Os novos abutres somos nós.
Somos todos os que se colam à televisão para ver um tsunami em directo, enquanto têm no colo o computador para ver as imagens do Chile, e pelo caminho vai-se dando uma espreitadela pela timeline do Twitter para ver como se está a aguentar a Madeira, mas mantemos as os estores recolhidos, para ver se o vendaval afinal chega ou não chega.
Mas, acima de tudo, os novos abutres, os mais modernos, os especialistas, são os jornalistas que não conseguem esconder uma nota de desilusão na voz, porque, afinal, o Tsunami pariu um rato.
A CNN começou com o Chile, mas aos primeiros avisos de tornado virou as baterias para a linha do horizonte no Hawai, e durante horas, o que se viu foi isso mesmo, a linha do horizonte, enquanto havia relatos, ao centímetro, das águas que recolhiam. Quando se aperceberam que afinal não iam conseguir transmitir em directo o desastre, a destruição, a miséria que esperavam (e que tinham empolado ao máximo), mudaram o discurso para um "felizmente" e regressaram ao Chile.
E nós, a papar aquilo tudo.
Às vezes, gostava de ser ignorante, e de viver numa terrinha perdida, sem computadores, sem televisão, sem rádio, sem porra nenhuma a não ser os meus.
Era, de certeza absoluta, mais feliz.
É para vós em especial, esta missiva.
Eu sei que sobre os vossos ombros de estagiários recai, muitas vezes, a responsabilidade de jornalistas seniores. Bem sei que, com frequência, não têm o apoio e supervisão que caracterizava há uns anos a posição de estagiário. Estou ciente de que são lançados aos lobos, verdinhos, verdinhos, verdinhos. E vejo que, muitas vezes, ninguém vos corrige ou orienta.
Por outro lado, vocês, nova geração, não têm consciência do pré-internet. Quando vocês nasceram a Internet já existia. A Internet funciona para vós, como funciona para mim a electricidade. Faz parte, é um dado adquirido. Mas, como a Internet é muito nova, os vossos professores ou não falaram dela, ou falaram mal.
Portanto...... vocês recebem pouca ou nenhuma formação nesta área, e depois entram no mercado de trabalho como estagiários. É um mercado cada vez mais difícil, há muita oferta de jornalistas e cada vez menos procura e locais de trabalho. E era, antigamente, uma profissão de idealismos e hoje é-o cada vez menos.
As coisas hoje querem-se rápidas. E é um compromisso difícil, o vosso. Sou o primeiro a anunciar isto ou confirmo com uma fonte credível? Difícil, difícil, difícil, principalmente se querem mostrar trabalho ou aproveitar a oportunidade para se mostrarem ao chefe (lembra-me o burro do shrek, mas pronto, faz parte).
E isto tudo só para uma informação que vos será de grande utilidade:
O jornal The Onion é um jornal online, sim, mas é de notícias falsas. E o Daily Show do Jon Stewart é um jornal, sim, mas de notícias falsas (aliás, ambos fazem questão de dizer isso mesmo).
Pronto. Esta foi a minha contribuição.
Boa tarde, e boa sorte.
P.S.: Quero agradecer ao Briefing, o novo agregador do marketing (palavras deles) a inspiração para este post.
Irrita-me a ignorância, bom irrita-me muita coisa, mas ignorância é uma delas. Não é a ignorância de quem ainda não aprendeu, é a ignorância de quem tem funções de responsabliidade e deveria já ter aprendido.
Caros senhores jornalistas, os Jogos Olímpicos não foram em Beijing, foram em Pequim, que é como em português se diz Beijing.
E já agora, os atentados da Índia, foram (estão a ser) em Bombaim, e não em Mumbai.
New York é Nova Iorque, e Mozambique é Moçambique. Brasil escreve-se com s e não com z.
Aprendam a falar português (e a escrever, já agora), antes de pegarem no microfone ou no teclado, e começarem, com o ar de entidade superior, a (des)informar a malta.
Ao menos finjam que não vão copiar as vossas peças à CNN, e ao New York Times.
Caburros.