.... em meu nome, votem NÃO.
"Consegue imaginar o seu fornecedor de internet a policiar tudo o que faz online?
Consegue imaginar medicamentos genéricos, que salvam vidas, a ser banidos?
Consegue imaginar sementes que poderiam alimentar milhares de pessoas, a ser controlados e retidas, em nome das patentes?
Isto será realidade, com a ACTA.
Acta é o Anti Counterfeiting Trade Agreement. Disfarçado de acordo comercial, ACTA vai muito, muito mais longe que isso.
Nos últimos 3 anos, acta tem sido negociada em segredo por 39 países. Mas os negociadores não são representantes eleitos democraticamente. Não nos representam, mas decidem leis, nas nossas costas.
Passando por cima dos processos democráticos, eles impõem novas sanções criminais para impedir a partilha de ficheiros online. ACTA pretende que os fornecedores de acesso à internet sejam legalmente responsabilizados pelo qus os seus clientes fazem online, transformando estes fornecedores de acesso em polícias e juízes, ao serviço da lei do copyright, censurando as suas redes.
O efeito inibidor sobre a liberdade de expressão, seria terrível.
Em nome das patentes, a ACTA daria às grandes corporações o poder de impedir que os medicamentos genéricos cheguem a quem deles precisa, bem como o poder de impedir que determinadas sementes sejam cultivadas.
O Parlamento Europeu vai, brevemente, votar a ACTA., Este voto será a ocasião ideal para dizer não, duma vez por todas, a este perigoso tratado.
Como cidadãos temos de pressionar os nossos representantes para que estes votem contra a ACTA."
Mais informação, aqui.
Via Enrique Dans.
Quando tiver um texto mais longo para enviar para um adolescente com, sei lá, documentação para um trabalho escolar, coisas assim, que não cabem num sms faça o seguinte:
1 - Escreva o mail da forma mais simples e directa possível. Nada de floreados.
2 - Não escreva em linguagem de teenager. Isso está reservado aos propriamente ditos. Usar akela lng keles usam e q + ngm prcb, é contraproducente.
3 - Não use linguagem "fixe", à semelhança do ponto anterior isto é importante. Bué, fixe, brutal, menos, e coisas do género só são adequadas quando usadas por alguém daquela faixa etária. Noutras faixas etárias, é pimba e desvaloriza logo a mensagem.
4 - Use links, mas não muitos, só mesmo os essenciais, porque seguir links dá muito trabalho. Se forem para o Youtube é menos mau.
5 - Envie o mail.
6 - Envie um sms a avisar que mandou um mail (fundamental e imprescindível).
7 - Não espere resposta por mail.
Sempre às ordens.
E não, não estou a basear-me na minha experiência com o meu filho. Com ele ainda não cheguei a esta fase.
Eu sei que passo a vida a falar nisto, mas, para mim, esta é uma questão fundamental, para que a Internet continue a funcionar como deve ser.
A Lei Sinde, que foi aprovada em Espanha (sob variadíssimo protestos) está, de acordo com o Público, a ser estudada na comissão europeia.
Vamos lá ver se a gente se entende. Eu não tenho nada contra a aplicação da Lei do Direito de Autor. O que me incomoda é que a aplicação dessa lei não passe por um tribunal que é a entidade que, mal ou bem, tem competências para o efeito.
Passar a responsabilidade da aplicação da lei do direito de autor para terceiros, é abrir a porta a feudos, máfias e indústrias que mais não querem do que manter os seus privilégios e os seus modelos de negócio arcaicos e ultrapassados que não querem evoluir (porque não sabem), optando por fazer lobbying a favor do que lhes convém. Reconheço-lhes o direito de fazerem pela vida deles, desde que, quem toma a decisão, pense também nos meus direitos.
Esta lei prevê que a aplicação das regras seja feita por uma "comissão" ou mesmo pelos fornecedores do serviço de internet (ISP). Ora, eu quero que o meu ISP seja, apenas e só, um ISP (Internet Service Provider), porque é nisso que ele é bom, não é a decidir sobre a legalidade do que eu faço ou deixo de fazer. Para isso servem os tribunais. Não as comissões onde são plantados os amigos das indústrias decadentes, que defendem os interesses de todos, menos os do povinho. Nestas comissões nunca há gente do mexilhão.
