Exmos. Senhores,
Como portuguesa atenta ao que pensam e sentem os meus concidadão, não posso deixar de constatar que são muitas as pessoas que estão indecisas em relação ao sentido do seu voto nas próximas eleições legislativas de Junho.
É, de acordo com o que tenho visto, um número de indecisos muito acima da média.
Assim, e de forma a que estes indecisos possam ter tempo e espaço para ponderarem de forma reflectida a orientação do seu voto, venho propor-vos que em vez de um período de reflexão de 24 horas (na véspera do dia das eleições) alarguem este período de reflexão para, pelo menos, uma semana.
Só num ambiente de calma e serenidade é que estes indecisos poderão, em consciência, tomar uma decisão tão importante.
Agradecem os indecisos e agradecem os decididos. Nem uns nem outros recuperaram ainda da campanha eleitoral das presidenciais e, assim como assim, as campanhas eleitoras servem muito mais para os partidos fazerem barulho do que propriamente para esclarecer as pessoas.
Uma decidida agradecida.
Dizem que os jovens são idealistas, e depois aprendem.
Pelos vistos, essa foi mais uma coisa que não aprendi.
O que me custa mais, nas legislativas que aparentemente vão acontecer, não é ter de passar por outra campanha eleitoral (e esta, a julgar pelos intervenientes vai ser do piorio), o que me custa não é o debate vazio, nem a demagogia a jorrar, nem o barulho e a poluição visual e sonora.
O que me custa mesmo é ter de olhar para isto tudo e decidir com base no critério "mal menor".
Não vamos, nestas eleições, escolher aquilo que achamos melhor para o país. Vamos escolher aquilo que achamos que dará menos prejuízo.
E como é que eu explico isto ao meu filho? E como é que eu explico isto à idealista que me habita?
Não Sofia, não és a única que se emociona, e sai de dentro da assembleia de voto com uma dose extra de felicidade, daquela que faz comichão na garganta, e que é inexplicável.
Sim, Sofia, também eu não percebo quem se abstém, quem olha pela janela e diz, epá, isto está mesmo bom é para ir para a praia (ou para o campo, ou para o centro comercial, não interessa) e não vale a pena maçar-me com votos, que mais um menos um não faz a diferença.
Mas, numa coisa discordamos. Os brancos.
Os brancos não estão ao nível de quem não vai lá. Pelo contrário, estão no seu completo oposto.
O branco é aquele que não prescinde do direito de votar, é aquele que vai lá, exercer o seu direito. Vai, e vota em branco, é um recado, senhores políticos, não acredito que nenhum de vós tenha os requisitos mínimos para governar o meu país. Não há o mal menor. O mal menor é para decisões mais comezinhas, menos importantes. Para o meu pais, quero o melhor, o menos mau não serve.
Nunca falhei umas eleições. Voto, porque a minha bisavó queria votar e não podia, porque era mulher. Voto, porque a minha mãe e a minha avó queriam votar, e não podiam porque vivíamos em ditadura. Vou, e voto, sempre. Mas não voto no mal menor. Ou bem que há um gajo em que eu acredito, e eu voto com convicção, ou, se é para votar no mal menor, no "rouba mas faz", não lhes concedo o privilégio do meu endosso. E é essa a mensagem do meu voto em branco.
Votar no mal menor, é nivelar por baixo. E se estou preparada para fazer isso no que diz respeito a muita coisa (que remédio), não estou preparada para fazer isso no que ao Governo do meu país concerne.
Sim, eu sei, não há nenhum candidato a primeiro ministro chamado Luís. Mas para essas eleições eu só tenho uma certeza, vou votar.
Há, no entanto, outras eleições que não me levantam quaisquer dúvidas, e em que a escolha do candidato é óbvia.
Ele chama-se Luís Monteiro, e está à frente numa votação mundial que termina no dia 30, para integrar uma expedição à antárctica. O problema é que há uma americana a morder-lhe os calcanhares, e, como nós sabemos, os americanos não só são mais que as mães, como têm uma taxa de penetração do acesso à Internet muito maior do que Portugal.
Portanto é importante que votemos, todos, no Luís. Não custa nada, e não podemos deixar que agora na recta final, a americana passe o Luís.
Hoje é dia de reflexão, para as eleições legislativas, mas podemos treinar o acto de votar, votando no Luís Monteiro, para ir à Antárctica.
Eu já votei, e hoje, não votei em branco.
Esta é uma mensagem aos senhores políticos, principalmente a alguns candidatos a presidentes de câmara e de juntas de freguesias.
Há uns anos valentes, no Brasil, havia um candidato chamado Adhemar de Barros, que queria ser prefeito. Não, não é erro, é mesmo assim que os brasileiros chamam ao presidente da câmara lá do sítio.
Ora este senhor Adhemar tinha fama de corrupto. Esperto, chamou um caramelo do marketing para lhe orientar a comunicação e convencer o povo a votar no Adhemar. Este consultor, esperto, olhou para a coisa e disse-lhe, olhe, o senhor da fama de corrupto já não se livra, pelo que mais vale assumir a coisa, e fazê-la jogar a seu favor.
