Não é a primeira vez que sou confrontada com esta coisa, mas choca-me sempre.
Num torneio de futebol infantil, entre escolas (e escolas normais, não são sequer escolas de football), a quantidade de pais que leva aquilo a sério é impressionante.
Num momento que, idealmente, é de descontracção e divertimento, os pais (e mães) que berram de fora do campo para que os putos joguem melhor é um elemento de stress, na minha opinião, dispensável.
Aquela coisa do "na desportiva" é impossível, quando temos ao nosso lado um pai que berra ordens ao filho "vai-te a ele", "vai defender", "remata agora"..... Ainda se fossem mensagens de incentivo "boa defesa", "grande golo" etc., é como o outro, mas os pais que vêem nos filhos um futuro Cristiano Ronaldo (assegurando-lhes a velhice num lar de melhor qualidade, provavelmente), tiram-me do sério.
Já me chocava quando se tratava de torneios entre escolas de football (com pais e mães a insultar violentamente o árbitro, vernáculo incluído), mas piora um bocadinho quando se trata de um encontro amigável, entre escolas, e estamos a falar de miúdos do 1º e 2º ciclos (dos 6 aos 12 anos).
Cambada de ignorantes, que projectam nos filhos aquilo que gostavam de ter sido, tenham os putos muito ou pouco jeito para a coisa.
Espero que tenham dinheiro para pagar as contas do psicólogo que vai ter de tratar da auto-estima dos putos.
Por esta altura já toda a gente ouviu falar da professora chanfrada. Há mesmo aqueles que já estão, como eu, cansados de ouvir falar do caso da professora chanfrada. Paciência, cansem-se mais um bocadinho, que é sobre isso que eu quero falar.
Para já, acho que o caso desta professora é excepcional. A senhora é doente. Claramente. Não creio que aquele tipo de discurso, numa sala de aula, seja a regra da maioria das salas de aulas. Internem a mulher. Problema resolvido. Se por acaso ela fosse professora do meu filho, a coisa seria diferente, porque para além de a internarem eu já teria tido uma conversinha de pé de orelha com a senhora, com a directora de turma, com o conselho directivo e com a respectiva direcção regional de educação.
Há aqui 2 questões fundamentais. A primeira, que a maior parte das pessoas desconhece, é que lidar com os pais das criancinhas deve ser das coisas mais frustrantes na vida dum professor. Eu não teria pachorra, aliás, por isso é que nunca seria professora, não tenho vocação. Aliás, aquelas mãezinhas da reportagem são nota disso mesmo....."pronto, ela falou daquela maneira e nós dissemos que por nós estava desculpada, que íamos falar com os maridos, mas que por nós tudo bem". E porque é que os maridos não estavam lá? Não são pais das crianças? E porque é que uma mãe tem de falar com o marido, neste caso? Tem de pedir autorização para pensar? E como é que, num caso em que alegam que este tipo de atitude por parte da professora é recorrente e vem de longe, deixam a coisa passar com um pedido de desculpas? Achavam que a atitude recorrente ia mudar de um dia para o outro, com um pedido de desculpas? Burras, burras, burras.
E a segunda questão fundamental tem a ver com a total falta de poder que os pais sentem, no que se refere ao que se passa dentro duma sala de aula e dentro da escola. Acompanho de perto um caso que me é muito próximo, de pais (inteligentes e esclarecidos) que desde o início do ano lectivo ouvem da sua criança relatos de tratamento discriminatório por parte de um professor. Já tiveram provas (escritas) da imbecilidade e incompetência do professor em causa. Recorreram à directora de turma, que se revelou ser igualmente incompetente e imbecil (embora de forma mais moderada, a senhora é uma anémona), recorrem agora ao conselho directivo, vamos ver. Mas durante todo o ano lectivo, e desde o primeiro contacto dos pais com a Directora de Turma, que a criança sofre pressões públicas (dentro da sala de aula, à frente de toda a turma) para não dizer em casa o que se passa naquela sala de aula. Coisas do tipo "tem um problema, vem falar comigo, não precisa de ir fazer queixinhas ao papá e à mamã".