O Enrique Dans já escreveu mais e melhor do que eu, sobre a lei em causa, mais para mais porque vive num país onde esta já está em vigor. Recomendo vivamente (como é habitual) o Blog do Enrique, e sobretudo este post, sobre o que esconde a lei Sinde.
É preciso que muitas vozes se levantem, porque estas leis, aprovadas lá longe, vão-se instalando aos bocadinhos, devagarinho, mansamente e de repente, damos por nós, e estão em vigor, sem que tenhamos sequer tido a oportunidade de manifestar o nosso ponto de vista.
Pessoalmente acho que uma lei deste tipo abre caminho a que se ponha em causa a neutralidade da rede que feriria de morte o conceito da Internet como o conhecemos. E, se há 15 anos o que me agradava nesta novidade que era a Internet era precisamente o conceito, hoje, reconheço que é esse conceito que é a base de tudo o resto, e é isso que é preciso defender.
Gostava muito que o meu filho pudesse ter a mesma Internet que eu, e estou disposta a estrebuchar, se me quiserem mudar a coisa.
ADENDA: Recomendo vivamente a leitura deste documento, que explica tudo muito bem explicadinho (e vai bem mais além do que o tema de que falo neste post). Está em inglês e chegou-me pelo @jmcesteves no Twitter.
Tem-se falado muito do posicionamento das empresas face à Interner em geral e às redes sociais em particular.
É um tema recorrente desde que há acesso à internet em Portugal.
Enquanto estávamos na fase dos sites institucionais, a coisa correu menos mal, apenas a apontar uma certa lentidão do tecido empresarial português (adoro esta frase), em ter uma presença online, mas de resto, a informação começou por estar lá. Era fácil, era estático, não dava trabalho.
Mas, hoje em dia, é diferente, não basta estar, é preciso estar bem, de forma inteligente, e em todas.
Eu não acredito que a maioria das empresas consiga, em tempo útil, adaptar-se a estas novas ferramentas de comunicação.
Caramba, o telefone tem mais de 100 anos, e as empresas ainda não sabem usá-lo. Porque é que aprenderiam a usar a internet antes de saberem usar o telefone?
Isto tudo porque quando me perguntam como me chamo eu respondo com a verdade, Maria João Nogueira, e a grande maioria das empresas passam toda a chamada a dizer Senhora Maria, Senhora Maria, Senhora Maria.
Já experimentei dizer que me chamo João, mas Senhora João não soa bem, e Senhora Jonas ainda pior.
Se as empresas não sabem comunicar por telefone, porque é que haveriam de saber comunicar online, explicam-me?
A propósito do meu post anterior, aqui fica um exemplo de como a coisa deve ser feita (embora nem sempre seja necessário gastar os milhões que a Nike gastou).
A melhor forma de usar estes novos meios, é fazer coisas que as pessoas QUEIRAM mostrar. A Internet não é um veículo, são muitos veículos, muitos Blogs, muitas contas de Facebook, muitas contas de Twitter. E só partilha um determinado tipo de conteúdos, quem gosta e quem acha que a sua audiência vai gostar. Não conheço outro meio que faça uma selecção natural e automática de target/audiência.
E, que fique a nota, eu nem gosto do Cristiano Ronaldo, mas acho que este spot está fabuloso, e por isso, apesar de não ser paga para isso, disponibilizo um anúncio da Nike neste meu espaço. Atinge uma grande audiência, aqui? Não. Mas outros farão aquilo que eu acabei de fazer (e outros já fizeram). Neste preciso momento, o vídeo tem cerca de 700.000 visualizações. Vamos ver como estará para a semana.
Ultimamente tenho falado muito de sobrinhos.
Tenho falado dos sobrinhos bons, os meus, mas neste caso em específico vou falar doutro tipo de sobrinhos.
É aflitiva a forma pouco profissional e ignorante como certos "especialistas" aconselham os seus clientes no que aos novos meios de comunicação diz respeito. E a isto, quero juntar o conceito do "giro". Este é um post que ando para fazer há algum tempo, mas tem andado emperrado, claramente à espera da conjugação dos astros, parece que estão alinhados hoje.
E alinharam-se graças à Mitsubishi, com a ajuda da Sarrafada.

Quanto dinheiro foi gasto nesta campanha? Não sei, mas sei que os outdoors não são baratos.
Quem é que propôs esta campanha ao Cliente?