E foi assim, que o slogan de candidatura do Adhemar de Barros, nas eleições de 1957 foi: "Adhemar rouba, mas faz".
Adhemar ganhou as eleições.
Presumo que cá, como lá, haja quem também vá ganhar as eleições, embora dispensando a honestidade do candidato brasileiro.
Não sei muito bem a quem endereçar esta proposta, se às televisões, se à ERC, se aos candidatos, se aos jornalistas. Olhem, entendam-se uns com os outros.
Os debates entre candidatos servem para que meia dúzia de comentadores políticos possam justificar os seus ordenados, e para que alguns mais esgrimam argumentos nos Blogs, mostrando a quem quiser ver que têm jeito, e que se calhar até davam bons comentadores políticos (há excepções, não ando tudo à procura de tacho ou visibilidade).
Creio no entanto, que a grande maioria dos eleitores decide em quem vota ou por tradição (sempre votou naquele partido), ou porque gosta mais da cara de A ou de B. Não conheço um eleitor, dos normais, que leia o programa proposto pelos partidos.
Posto isto, creio que os senhores (todos os que descrevi no primeiro parágrafo) deviam repensar os debates, e fazer só a coisa no modelo Gato Fedorento, mais oleado.
O Esmiuçar os Sufrágios vai ter mais impacto na decisão dos eleitores do que todos os outros programas/debates/frente-a-frente juntos.
A ordem dos candidatos não foi a mais feliz (para o programa), já que eles ainda estão à procura de um tom e de um ritmo, e que o Ricardo Araújo Pereira ainda está demasiado preocupado em encontrar o personagem ideal e ainda tem medo de sair do armário e assumir-se como gajo que até joga em igualdade (ou mesmo superioridade) de circunstâncias com as pessoas que está a entrevistar. Mas é capaz de lá chegar, já esteve melhor ontem do que anteontem.
Quanto às comparações com o The Daily Show with Jon Stewart, ainda é cedo. O formato é semelhante e, embora o Ricardo Araújo tenha potencial para ser o Jon Stewart português, os outros três não têm hipótese de chegar aos calcanhares do John Oliver, da Samantha Bee ou do Jason Jones.
Anyway....a proposta do título do post é esta.....façam mais entrevistas neste tom, e menos das outras. É uma win, win, win situation. Ganha a televisão, ganha o candidato, ganha o público e ganha a política na medida em que muita gente que não se interessaria pelo tema vê a coisa, porque é divertido.
Este não é um blog político ou de política, mas caramba, as europeias foram ontem.
Acho que os políticos deviam estar menos preocupados com a abstenção e mais preocupados com os brancos.
As abstenções foi pessoal que não teve pachorra para ir votar. Acham que há coisas mais importantes. Não havendo sol, foram certamente encher os centros comerciais que pululam por esse Portugal fora. Ou ficaram em casa, ou vão passear. Não interessa. Baldam-se. E não me venham com tretas de que é para mostrar cartões amarelos ou vermelhos. Não é nada disso. Estão-se cagando.
Com o que eu acho que os senhores políticos se deviam preocupar era com os votos em branco. São as pessoas que não têm pretensões a figurar nos mapas dos números e que não se importam com o facto de aos seus votos não ser conferido qualquer valor estatístico, têm o trabalho de ir votar, às vezes fazer umas distâncias valentes porque ainda não trataram da papelada para para mudarem a assembleia de voto para a sua área de residência, que apanham filas de trânsito no IC30 por causa de acidentes, e vão lá, pegam no boletim, e ainda não chegaram à cabine de voto e já vai o papelito quase todo dobrado. Não estão nem 1 segundo na cabine de voto, regressam ainda a dobrar o papel, depositam o dito cujo na urna, recebem os documentos de volta, dão as boas tardes e vão por donde vieram.
São os que vão lá, dizer que não acreditam.
Com estes é que os políticos se deviam preocupar.
Para não quebrar o ritmo de posts que não interessam a ninguém a não ser a mim, que pareço ser a única pessoa a achar que estes dados deveriam funcionar como "wake up calls" para os órgãos de comunicação social em Portugal (e como é que se diz isto em português? deveriam funcionar como chamadas de despertar?)
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A leitura e restantes dados, aqui.
De acordo com a Akamai, que é a rede de distribuição de conteúdos (chamemos-lhe assim) da grande maioria dos principais sites de órgãos de comunicação social americanos, todos os sites noticiosos viram os seus gráficos de acessos subir descomunalmente durante a noite das eleições.
No pico dos acessos, por volta das 11 da noite (hora americana, claro), eram 8.572.042. Eu repito, oito milhões, quinhentos e setenta e dois mil e quarenta e duas pessoas.
E agora, o toque final.
Por minuto. 8 milhões e meio de pessoas, por minuto, num record absoluto.
Se seguirem o link ali de cima podem ver os gráficos, associados aos eventos que têm gerado picos, ao longo dos tempos.
