
Gosto de dar, mas não dou a qualquer pessoa. Gosto de, quando dou, saber que estou a dar a quem precisa.
Não gosto de dar dinheiro, principalmente porque o dinheiro nunca se sabe muito bem para onde é que vai, e tirando a AMI e pouco mais, não dou dinheiro.
Dou regularmente os brinquedos do meu filho e os livros e a roupa (que estejam em condições de ser dados, evidentemente, não dou lixo). Mas estas dádivas, por importantes que sejam, não correspondem necessariamente ao que os miúdos querem.
No ano passado descobri os Anjinhos. E gostei da ideia. Ajuda muito o facto de "conhecer" e confiar na pessoa que está a promover esta iniciativa (há-de haver mais, mas eu conheço-a a ela). Sim, é uma acção do Exército de Salvação. Sim, chamam-se anjinhos às crianças. Sim, deve ser uma coisa católica e tal. Mas, o conceito agrada-me, porque as crianças têm um nome, uma idade, e um pedido específico.
Crianças que não têm presentes de Natal e que pedem aquilo que gostavam de ter (e de caminho também levam com um fato de treino). Quando compramos as coisas sabemos que estamos a comprar exactamente aquilo que aquela criança deseja e que não terá, se não formos nós. São crianças sem presentes de Natal. Tudo isto, misturado com a imagem de excesso de presentes lá em casa, que todos os anos tentamos, debalde, reduzir (este ano é que é, andamos a dizer ao tempo), faz com que eu queira aderir, de novo, a esta acção.
No ano passado fi-lo já muito em cima da hora (e atrasei-me e tudo) e "apadrinhei" 4 ou 5 anjinhos. Este ano está mais difícil, acho que não consigo chegar a tantos (e este "tantos" parece tão pouco, face à minha vontade), mas já angariei o meu filho para o processo (eu compro o fato de treino, ele paga o presente), e vou angariar mais pessoal (família e meninos do SAPO). Até já recomendei a coisa via Facebook, imagine-se, eu que quase nunca facebuco, e que acho que nunca usei as recomendações daquela coisa.
Enfim, está tudo explicado aqui, ou aqui.
Garanto que quando entregamos os presentes, sabendo que eles vão ser, de facto, dados a quem os pediu, nos sentimos muito bem. Este é o presente que vou oferecer a mim própria neste Natal. É, ao contrário do que parece, um presente egoísta.
(Os mais desconfiados podem ver aqui algumas fotos referentes à acção do ano passado)
Ontem quase não trabalhei. Estive quase todo o dia a acompanhar a acção de recolha de registo de potenciais dadores de medula óssea.
E quando digo "acompanhar" refiro-me a acampar à porta da sala onde eram recolhidas as amostras de sangue, para ver se o tráfego estava bom ou se era preciso ir "evangelizar" mais pessoas.
Correu muito bem, a equipa móvel do Centro de Histocompatibilidade estava satisfeitíssima, a final do dia. A afluência foi tanta que ultrapassaram largamente o horário previsto. Eram quase 5 da tarde e ainda lá estavam. Foram recolhidas 110 amostras, houve bastantes pessoas que quiseram participar e não puderam. O objectivo diário considerado razoável é de 30 pessoas. Quase quadruplicámos esse número ontem.
Quero agradecer a todos, em especial aos que "arrastei" até à porta do gabinete e que, apesar do esforço visível que representava para eles, conseguiram ultrapassar as dificuldades e tornaram-se potenciais dadores. Segurei algumas mãos, aliás, em alguns casos quase consegui sentir-me como o futuro pai, que agarra a mão da mãe que está em trabalho de parto.
Foi giro ver, ao final do dia, enquanto dava mais umas voltas pelo 5º piso, à procura de mais participantes, assim que me aproximava das secretárias, estendiam-me os braços, mostrando o penso que assinalava a sua participação "eu já lá fui" :)
Obrigada a todos aqueles que me telefonaram, por causa de trabalho, e que não pude atender. Vou devolver chamadas hoje.
E obrigada ao SAPO e à PT por proporcionarem um ambiente de trabalho que permite, de vez em quando, fazer coisas destas.
Isto já parece um discurso de agradecimento de um Óscar. Que seca. Os que se "safaram" não julguem que é definitivo. A coisa correu tão bem que o Centro está a fim de marcar mais uma acção. Lá mais para depois das férias. Encontramo-nos nessa altura :)
Para quem tem dúvidas quer sobre a recolha quer sobre uma posterior doação há informações muito completas aqui, mas aviso já que não custa mesmo nada, e que a doação de medula (caso venha a ser necessária) não é o bicho de 7 cabeças que habitualmente se vê nas séries dos médicos. Portanto, fãs de House, E.R., Grey's Anatomy, Scrubs, Clínica Privada e demais americanadas que nos mostram processos altamente invasivos, não tem nada a ver. Embora eu suspeite que se fosse o House ou McDreamy a fazer a recolha, a adesão seria ainda maior.
Vou tentar agendá-los para a próxima sessão.
UPDATE - A carrinha não chegava para as encomendas. A equipa de recolha está instalada no 5º andar do Fórum Picoas. Sala 5.02. Quem for de fora da P e quiser colaborar basta que chegue a uma das portarias (a melhor é a que fica mais próxima do Saldanha) e peça para falar comigo (Mª João Nogueira/Jonas). Eu trato do resto.
Bem sei que todos os dias são dias de dar, mas hoje é especial, principalmente para quem trabalha na PT, em Picoas.
Lembram-se da Marta? Procurava-se desesperadamente um dador compatível. No âmbito desse esforço organizámos juntamente com o Centro de Histocompatibilidade do Sul uma recolha especial. Hoje, entre as 10h00 e as 16h00 vai estar lá em baixo, à porta do Fórum Picoas, uma carrinha de recolha de amostras de sangue, para que, quem queira, se possa inscrever como dador de medula óssea.
Bem sei que já foi encontrado, felizmente, um dador compatível com a Marta. O problema é que há mais Martas a precisar de ajuda, e se calhar não têm a mesma capacidade de mobilização. É preciso não abrandar o esforço.
Este post é para quem trabalha na PT, mas também para quem queira dar um pulo a Picoas. Não custa nada. Se imprimirem e preencherem esta folhinha informativa, não demora nada, e a coisa resume-se a uma picadela. Bora?
Para quem trabalha no SAPO, lamento informar que a minha acção de divulgação não se resumirá a este post, e andarei de secretária em secretária a fazer uma das coisas que melhor se fazer; ser chata.
Bora ajudar mais Martas?