Ou, tendo sido proposta do Cliente, quem é que lhe disse que sim e não o alertou para o facto desta campanha não ter pés para andar? Uma campanha que viola os termos de utilização da maior rede social do mundo, e que por sinal é conhecida por ser violenta na aplicação desses termos de utilização e protecção da sua imagem, não tem pés para andar. O que é que leva uma agência e um cliente a investirem numa campanha que mais tarde ou mais cedo vai rebentar, porque o perfil vai ser removido?
"ADENDA: O JC chamou-me a atenção, nos comentários, para o endereço que foi impresso no outdoor. Falta-lhe o .com. Em cima de tudo o resto, gastaram um dinheirão a comunicar um endereço que não existe :) É a cereja no topo do bolo."
Mais, qual foi o argumento para vender isto ao cliente? Qual é a estratégia por trás da campanha?
Eu aposto que os argumentos foram: O Facebook está na moda, vejam as estatísticas (americanas, claro), há milhões de utilizadores, dá ideia de modernidade e é giro.
E deve ter ficado por aí.
Há uns anos, trabalhava eu numa agência de publicidade, tentei chamar a atenção para a Internet, dizendo que devíamos investir recursos na aprendizagem deste novo meio. Bem sei que foi há muitos anos (15, mais coisa menos coisa), mas é assustador ver que, depois destes anos todos, está tudo mais ou menos na mesma.
Não há pessoas competentes e com know-how nos sítios onde deveriam estar. As agências (e os Clientes, já agora) não sabem criar nem produzir para o online. Continuam a criar como se estivessem num meio tradicional. Anúncios de jornal ou spots de televisão. Muito flash (é assustador ver a quantidade de sites institucionais feitos exclusivamente em flash, lá está, porque é giro, mas que não são depois apanhados pelos motores de pesquisa - que não consegue penetrar no flash - e que consome imensos recursos e largura de banda, e que não é lido por muitos browsers, já para não falar daqueles que, como eu, têm inibidores de flash, e só vêem os conteúdos em flash se lá clicarem. Enfim, ignorância e incompetência, mas cobrada a bom preço.
Depois também temos, para ajudar à festa, os auto-intitulados, gurus. Os que se apresentam como especialistas, sendo que de especialistas têm muito pouco, são habitualmente curiosos da coisa, com a tradicional chico esperteza tuga.
E, para último ingrediente deste cocktail, temos os vendedores de publicidade online que são, isso mesmo, vendedores de espaço. Tanto podiam estar a trabalhar no online como no papel, são vendedores de espaço, sem a mínima noção de que o meio que estão a vender tem idiossincrasias próprias que podem ser exploradas e que, bem geridas, são uma mina. Dá mais trabalho do que vender espaço? Certamente, muito mais, que isto de vender num meio interactivo não termina quando a coisa está impressa, pelo contrário, começa aí.
Tudo isto junto dá a actual situação do mercado publicitário online em Portugal. Na maioria dos países, enquanto os números da publicidade nos meios tradicionais desce vertiginosamente, os números da publicidade online crescem. Em Portugal, tanto quanto sei, os números da publicidade online acompanham os restantes meios na descida.
Há 2 anos, quando se começou a falar na crise, eu disse que a crise ia ser uma oportunidade para o online. Não estava errada, mas aparentemente deveria ter nascido noutro país.
Continuamos a fazer coisas giras, fashion, e pouco eficazes.
O que me leva ao ponto inicial, o dos sobrinhos. O meu sobrinho mais velho (7 anos) saberia programar campanhas com mais interesse do que muitos profissionais e gurus que por aí andam.
O que só confirma a minha afirmação inicial, os meus sobrinhos são dos bons. Aliás, são os melhores sobrinhos do mundo.
O título do post pode ser enganador.
Isto por causa da cena hoje, na Assembleia da República, em que alguns deputados se chatearam com os fotógrafos que invadem a sua privacidade (conseguindo fotografar o ecrã do computador que ali têm disponível) e o presidente da Assembleia da República a explicar-lhes que a AR é um espaço público e que os computadores não são privados. A notícia, aqui.
Cá para mim o Jaime Gama é um infoexcluído. A questão não é o instrumento, é o que se faz com ele (sim, também se aplica aqui, esta máxima). Se o deputado estiver a consultar a sua conta bancária, são dados privados. Se estiver a ver o mail, são dados privados, se estiver a inserir passwords, são dados privados. O computador pode ser um bem público, mas o que se faz com ele pode (e muitas vezes deve) ser privado.