A CNN anuncia que tiveram 27 milhões de visitantes únicos, durante o dia de ontem. Acrescem a este número os 276 milhões de pageviews.
Obviamente que os americanos são muitos mais que nós, e as eleições despertam muito mais interesse internacional do que qualquer evento realizado em Portugal (incluindo, creio, o festival da canção).
A média de visitantes únicos, no site da CNN, em Setembro foi de 5 milhões por dia. Portanto ontem, quintuplicaram esse número.
A média de pageviews do site da CNN é de 35 milhões por dia. Ontem, multiplicaram por quase 8.
Records absolutos. E o site estava rápido, e respondia lindamente.
Claro que isto não se deve só às eleições, deve-se também a um trabalho e investimento contínuos no site e nos conteúdos do site. Há bastante tempo que os órgãos de comunicação social internacionais têm aproveitado da melhor forma a ferramenta Internet, e esse investimento, como se pode ver pelo exemplo da CNN, é vantajoso, não só do ponto de vista financeiro, mas também do ponto de vista da fidelização do seu público (independentemente do meio) e, sobretudo, no posicionamento como market makers.
Não acompanhei nem os sites nem as emissões portuguesas a não ser, brevemente, a TSF, e só a rádio, e posso estar enganada, mas tenho dúvidas de que os seus gráficos de acesso tenham mexido o ponteiro de forma substancial.
Há nestes números uma lição a aprender. Haverá quem a queira aprender?
Fonte estatística, TechCrunch
Ou há mais Blogs portugueses a cobrir as eleições americanas do que houve blogs portugueses a cobrir as ultimas eleições portuguesas?
Imagine-se que até António Costa, o tal do submundo, está a fazê-lo, no Abrupto.
(Via Cachimbo de Magritte)
Acompanho na CNN a noite eleitoral americana.
Há o folclore, e os écrans digitais, e os hologramas, e a tecnologia, e um painel de comentadores (alguns nasceram ou cresceram nos Blogs), e oiço frequentemente o Wolf Blitzer referir o site da CNN como uma óptima fonte para MAIS informação. Quando eu digo "com frequência", é mesmo com frequência, pelo menos três vezes, em cada bloco. Encaminha as pessoas para o site.
Claro que o site tem, de facto, mais informação, aquela minúcia que não cabe na rua da betesga que é a televisão. O site complementa a emissão (e fideliza os espectadores/visitantes).
Posso estar enganada, aliás, espero estar enganada, mas numa qualquer noite eleitoral portuguesa, uma daquelas que está agendada para estes tempos mais próximos, vejo as nossas televisões a passarem o endereço do site, em rodapé (chega e sobra, não é?), e a terem uma página pindérica, sem qualquer informação útil, adicional.
Os meios de comunicação social tradicionais não sabem usar a internet como uma ferramenta potenciadora de audiência, ainda consideram a internet como uma ameaça. E enquanto não abrirem os olhos, e enquanto não contratarem pessoas competentes (não precisam de perceber de televisão, mas é imprescindível que percebam de internet em larga escala, e o filho recém-licenciado do administrador do momento, que até percebe umas coisas de informática, não serve), dizia eu que, enquanto não levarem a Internet a sério, esta, em vez de se tornar uma ferramenta complementar, tornar-se-á, de facto, numa ameaça.
Opá, ao menos olhem para a televisões a sério, e vejam como é que se faz. Não é para copiarem, é para apreenderem o conceito, adaptá-lo à realidade portuguesa, e então sim, usá-lo.
Temo que nos mantenhamos no marasmo do costume, com uma das privadas a escolher pagar a multa para anunciar as projecções 30 segundos mais cedo do que a lei permite, e no dia seguinte trocam-se galhardetes sobre quem é que tinha o maior écran e os gráficos mais giros.
Toda a gente está à espera dos resultados das eleições americanas. Há muito tempo que não via tamanho entusiasmo. De todas as Blogosferas surgem posts. Juro que já vi mensagens de apoio aos candidatos em Blogs de Wrestling e de Floribela.
A Blogosfera portuguesa está quase tão ao rubo como em noite de Oscars. Quase.
Eu estou na CNN. E não há meio de começarem com a emissão das estrelas na passadeira vermelha.
Falam muito da Virgínia, será a Madsen? Parece que a luta pelo Oscar de melhor actriz principal está renhida, ali entre a Pensylvania e a Florida.
Falta muito? Queri ver as jóias, e os vestidos, e os penteados.
Vá lá, despachem-se, que estou a tentar fazer a cobertura da coisa, à frente da televisão.
O NY Times pede aos visitantes que digam, numa palavra, o seu actual estado de espírito. Fazem uma Tag Cloud porreiraço, e até permitem identificar as palavras escolhidas pelos apoiantes de McCain e pelos apoiantes de Obama.
Eu diria que, lendo esta Tag Cloud, os apoiantes de McCain está à rasca, e os de Obama estão esperançosos. Mas posso estar enganada. E eles também.
