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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Mais vale começar já a olhar para o que se passa do lado de lá, e anteciparmos formas de protesto e de luta, do lado de cá.

 

 

Para quem quiser saber mais (neste caso, com facilidade, espreitar o futuro que está mesmo ali, para nós portugueses, ao virar da esquina), é visitar o Blog do Enrique Dans.

 

Fuerza, Enrique!

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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Por causa da notícia que refere o número de pedidos que cada país faz ao Google, inflamou-se certa Blogosfera, já a engatar a primeira no discurso da liberdade de expressão, e da intervenção disto e daquilo na liberdade das pessoas.

 

Tenham calma senhores, o Google foi relativamente vago, não especificou quem pediu e o que pediu, e os pedidos, sei-o por experiência própria, são como os chapéus, há muitos.

 

Todos os dias me chegam pedidos de identificação de autores disto e daquilo, e todos os dias me chegam pedidos de remoção de conteúdos. Chegam-me do país e do estrangeiro. Legítimos, portanto, provenientes de entidades com competência para fazerem esses pedidos (os tribunais, em alguns casos o ministério público e a polícia judiciária), uma larga minoria.

 

E acho muito bem que esses pedidos, os legítimos,  sejam feitos, seja a quem for, porque não existe liberdade sem responsabilidade. E se alguém pensa que num determinado post existe um crime (seja ele qual for), deve usar os meios legais ao seu dispor para se queixar. E os meios legais existem, para os conteúdos publicados online, como para qualquer outra plataforma de comunicação que não seja online. A lei aplica-se a todos, e o anonimato de que alguns julgam gozar por aqui, não é tão fácil como isso. Aliás, só pessoas com competências técnicas muito acima da média é que conseguem, de facto, ser anónimas.

 

A mim não me preocupam os pedidos feitos por tribunais (ou por outras entidades competentes), é sinal de que as coisas estão a funcionar como deve ser. A mim preocupam-me sobretudo os pedidos ilegítimos, os pedidos de pessoas que querem saber quem fez o post A, B ou C, para lhe irem pregar um enxerto de porrada, ou o político que não gostou de ler aquilo que o autor do Blog escreveu e quer que seja removido, assim, sem passar por um tribunal. Preocupam-me as pessoas que, apesar de vivermos há tantos anos em liberdade, ainda não sabem o que é a liberdade de expressão.

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Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Leio no Público que houve uns gajos da UGT que vandalizaram uns cartazes da CDU.

 

Vai daí, o que é que fazem os gajos da CDU? Apresentem queixa às autoridades.

 

Há 35 anos nada disto teria acontecido.

 

Há 35 anos, os gajos da CDU não teriam abandonado os cartazes, havia turnos para guardar cartazes, e era frequente a guarda de cartazes resultar em cenas de pancadaria.

 

Entre os movimentos políticos que surgiam na altura como cogumelos havia rivalidades profundas, por isso, quando se colavam cartazes, era preciso ficar a guardá-los, para que nenhuma das cinquenta mil facções opostas os removesse. Fazia parte das noites de qualquer cidadão mais interventivo.

 

Se a minha memória não me engana, o meu pai passou algumas noites a guardar cartazes, e algumas vezes chegou a casa com relatos de pancadaria. Os gajos vieram, nós estávamos emboscados e caímos-lhes em cima.

 

Hoje em dia já não...... apresenta-se queixa às autoridades.

 

Amolecemos, é o que é. Já nã se fazem PRECs como antigamente.

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Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Já disse aqui várias vezes que não leio jornais, nem sou consumidora de notícias nos órgãos de comunicação social tradicionais. Talvez seja por isso que me tenha escapado algum barulho que certamente estes órgão de comunicação social mais tradicionais têm, obviamente, feito acerca deste tema. Deve ter havido imensos artigos de opinião, que pessoas conscientes e ciosas das liberdades de expressão (próprias e alheias) têm feito veicular acerca deste assunto.

 

Falha minha, certamente.

 

Chamo a vossa atenção para a votação que irá decorrer no Parlamento Europeu, no próximo dia 5 de Maio.

 

Pelos títulos das propostas, parece estar tudo bem, e parece que os direitos dos consumidores (nós) até estão a ser defendidos.

 

No entanto, sempre que vejo regulação, regulamentação e internet, na mesma frase, eu vou atrás. Não sei porquê, mas desconfio sempre. Deve ser da idade. Mais para mais, os senhores parece que estão com pressa em aprovar isto antes das eleições. E reguladores, regulamentos, Internet e pressa deixam-me ainda mais pulgas atrás da orelha.