E não me venham com a treta do "se está no hemiciclo só pode fazer coisas relacionadas com o que está a ser debatido, quer consultar a conta bancária, que consulte a partir de casa", vivemos nuns tempos em que cada vez mais o horário de expediente deixa de existir, e o social, o profissional, o familiar se entrecruzam. Já não há horas marcadas para as coisas, os telemóveis e a internet trouxeram-nos, também, isso.
Aquela coisa de ter um emprego toda a vida, entrar à mesma hora, ir almoçar a casa, regressar e sair a horas certas, já não existe. Com o telemóvel e a internet (e agora, com ambos) estamos disponíveis sempre que tenhamos o telemóvel ligado. Ou achariam bem que um jornalista ligasse a um deputado para lhe fazer uma pergunta e deputado respondesse, lamento imenso mas são 18h05 e já não estou a ser deputado a esta hora. Cairia o Carmo e a Trindade. E com razão.
Decidam-se. Não podem ter sol na eira e chuva no nabal.
Adoro o Jon Stewart. Porque me faz rir, e acerta sempre na mouche e é inteligente. Este vídeo, sobre um serviço online chamado Chatroulette é de antologia, especialmente porque onde se lê/ouve "chatroulette" podia ler-se/ouvir-se qualquer outro serviço, Twitter, Facebook, chats, blogs, messenger, etc. Extraordinário e absolutamente realista.
| The Daily Show With Jon Stewart | Mon - Thurs 11p / 10c | |||
| Tech-Talch - Chatroulette | ||||
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Via ele.
Não nos conhecemos, mas decidi ler a entrevista que deu à última Visão, provavelmente porque o enfoque era dado, nos títulos e imagens que acompanhavam a entrevista, em temas que me interessam, Facebook, redes sociais enquanto ferramentas de trabalho, etc.
Devo desde já esclarecer que não sou uma crente em tudo o que leio e sei, por experiência própria, o quão deturpadas podem ser afirmações que fazemos, quando as lemos mais tarde impressas em qualquer jornal ou revista.
Não dou, por isso, demasiada importância ao que leio, principalmente se for escrito na comunicação social tradicional. Assumo-me como descrente, além de que a minha opinião vale o que vale, que é pouco ou quase nada. A minha opinião tem apenas a enorme vantagem de ser a minha, o que apenas me beneficia a mim.
Li no entanto algo que, não sendo novidade quando dita pelos novos adeptos das novas tecnologias, suscita habitualmente em mim um levantar de sobrancelha, a saber:
"Para ele, o envolvimento de um político nas redes sociais permite, em muitos casos, antecipar situações, perceber quais as opiniões dominantes. "Às vezes até dá para saber quais vão ser os assuntos em destaque no dia a seguir", diz".
É verdade, mas apenas parcial, e pode ser uma falácia.
Senão vejamos, não é a maioria dos portugueses que tem acesso à Internet, portanto, a opinião dominante não pode ser recolhida, a não ser por extrapolação que, como se sabe, tem muitos perigos, é uma espécie de generalização teoricamente científica e, como se costuma dizer, as generalizações são perigosas.
Notemos ainda que, os que têm acesso à Inernet são pessoas com um maior poder de compra (embora esta tendência esteja a ser absorvida pela massificação) e que pertencem a uma classe social que não é, infelizmente, a da maioria dos portugueses. Novamente, opiniões dominantes por extrapolação.
Não esquecer que, para além de tudo, dos que estão online, será uma imensa minoria, aquela que emite opinião relevante ou que ultrapasse o domínio exclusivamente pessoal. A sério. A grande maioria dos Blogs, não são dos políticos, ou de intervenção social, ou de opinião. Se quiser aprofundar esta minha última afirmação, é ver uma coisa que escrevi há uns tempos.
Portanto, quem anda online não é a maioria, é uma minoria privilegiada, a maior parte não produz conteúdo e, não esquecer que no meio de tão pouca gente, meia dúzia de intervenientes podem fazer a diferença. É por causa disto que parte da sua afirmação é verdadeira, dá de facto para saber "quais vão ser os assuntos em destaque no dia a seguir" mas apenas porque as redes sociais e blogosféricas são muitíssimo frequentadas por jornalistas (e ainda bem, se quer mais uma opinião minha).
