Mais vale começar já a olhar para o que se passa do lado de lá, e anteciparmos formas de protesto e de luta, do lado de cá.

Para quem quiser saber mais (neste caso, com facilidade, espreitar o futuro que está mesmo ali, para nós portugueses, ao virar da esquina), é visitar o Blog do Enrique Dans.
Fuerza, Enrique!
Por causa da notícia que refere o número de pedidos que cada país faz ao Google, inflamou-se certa Blogosfera, já a engatar a primeira no discurso da liberdade de expressão, e da intervenção disto e daquilo na liberdade das pessoas.
Tenham calma senhores, o Google foi relativamente vago, não especificou quem pediu e o que pediu, e os pedidos, sei-o por experiência própria, são como os chapéus, há muitos.
Todos os dias me chegam pedidos de identificação de autores disto e daquilo, e todos os dias me chegam pedidos de remoção de conteúdos. Chegam-me do país e do estrangeiro. Legítimos, portanto, provenientes de entidades com competência para fazerem esses pedidos (os tribunais, em alguns casos o ministério público e a polícia judiciária), uma larga minoria.
E acho muito bem que esses pedidos, os legítimos, sejam feitos, seja a quem for, porque não existe liberdade sem responsabilidade. E se alguém pensa que num determinado post existe um crime (seja ele qual for), deve usar os meios legais ao seu dispor para se queixar. E os meios legais existem, para os conteúdos publicados online, como para qualquer outra plataforma de comunicação que não seja online. A lei aplica-se a todos, e o anonimato de que alguns julgam gozar por aqui, não é tão fácil como isso. Aliás, só pessoas com competências técnicas muito acima da média é que conseguem, de facto, ser anónimas.
A mim não me preocupam os pedidos feitos por tribunais (ou por outras entidades competentes), é sinal de que as coisas estão a funcionar como deve ser. A mim preocupam-me sobretudo os pedidos ilegítimos, os pedidos de pessoas que querem saber quem fez o post A, B ou C, para lhe irem pregar um enxerto de porrada, ou o político que não gostou de ler aquilo que o autor do Blog escreveu e quer que seja removido, assim, sem passar por um tribunal. Preocupam-me as pessoas que, apesar de vivermos há tantos anos em liberdade, ainda não sabem o que é a liberdade de expressão.
Leio no Público que houve uns gajos da UGT que vandalizaram uns cartazes da CDU.
Vai daí, o que é que fazem os gajos da CDU? Apresentem queixa às autoridades.
Há 35 anos nada disto teria acontecido.
Há 35 anos, os gajos da CDU não teriam abandonado os cartazes, havia turnos para guardar cartazes, e era frequente a guarda de cartazes resultar em cenas de pancadaria.
Entre os movimentos políticos que surgiam na altura como cogumelos havia rivalidades profundas, por isso, quando se colavam cartazes, era preciso ficar a guardá-los, para que nenhuma das cinquenta mil facções opostas os removesse. Fazia parte das noites de qualquer cidadão mais interventivo.
Se a minha memória não me engana, o meu pai passou algumas noites a guardar cartazes, e algumas vezes chegou a casa com relatos de pancadaria. Os gajos vieram, nós estávamos emboscados e caímos-lhes em cima.
Hoje em dia já não...... apresenta-se queixa às autoridades.
Amolecemos, é o que é. Já nã se fazem PRECs como antigamente.
Já disse aqui várias vezes que não leio jornais, nem sou consumidora de notícias nos órgãos de comunicação social tradicionais. Talvez seja por isso que me tenha escapado algum barulho que certamente estes órgão de comunicação social mais tradicionais têm, obviamente, feito acerca deste tema. Deve ter havido imensos artigos de opinião, que pessoas conscientes e ciosas das liberdades de expressão (próprias e alheias) têm feito veicular acerca deste assunto.
Falha minha, certamente.
Chamo a vossa atenção para a votação que irá decorrer no Parlamento Europeu, no próximo dia 5 de Maio.
Pelos títulos das propostas, parece estar tudo bem, e parece que os direitos dos consumidores (nós) até estão a ser defendidos.
No entanto, sempre que vejo regulação, regulamentação e internet, na mesma frase, eu vou atrás. Não sei porquê, mas desconfio sempre. Deve ser da idade. Mais para mais, os senhores parece que estão com pressa em aprovar isto antes das eleições. E reguladores, regulamentos, Internet e pressa deixam-me ainda mais pulgas atrás da orelha.
Então parece que se estas novas propostas forem aprovadas, a Internet, como a conhecemos, pode estar a acabar. Sim, isto pode ser o princípio do fim. Se estas propostas forem aprovadas, os ISP (Internet Service Providers - Fornecedores do Serviço de Internet) passarão a estar legalmente habilitados a limitar o número de sites a que podemos aceder, e a dizer-nos se estamos ou não autorizados a utilizar determinados serviços. Eles decidem por nós. Estará disfarçado de "Opções dos consumidores", parecendo, portanto, uma benesse, mas na realidade, isto permitirá aos fornecedores de acesso a venderem pacotes de internet como vendem os pacotes de televisão, com um número limitado de opções às quais poderemos aceder.
Eles escolhem os conteúdos e os serviços a que podemos aceder.
Os grandes não terão grandes problemas, mas os pequeninos, os Blogs, as pequenas empresas, os que estão fora do lobby, esses, não sobreviverão. E isto será apenas o princípio.
Deixaremos de ter uma Internet Livre, será a Internet pré-escolhida por terceiros. Com a liberdade que esses todos poderosos decidirem dar-nos. Uma liberdade assim-assim.
Portanto, se por acaso passar aqui algum candidato ao parlamento europeu, esta era uma pergunta para a qual eu gostaria de resposta. Como é que votaria estas propostas? O meu voto depende disso.
Quanto aos demais leitores, podem passar por sítios onde isto está mais bem explicado e documentado. Aqui por exemplo.
Se vocês soubessem a quantidade de gente com tempo a mais e ocupação a menos que se "ocupa" a observar a vida dos outros, e a tentar castrar (não me ocorre outra palavra) toda e qualquer opinião que saia, mesmo que ligeiramente, do politicamente correcto, admirar-se-iam.
E os que no meio do discurso escrevem "liberdade de expressão" em maiúsculas, são aqueles que mais frequentemente tentam atropelar essa mesma liberdade de expressão. Democracia madura? Nós? Nem pensar. Temos tanto, mas tanto ainda que aprender.
A minha caixa de correio é um bom barómetro. Em vez de cada vez haver menos, cada vez há mais.
Caraças.
Cada vez detesto mais o politicamente correcto. Nunca gostei muito, mas a aversão cresce a par e passo das mensagens que me chegam à caixa de correio.