Numa profissão tão corporativa como a dos professores, toda a escola funciona em bloco, contra os pais e contra os alunos. O que fazer? Medidas extremas e levar gravadores para dentro da sala de aula? Pois, se tiver que ser, seja. Fosse um pai ou uma mãe mais geek, e até se faria a coisa com emissão em directo na web, sem que o puto precisasse de saber que levava na mochila um carro de exteriores equipado com emissores de imagem e som, o peso já é tanto que mais gadget menos gadget não faria a diferença. É ilegal? É imoral? É pouco ético? Provavelmente, mas qual é a alternativa? Os canais existentes para o efeito, claramente não funcionam.
Encurralem-me, enquanto mãe, tratem o meu filho injustamente, e é verem eu levar tudo à frente, sejam quais forem os métodos (à excepção da violência, claro). E depois não se venham queixar que foram usados métodos pouco ortodoxos. Não falem de ortodoxia, quando emboscaram e encurralaram a leoa e a cria. Amanhem-se, lambam as feridas, baixem a crista, aprendam e sigam a vidinha.
Child Exploitation & Online Protection Centre.
Está a falar um representante desta organização. Colin Turner.
Num tom altamente profissional, mas nada catastrófico, mostrando conhecer a realidade do online, mas sem mascarar qualquer informação. Conhece a realidade das crianças, e da utilização que as crianças fazem hoje em dia, quer da Internet quer de outras tecnologias de comunicação (telemóveis, messenger, etc.).
(Já agora, POS, em linguagem de sms, em inglês, quer dizer Parent Over Shoulder).
Gostava que houvesse uma pessoa destas em Portugal. Se calhar há, e eu não conheço.
Saio dempre destas coisas com a firme decisão de banir computadores lá de casa.
Cheira-me que hoje não será excepção.
Hoje estou na IIIª Conferência Europeia dedicada ao tema das Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente, este ano, com ênfase especial na Segurança na Internet. A organização é do Instituto de Apoio à Criança.
A decorrer no Novo Auditório da Assembleia da República, cá estou eu, chegada directamente da escola do meu filho onde o deixei a fazer a prova de aferição de matemática.
Este não é um tema fácil, para mim, e o auditório está compostinho. Na abertura da sessão discursou Manuela Eanes (que estava a falar quando cheguei), e ao seu lado o Procurador Geral da República. Interrogo-me, em silêncio, sobre o que pensará o Procurador sobre a incidência da conferência deste ano. Ênfase especial na segurança online. Tendo em conta que para este senhor os Blogs são uma corja (não sei se foi esta a palavra, mas foi este o teor), o que pensará ele sobre o online?
Não sei, mas sei que não é aqui que vai descobrir. Numa conferência onde se dá ênfase especial à Segurança Online, o meu computador está orgulhosamente só no auditório. Deve haver mais, porque eu vejo as malas, mas a funcionar, o meu é o único. Provavelmente porque aqui nã há acesso à Internet. Bem fiz uma busca à procura de redes wi-fi, mas aparentemente a Assembleia da República acha que não precisa de wi-fi no seu novo auditório. Essas modernices hão-de chegar mais tarde. Daqui a uns anos.
Pausa para coffe break, uma multidão de jornalistas rodeiam os intervenientes principais. Não sei de que falam, aposto que o nome Maddie está nas bocas do mundo. Cheira-me que se não fosse a Maddie, esta conferência seria menos participada. Muito menos participada. Mas também posso ser eu e o meu cinismo, pode ser que esteja enganada.
Muitos agentes da autoridade. Parece-me bem o interesse e a participação. Vamos ver no que vai dar o resto do dia.
Os trabalhos vão começar dentro de momentos, pode ser que agora que acabaram os discursos, se anime o debate, e se possa trabalhar a sério. Eu sei, eu sei, sou cínica, mas tenho este lado ingénuo, que persiste.