E, por último, além de tudo o que já referi antes, convenhamos que, para seguir um político no Facebook é preciso que esteja interessado no que essa pessoa possa ter para dizer e, como sabemos, a grande maioria dos portugueses não se interessa pelo que os políticos têm para dizer (não vale contar com o número de participantes nos Fórum da TSF que são especialistas em fazer um enorme número de vozes diferentes. Parecem muitos, mas são poucochinhos).
Isto já está muito comprido, mas está quase a terminar e assim como assim ninguém leu até aqui.
Eu percebo o sentimento de deslumbre com a aparente proximidade que as "novas" tecnologias proporcionam, a sério que percebo, melhor do que gostaria. É extraordinário o potencial enquanto ferramenta de comunicação. Mas há que atingir um ponto de equilíbrio e, sobretudo, não nos deixarmos cair no logro de que estamos todos ligados, e que as pessoas que nos seguem e que nós seguimos representam um todo.
É um abismo onde se cai, e de onde se pode demorar algum tempo a sair.
Para um conhecimento mais profundo do que, de facto, pensa a maioria, é comprar os jornais desportivos, lê-los num café, de preferência um estabelecimento que tenha uma televisão sintonizada num noticiário da TVI ou nas tarde da Júlia, e estar de ouvido atento aos comentários e às notícias que prendem a atenção das pessoas. Aí sim, vai sentir o pulsar da nação.
Aqui há uns tempos falei dos espanhóis, e do movimento que se criou contra uma lei que o governo espanhol pretendia aprovar.
Acho que é uma questão de tempo até nos debatermos, por cá, com este tipo de problema. Aliás, já começaram a ser dados os primeiros sinais, com a porcaria da lei dos links (mais sobre este tema um dia destes).
Na altura regozijei-me (ena) com o facto dum movimento de cidadãos ter conseguido parar uma tentativa de legislar que era (e é) idiota, e que ia (vai) contra os direitos básicos de muitos para defender os interesses de poucos (mas grandes).
Parece que me precipitei. O governo espanhol pareceu ter na altura travado a coisa, mas, qual operação de maquilhagem, regressa com uma "nova" proposta que não muda absolutamente nada, e, ao que parece, prepara-se para aprová-la.
Mais informação na notícia do El País e no site do Enrique Dans.
É algo que já sinto (e digo) há muito tempo, mas que o James Tuner define e explica bem melhor que eu.
Num artigo em que elege, tecnologicamente falando, o melhor e o pior da década que acaba daqui a uns dias, ele termina desta forma:
"
The Workplace Becomes Ubiquitous: What's the first thing you do when you get home at night? Check your work email? Or maybe you got a call before you even got home. The dark side of all that bandwidth and mobile technology we enjoy today is that you can never truly escape being available, at least until the last bar drops off your phone (or you shut the darn thing off!)
The line between the workplace and the rest of your life is rapidly disappearing. When you add in overseas outsourcing, you may find yourself responding to an email at 11 at night from your team in Bangalore. Work and leisure is blurring together into a gray mélange of existence. "Do you live to work, or work to live," is becoming a meaningless question, because there's no difference.".
E isto é tão verdade. Mais verdade ainda quando fazemos aquilo de que gostamos. E se por um lado é uma conquista, esta ubiquidade, por outro lado é um enorme peso.
Esta passarola é da autoria de Eneko, e foi feita no âmbito da campanha que alguns lustres espanhóis levaram a cabo no sentido de combater um projecto-lei idiota que tentaram aprovar do lado de lá da fronteira, e que acabará por cá chegar, mais tarde ou mais cedo. Fica aqui neste post para enquadramento, e hei-de pô-la algures no template.
Chamem-lhe protesto precoce. Ando cá há demasiados anos para achar que não nos tocará, mais tarde ou mais cedo. Vou já protestando.
Quando cá chegar (e vai chegar, não se iludam), espero que tenhamos os mesmo tomates que tiveram os Espanhóis.
Podem começar já a traduzir a petição, e a adaptá-la à lei portuguesa. É uma questão de tempo. Os primeiros passos já foram dados, e se nos distraímos, fazem a coisa pela calada.
Porque, como diz a Rititi, "hay que tenerlos", de preferência no sítio.
