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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

O título do post é uma merda, é um facto, mas foi o que se arranjou.

 

Tenho andado a estudar matéria do 8º ano, com o meu filho. E se já na altura em que tive de aprender aquele lixo todo, me espantava e me questionava com a utilidade daquilo que estavam a querer que eu aprendesse, hoje, mais velha, e já como mãe, coloco exactamente a mesma questão.

 

Para que raio servem as coisas que nos impingem, durante a escolaridade obrigatória?

 

Para nada, é a resposta que eu dou..... ou melhor, servem para termos de decorar coisas até ao teste seguinte, e depois, esquecê-las.

 

Enquanto passava revista pela revolução de 1383-1385, seguida pelo expansionismo português, voltei a passar pelo mesmo processo, agora do lado de cá do livro, de decorar as datas.

 

Epá.... se eu quiser saber a data da descoberta do Brasil, ou da descoberta do caminho marítimo para a Índia, eu sei onde procurar essa informação, porque é que tenho de saber a data de início da viagem, e a data em que a coisa foi finalmente conquistada?

 

E a data das cortes de Coimbra, em que D. João I foi proclamado rei de Portugal? Para que raio preciso eu de saber, de cor, a data da coisa?

 

E como é que eu digo ao meu filho que ele tem de aprender estas merdas, se eu própria não lhes encontro utilidade absolutamente nenhuma?

 

Do que me lembro (e do que me ando a relembrar ao ritmo de progressão escolar do meu filho), 90% do que somos obrigados a aprender na escola, não serve para absolutamente nada. Vá....serve para jogarmos trivial, ou ir a um dos concursos da televisão. Mas do ponto de vista prático..... não tem utilidade.

 

Eu descobri o meu caminho, com vários desvios, tentativa e erro. Mas pergunto-me se a quantidade de lixo qe enfiamos pela cabeça das criancinhas não são apenas obstáculos que lhes estamos a pôr à frente, e que em vez de as ajudarem a descobrir o seu caminho, as impedem de ver por onde é que gostariam de ir.

 

Língua portuguesa e matemática, fundamentais (embora em moldes diferentes dos que estão a ser usados). O resto? Dispensável.....

 

Em vez de enfiarem informação irrelevante (e muitas vezes desactualizada) na cabeça das criancinhas, mais valia que as ensinassem a estudar, a pensar, a procurar informação, a seleccionar fontes, de acordo com os seus interesses.

 

Porque, convenhamos, nos dias que correm (e muito mais no futuro), não há falta de informação, muito pelo contrário, há informação a mais, e a verdadeira competência está em encontrar exactamente o que se pretende, seleccionando o essencial e importante, do enorme mar de conteúdos que nos rodeia.

 

Não vejo a escola a fazer isso com o meu filho (como também não fez comigo), vejo-a mais interessada em formatar as criancinhas para saberem datas, para empinarem teorias e, de preferência, para não pensarem muito.

 

Como é que eu posso pedir ao meu filho para ele estudar, se não acredito minimamente na utilidade do que lhe estão a tentar ensinar?

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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Toda a gente conhece a primeira Ted Talk de Sir Ken Robinson.

Brilhante, claro, e a forma como ele pensa na educação (na sua definição mais abrangente) é-me particularmente cara. Não só por minha causa, mas também por causa do meu filho.

 

Hoje cheguei a outro vídeo de Sir Ken Robinson, que junta o melhor de dois mundos, o conteúdo e a voz do homem, e a animação da RSA. Recomendo vivamente. Ambas.

 

 

Via Correntes.

 

Link do vídeo, aqui.

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Terça-feira, 9 de Agosto de 2011

De férias, e com pouca disponibilidade mental para o Blog (embora os comentários tenham andado animados), sou confrontada com as imagens de Londres. Sim, de férias, mas não me desligo. Não me desligo quando vou de férias para longe de casa, por maioria de razão não me desligo quando vou de férias e fico em casa, que é o que acontece este ano, a crise toca a todos.