 

Então parece que se estas novas propostas forem aprovadas, a Internet, como a conhecemos, pode estar a acabar. Sim, isto pode ser o princípio do fim. Se estas propostas forem aprovadas,  os ISP (Internet Service Providers - Fornecedores do Serviço de Internet) passarão a estar legalmente habilitados a limitar o número de sites a que podemos aceder, e a dizer-nos se estamos ou não autorizados a utilizar determinados serviços. Eles decidem por nós. Estará disfarçado de "Opções dos consumidores", parecendo, portanto, uma benesse, mas na realidade, isto permitirá aos fornecedores de acesso a venderem pacotes de internet como vendem os pacotes de televisão, com um número limitado de opções às quais poderemos aceder.

 

 

Eles escolhem os conteúdos e os serviços a que podemos aceder.

 

 

Os grandes não terão grandes problemas, mas os pequeninos, os Blogs, as pequenas empresas, os que estão fora do lobby, esses, não sobreviverão. E isto será apenas o princípio.

 

Deixaremos de ter uma Internet Livre, será a Internet pré-escolhida por terceiros. Com a liberdade que esses todos poderosos decidirem dar-nos. Uma liberdade assim-assim.

 

Portanto, se por acaso passar aqui algum candidato ao parlamento europeu, esta era uma pergunta para a qual eu gostaria de resposta. Como é que votaria estas propostas? O meu voto depende disso.

 

Quanto aos demais leitores, podem passar por sítios onde isto está mais bem explicado e documentado. Aqui por exemplo.

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Se vocês soubessem a quantidade de gente com tempo a mais e ocupação a menos que se "ocupa" a observar a vida dos outros, e a tentar castrar (não me ocorre outra palavra) toda e qualquer opinião que saia, mesmo que ligeiramente, do politicamente correcto, admirar-se-iam.

 

E os que no meio do discurso escrevem "liberdade de expressão" em maiúsculas, são aqueles que mais frequentemente tentam atropelar essa mesma liberdade de expressão. Democracia madura? Nós? Nem pensar. Temos tanto, mas tanto ainda que aprender.

 

A minha caixa de correio é um bom barómetro. Em vez de cada vez haver menos, cada vez há mais.

 

Caraças.

 

Cada vez detesto mais o politicamente correcto. Nunca gostei muito, mas a aversão cresce a par e passo das mensagens que me chegam à caixa de correio.

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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
(Eu sou assim, separo as Blogosferas, e este post é uma carta aberta à Blogosfera mais intelectual).

Cara Blogosfera intelectual,

Uma das Blogosferas que eu sigo, é a Blogosfera Geek. Sabem, aqueles blogs que falam de bits e de bytes, e de gadgets, e de coisas complicadas como sistemas operativos, aplicações de demais complicações.

Aqui há uns tempos atrás, alguém descobriu um código de desencriptação de DVDs (ou, para simplificar, alguém descobriu o código que permite copiar DVDs mais facilmente), e publicou-o online, num site chamado Digg (isto não foi bem assim, mas é para vocês não desistirem).
De imediato entraram em cena os senhores do lápis azul, que tentaram "apagar" qualquer referência a esse código. A Geekosfera, que tal como vós, é muito ciosa da liberdade de expressão, não foi de modas. Em todos os Blogs e mais alguns foi publicado o tal código, que por sinal é este: 09F911029D74E35BD84156C5635688C0
Obviamente, prevaleceu a Liberdade de Expressão, ninguém conseguiu apagar porra nenhuma e pronto.

E eis que chego à parte sumarenta desta minha missiva, a parte em que vos lanço um repto, um desafio, uma proposta (desonesta), no fundo no fundo, uma pergunta:

O que é que acontecia se todos os Blogs começassem a chamar palhaço a uma certa figura da política nacional? Eram todos processados?

Não sei, tenho dúvidas.

Alguém me esclarece?

Sinceramente a aguardar que alguém pegue na dica,

Uma vossa leitora identificada.
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Domingo, 7 de Outubro de 2007
Este disclaimer começa a tornar-se um hábito no início dos posts, mas é importante fazê-lo. Este é o meu Blog pessoal, aqui são expressas única e exclusivamente as minhas opiniões pessoas que não reflectem necessariamente (e provavelmente não reflectem de todo) as opiniões dos que me rodeiam, da empresa onde trabalho, etc.


Diz-nos o Priberam que higienizar é:
 
tornar higiénico;
aplicar a higiene a;
sanear.
E vem isto a propósito de quê?

A propósito de uma discussão que é recorrente. Acompanha-me desde que ando nestas coisas da Internet, há mais de 15 anos.