Eu sempre achei que, salvo raras excepções, a lei geral servia perfeitamente para regular o online. Continuo a achar a mesma coisa.
Principalmente se o legislador não pesca um boi do online, e se está mais interessado em curvar-se perante os interesses instalados (ia chamar-lhes indústrias instaladas, mas não só estão a deixar de ser indústrias, como estão a deixar de estar confortavelmente instaladas).
Seja como for, e a quem possa interessar, o " Decreto-Lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro, No uso da autorização legislativa concedida pela Lei n.º 7/2003, de 9 de Maio, transpõe para a ordem jurídica nacional a Directiva n.º 2000/31/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 8 de Junho de 2000, relativa a certos aspectos legais dos serviços da sociedade de informação, em especial do comércio electrónico, no mercado interno (JusNet 4/2004)" está aqui para download.
Eu confesso que ando há algum tempo a tentar ler e perceber como é que funciona, e sempre que tento ver como é que aquilo se coloca em prática, perco-me. Eu não sou jurista, não domino aquela linguagem, pelo que a única forma que tenho de perceber estes Decreto-Lei é perceber como é que funcionaria irl, do ponto de vista mecânico. Normalmente consigo perceber. Neste caso não. Já criei institutos, e processos, e fluxos.....e as coisas empancam sempre, ou em pescadinhas de rabo na boca ou em megalomanias típicas de quem não percebe nada do funcionamento da Internet.
Faz-me lembrar ele, há quase 12 anos: Com certeza Sr. Ministro, verificaremos os ficheiros, um a um, na sua totalidade.
Nos Estados Unidos os jornais em papel fecham a uma velocidade estonteante, muitos deles concentrando a sua publicação na web. Pela Europa e especialmente em Portugal (não sei se é especialmente, mas é o mercado ao qual estou mais atenta), assustam-se as hostes.
Os velhos do Restelo tentam encontrar nas práticas tradicionais a resposta para este "problema" que de tradicional tem muito pouco.
Desde perseguir os maus (o Google, os Blogs, os ISPs, o utilizador), ou sugerir taxar determinadas actividades, ou pedirem para se fechar a Internet ou, pelo menos, restringir o acesso à mesma por parte de terceiros que não os iluminados (que isto da Wikipédia dá um jeitaço quando é preciso informação), ele há para todos os gostos.
Levantam-se os gritos de que o média tradicionais não estão preparados para este "novo" desafio.
Curiosamente, discordo. Há um longo caminho pela frente, claro, mas não acho que, ao nível operacional, os média estejam mal preparados. Têm até, na generalidade, competências críveis nesta área. Os jornalistas não estão desactualizados. Bom, pelo menos a grande maioria, e como são pessoas curiosas (em princípio e se forem bons), rapidamente aprenderam a usar esta ferramenta que é a Internet.
O problema não são os operacionais. O problema são os senhores lá de cima. Os que mandam. Os que têm o poder para tomar as decisões, os que vendem a coisa.
É preciso compreender o meio para o saber vender. Achar que um comercial do papel ou do éter tem competências para saber vender o online é viajar na empadinha. Hão-de existir alguns, mas são raros os que olham para este meio e pensam a sério sobre a forma de o rentabilizar sem usar os métodos tradicionais. Por isso é que o banner continua a ser o formato mais usado. Um banner é igual a um anúncio impresso. Coitados, é o que sabem fazer. Não conseguem ir mais longe.
Esta crise que vivemos podia (devia) ter sido encarada como uma oportunidade, para o Online. É um meio mais barato, com capacidade de medir resultados muito acima dos outros meios (meçam lá a eficácia de um mupi, para eu me rir um bocadinho) e, apesar de ainda não estar bem segmentado, está mais bem segmentado do que todos os outros. Mesmo assim, continua em queda, a venda de publicidade online, a acompanhar as restantes quedas (salvo raras e honrosas excepções).
Os senhores lá de cima não percebem. Insistem em manter a informação restrita, em vez de a partilharem. Ainda não perceberam que informação restrita não interessa, não existe. Conheço uma editora que não quer partilhar a base de dados dos seus livros, porque "é conteúdo com muito valor". Não, não é. A não ser que seja partilhado. Não vos serve de nada, escondidinha e protegida na vossa gaveta. Coitadinhos, não percebem.
