crochet, até podia ser que se arranjasse o napperon.
Em tempos falei disso aqui, provavelmente nos comentários, porque não descubro o post, e recomendaram-me as lojas chinesas. Mas nunca encontrei.
Eis senão quando, na semana passada, no insuspeito Corte Inglês, dou de caras com a coisa. Ok, não é um Chihuaha que agora somos mais modernos, dá ares a um golden retriever, mas abana a cabeça na mesma.
O Smart não tem chapeleira, ou melhor, tem, mas é recolhível, e eu preciso mesmo de recolhê-la para pôr a mochila do puto, mas, em alternativa, tem um enorme espaço à frente, por cima do porta-luvas.
Ele não queria acreditar, mas a verdade é que sim senhor, lá tenho o bicho, que já foi baptizado, e é o Cabeças, e que me acena que sim ou que não, ao ritmo da minha condução. Para quem tem putos, recomendo vivamente, já que é uma dose garantida de boa disposição assim que entramos no carro. E se eu ando a precisar de boa disposição. Ainda sem napperon, que não sei se consigo ir tão longe, apresento-vos o Cabeças:
Há um Blog que faz parte da minha lista de leituras por gosto (tenho também a lista de leituras por obrigação profissional). Chama-se Post Secret e faz um post por semana. É raro encontrar por lá coisas com que me identifique, mas gosto do conceito, e do grafismo, e de ver que há gente bem mais maluca que eu.
É raro, dizia eu, encontrar por lá coisas com que me identifique, mas hoje aconteceu.
Eu fiquei. Sempre. E não me arrependo, embora ainda hoje, passados tantos anos, me custe relembrar.
Estamos em plena silly season blogosférica. Bem sei, que estamos fora da época típica, mas eu defendo esta teoria.
Pelo menos a julgar pela quantidade de posts que falam do frio, e que têm fotos de neve no quintal, e tendo em conta a quantidade de gente que posta entusiasmada acerca do cão do Obama poder vir a ser de raça portuguesa.
Vá lá senhores, está frescote, sim senhor, mas já toda a gente sabe disso. O que muita gente não sabe, mas eu informo, é que a melhor raça de cão, em todo o mundo, são os rafeiros. Não são os rafeiros alentejanos, são os rafeiros que agora são apelidados de "raça indeterminada", ao abrigo da lei do politicamente correcto.
São a melhor raça, os rafeiros. Não correm tantos riscos de terem problemas de saúde por causa de consanguinidades na ascendência, são mais resistentes, são mais espertos, são mais fiáveis. É só vantagens.
Não voltarei a ter cães, mas se tal imbecilidade me passasse pela cabeça, optaria por um rafeiro apanhado na rua ou contactaria um abrigo.