Sempre que um serviço começa a ter alguma popularidade junto dos utilizadores, e passe a alojar conteúdos de muita diversidade, levantam-se de imediato as vozes da higienização. É preciso manter o serviço completamente higiénico. Em nome da moral e dos bons costumes, é preciso assegurar que as maminhas e os rabos (e mais que haja) sejam excluídos, saneados, filtrados e censurados.

No Terràvista, o ministro mandou tirar a ficha da tomada (sic) porque o serviço não era suficientemente higiénico de acordo com os seus padrões (na realidade não era suficientemente higiénico para os padrões (?) do Tal & Qual, mas ia dar ao mesmo).

Tenho uma vaga ideia de, no tempo da outra senhora, haver uma comissão de higienização. Só passava o que era higiénico. Se formos mais longe ainda, à época da 2ª guerra mundial, também havia quem quisesse higienizar, mas levavam ainda mais longe o conceito.

E isso leva-nos a uma questão importante. Quem é que define o que é higiénico e não é? Eu já tive essa missão, em vários serviços online e, garanto, não é fácil. O que é higiénico para mim não é higiénico para a pessoa do lado.

Na minha opinião, cada um deve escolher o que quer ver. Não deve haver comissões de filtragem ou de lápis azuis a escolher o que é que os outros podem ver. Não se deve ir pela negativa, pela exclusão. Destaquem-se os conteúdos que têm qualidade, mas permitam-se todos os conteúdos (legais).  Dêem às pessoas o direito de escolherem o que querem e o que não querem ver.

Em última análise, se há menores envolvidos, devem ser os pais, os professores e os encarregados de educação a fazer esse filtro. O meu filho pode ver maminhas, não sei se o filho da vizinha poderá ver maminhas. A responsabilidade da educação dos menores pertence, em primeiro lugar, à sua família. Eu não delego as minhas responsabilidades em terceiros.

Faço parte da equipa que gere os Blogs do SAPO. Desde que lançámos esta nova plataforma, apagámos (apaguei) um blog. Era um Blog com conteúdos ilegais, que ofendiam a constituição portuguesa. Mas mesmo nesse caso, que era gritante, tive dúvidas. Acabei por apagá-lo, mas ainda hoje tenho dúvidas. Se fosse hoje voltava a fazê-lo, voltava a apagar o Blog? Não sei. Na altura (e ainda hoje) várias vozes se levantaram. Uns apoiaram, outros condenaram.

Acredito que não me cabe a mim (nem a nenhuma pessoa) o papel de seleccionar o que os outros devem poder dizer,  o que os outros devem poder ver.

Tenho sempre muitas suspeitas e reservas acerca de pessoas que apoiam a higienização.  Normalmente são pessoas que acham que sabem mais que os outros, que se acham superiores e detentores da razão. Eu acredito mais no discernimento pessoal, na liberdade de escolha e na liberdade de expressão. Foi isso que os meus pais me transmitiram, é isso que transmito ao meu filho.
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Terça-feira, 25 de Abril de 2006
... fascismo nunca mais.

Era a palavra de ordem, há 32 anos, quer dizer....mais ou menos, que no dia 25 andava tudo às aranhas e ninguém sabia se havia de obedecer à voz da rádio e manter-se em casa, ou sair para a rua.

E sim, eu lembro-me bem do 24 de Abril. Grande festa. Não houve escola, e como, por ironia do destino, estava numa escola frequentada também por filhos de presos políticos, tenho ideia de lá ter tido em casa uns meninos amigos, que estavam ali à espera que as mães chegassem com os pais, acabados de sair da prisão. Grande festa, portanto.

Hoje, tentei explicar ao meu filho de 7 anos e meio, o significado do 25 de Abril, pelo menos explicar-lhe o conceito da coisa:

- Filho sabes o que é um feriado?
- Sei. Err...não, afinal não sei.
- Um feriado é um dia em que se celebra ou festeja qualquer coisa. Pode ser uma coisa que aconteceu há muitos anos atrás, como o Natal, ou pode ser uma coisa que tenha acontecido há pouco tempo. Como hoje. Sabes o que se festeja hoje?
- Sei, o 25 de Abril.
- Ok, mas o que é que aconteceu no 25 de Abril, que mereça ser festejado?
- Errr....construiu-se a ponte 25 de Abril?

:)

Ainda deve ser cedo, ou isso ou falta um jogo para play-station, ou nintendo DS ou X-Box, cujo enredo da trama seja a revolução dos cravos.
sinto-me: Livre
música: Grândola-Vila-Morena
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