Nesta época a velocidade com que se fazem as coisas é absolutamente capital (veja-se a cena da morte do Michael Jackson), o mail, que há 2 ou 3 anos era a ferramenta de trabalho mais rápida do mundo, é hoje uma tartaruga, quase ao nível do snail mail. Há até quem proponha que os "news alerts" sejam renomeados para "news reminders", tal é a lentidão com que os média tradicionais acompanham as notícias de última hora.
Se persistirem neste caminho, haverá jornais a fechar. Mas não porque lhes falte a competência técnica.
Faltam é pernas aos senhores lá de cima.
É um título difícil de explicar, o deste post, mas vou tentar.
De há uns tempos para cá, sempre que há eleições, agitam-se os meios políticos no afã de estarem em todos os meios considerando, e bem, que a Internet é um desses meios. Parece que o que alguns andam a dizer há uns valentes anos, apenas agora faz sentido, depois do caso Obama, nos Estados Unidos. O Obama tem Facebook? Vamos todos ter Facebook. O Obama twitta? Vamos todos twitar. O Obama faz vídeos? Vamos todos fazer vídeos. Parece que funciona. Findo o período eleitoral e eleitoralista, esmorece-lhes a vontade e é ver projectos abandonados, a criar pó e mofo, à espera que o próximo período eleitoral lhes areje os cantos e os links, qual Querido mudei a casa.
Esquecem-se de uns poucos detalhes. O primeiro, e mais importante, e que é recorrente nestas lides das internetes tem a ver com as diferentes realidades, portuguesa e americana. Para já, eles são mais mas, mais importante, a sua maturidade enquanto utilizadores da Internet é muito maior. Usam mais, há mais anos. Para eles a Internet é uma commodity. Uma necessidade básica. Da mesma forma que para nós uma casa tem de ter água, electricidade e televisão, para eles tem de ter tudo isso E internet. É uma ferramenta que está mais presente no seu dia-a-dia. Usam-na com mais naturalidade. Cá, não. E isso faz toda a diferença. Disso deriva o facto dos políticos americanos usarem a Internet há mais tempo, e não só em tempo de eleições.
Para se usar a Internet como ferramenta de comunicação pessoal, online, é preciso que se tenha uma presença online. E uma presença online não se cria, constroi-se. E dá trabalho. E não é trabalho que possa ser delegado. Tem mesmo de ser a pessoa que assina os conteúdos a escrevê-los. E tem mesmo de ser o autor a responder aos comentários. Mais do que dar trabalho, dá uma trabalheira do caraças, muitos dias, todos os dias. É preciso ser-se consistente. E é preciso saber usar. Aprender a usar.
Nisso da aprendizagem os americanos também são diferentes. Porque lá, este tipo de ferramentas são mais importantes, têm pessoas a pensar a sério sobre o tema, estrategicamente, e a saber do que falam.
Em Portugal, uma campanha de televisão já não é deixada nas mãos de pessoas que fazem uns vídeos caseiros e que dizem que percebem umas coisas acerca do assunto. Mas no que diz respeito às questões relacionadas com Internet em geral e com redes sociais em particular o panorama é duma pobreza franciscana, há uns assessores para este tema que parece que percebem, porque usam o Twitter (e vai-se a ver e percebem pouco, porque as suas competências são outras). Lá, há profissionais desta área, cá, há curiosos com mais ou menos jeito.
Verdade seja dita que, se um político português quiser contratar um profissional que o aconselhe nesta área, também está lixado. Há dois ou três, e os outros (que os há) são amadores que vingam porque em terra de cegos quem tem um olho é rei, e porque se auto proclamam evangelizadores disto e daquilo, e pioneiros e entrepreneurs (que é sempre mais fashion do que usar o português).
Políticos a iniciarem agora a sua presença online devem fazê-lo se:
Porque feitas as coisas assim, de um dia para o outro, sem estratégia a médio/longo prazo, não só não funciona como é contraproducente.
E para não dizerem que eu sou mazinha, fiquem com um conselho de borla:
Pelo amor de Deus, parem de falar em web 2.0. Não só porque não sabem o que é, mas sobretudo porque é um conceito antigo, já passou. Move on.
Há um artigo, que vale a pena ler, aqui, e ao qual cheguei por via do Steed, que fala sobre as diferentes classes em que se separam as pessoas que andam online.
Aquilo não foi escrito a pensar no mercado português, e Portugal, com tudo o que isso tem de bom e com tudo o que isso tem de mau, é um microcosmos com algumas idiossincrasias. Somos poucos, somos menos ainda os que têm acesso à internet. Às vezes, meia dúzia de pessoas chegam para representar uma classe que em países mais populosos é constituída por milhares de pessoas.
Mas há verdades que, apesar de tudo, são universais (salvo raras e honrosas excepções):
"Then there's Twitter. Recent publicity means its demographic is changing, but it's still largely populated by people who "work in the media, yeah?", shameless self-promoters and social media consultants. These consultants all have 55million followers, all of whom are also social media consultants and can't get through a sentence without monetising it."
Bingo!
Foi com alguma surpresa (pela positiva) que li as breves palavras que dispensou ao DN, no âmbito do chumbo do pacote das telecomunicações, no Parlamento Europeu e que tomo a liberdade de transcrever (e que não link porque o DN não achou o artigo suficientemente interessante para o online).
"Parece-me uma questão de bom senso que seja uma autoridade judicial a tomar a decisão de cortar o acesso à Internet a alguém. Esta é uma questão em que não vai ser fácil encontrar um consenso, vai haver muita discussão, muitos avanços e recuos. A Internet é realmente um admirável mundo novo e um instrumento precioso. Mas a verdade é que ao abrigo da das supostas liberdades individuais, continuam a cometer-se ilegalidades. E vai haver um dia em que essa autoridade judicial vai decidir a linha que separa o que é legal e o que é crime. Essa linha terá de ser traçada mais cedo ou mais tarde."
Concordamos na primeira frase e depois, nem por isso. E eu explico. É que já há autoridades judiciais com a competência de decidir qual é a pena que deve ser atribuída, para um determinado crime. Essa linha que separa o que é legal do que é ilegal, já existe. A diferença que nos separa, não é tanto a existência ou não dessa linha separadora. O que nos separa é a localização dessa linha. E acho que sempre nos separará.
Mas não faz mal, o outro dizia "we will always have Paris", eu prefiro outra citação, "this could be the beginning of a beautiful friendship".
E viva o Glorioso.
Parece que houve drama, suspense, manobras de diversão e intrigas umas mais palacianas que outras.
De acordo com o Tek, a proposta não passou.
A verdade é que eu não consegui perceber muito bem o que é que aconteceu à tal da proposta que ia hoje a votos no parlamento europeu, pelo menos a partir do texto do Miguel Portas. Aquilo é de tal forma confuso que eu acho que é propositadamente burocrático e complicado para que os cidadãos comuns não percebam.
Seja como for, parece que, pelo menos por uns tempos, a coisa está travada.
Seja como for, é preciso que nos mantenhamos atentos, que estes gajos, se nos apanham distraídos, borram a pintura.
Já falei disso aqui, na semana passada. Discute-se hoje e vota-se amanhã, na comissão europeia, aquilo que se optou por chamar o pacote das telecomunicações que propõe, entre outras coisas, que as empresas de telecomunicações possam actuar como polícias da Internet. Se este pacote for aprovado, qualquer ISP (Internet Service Provider - Fornecedor do Serviço de Internet) pode vasculhar nos conteúdos que produzimos, consultamos, e decidir o que é que temos o direito a ver ou não.
A ser aprovado, será o fim da Internet como a conhecemos. Será a Internet dos feudos, e dos privilegiados, onde uns poucos mandam e muitos obedecem porque não têm alternativa.
Será o fim da Internet livre, como a conhecemos. Se, pelo absurdo que esta proposta representa, nos fiarmos na virgem, podemos acordar na quinta-feira com o nosso mundo virado ao contrário. Eu também acho que a proposta é tão imbecil, que não há forma de qualquer pessoa minimamente inteligente aprovar esta coisa. No entanto, a experiência ensinou-me que há muitos imbecis em muitos lados, especialmente nos sítios onde deveriam ser proibidos.
Estando tão próximas as eleições para a comissão europeia, sugiro que vejam como votaram os deputados dos vários partidos, e não se esqueçam desse voto, quando chegar a vossa vez de votar.
Mais informações sobre este pacote das telecomunicações, aqui.
Aqui têm uma ideia sobre as votações de deputados portugueses na proposta inicial (a coisa é negra)j.
E aqui, algumas sugestões para fazer chegar aos representantes a sua opinião.