 

E acontece-me sempre o mesmo, quando vejo estas cenas, sejam em França, em Inglaterra, na Noruega ou na Cochinchina. A mãe que há em mim, divide-se e enche-se de (ainda mais) dúvidas.

 

O que é que devo ensinar ao meu filho? Se o meu papel, enquanto mãe, é apetrechá-lo de ferramentas que lhe permitam sobreviver (e já agora, ser feliz) quando for adulto, devo passar-lhe os valores (os meus valores), ou devo ensinar-lhe técnicas de guerrilha e de sobrevivência?

 

As imagens que vemos não deixam dúvidas, valores, daqueles básicos do não matar, não roubar, não destruir, ajudar o próximo, ser boa pessoa, são, pelos vistos, valores ultrapassados e em franco desuso. São os meus valores mas, pelos vistos, estão desactualizados.

 

Mesmo nas coisas mais simples e corriqueiras, estou desactualizada. Aquela cena de não fazer barulho no cinema, não passar à frente nas filas, não ser chica-esperta no trânsito, essas coisas pequeninas de respeitar o outro mesmo que não o conheçamos, são decadentes. Há uns anos, um chiu mais veemente no escurinho do cinema, resultava. Agora olham para mim de lado, como se eu fosse maluca, e continuam a conversar alegremente.

 

Pergunto-me se não estou a ensiná-lo a ser um tanso, com a minha mania do respeito pelos outros, e com aquele ditado que me disseram tantas vezes "a tua liberdade termina onde começa a dos outros". Quando os outros se estão a cagar para a tua liberdade, porque é que hás-de tu pensar na liberdade deles?

 

A crise económica preocupa-me ligeiramente. A crise de valores preocupa-me violentamente. Não me importo de deixar ao meu filho um mundo mais pobre de dinheiro, mas chateia-me muito que tudo indique que lhe esteja a deixar um mundo drasticamente mais pobre de valores. Pelo menos dos valores que são os meus.

 

Acho que lhe vou transmitir os valores, enquanto o inscrevo num curso de sobrevivência. Uma no cravo uma na ferradura.

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Sábado, 18 de Junho de 2011

Nunca frequentei, enquanto aluna, o ensino público. Os meus pais não tinham estrutura familiar que lhes permitisse que eu apenas estivesse ocupada uma parte do dia.

 

Quando chegou a altura de introduzir o meu filho às delícias da academia, optei por uma instituição privada, mas daquelas onde se paga de acordo com os rendimentos, portanto, onde eram recebidos meninos de todas as classes sociais. Já lá não anda, posso dizer portanto que andou no Infantário Popular de Sintra, e que, desde a sala do 1 ano até à pré-primária, a experiência foi sempre fantástica (obrigada, educadora Paula Nunes).

 

Depois era a sério, ia entrar no primeiro ano (primeira classe para quem é do meu tempo), e tinha de mudar. Novamente optei pelo privado, desta vez sem as vantagens de haver meninos de diferentes classes sociais, que ali, doía a todos por igual, quando chegava a altura de pagar a mensalidade. Não me dei bem com a escola. Não foi o puto que não se deu bem fui eu. Estava muito habituada a intervir e a participar no dia-a-dia do meu filho (vinha "mal habituada" do Infantário Popular de Sintra) e custou-me muito aquela dinâmica do deixa a criança à porta, recolhe a criança à porta, queres falar com a professora marcas hora para daqui a 15 dias, e se queres saber o que comeu ao almoço, perguntas na secretaria e já gozas. Mais informações, não há, tens de confiar na escola, porque a escola é que sabe de educação e de pedagogia, e os pais não são para aqui chamados. Comigo não funcionou.

 

Custou-me, mas mudei-o mesmo a meio do ciclo. Mudei-o para a Escola Raiz (já lá não anda, por isso posso dizer que lá andou). Uma escola pequenina, com um método de ensino algo invulgar, eventualmente com mais sucesso se o meu puto lá tivesse andado desde mais novo. Mas uma escola que me incluía, que me interpelava, onde eu entrava sem problemas, onde via os trabalhos do meu filho (e das outras crianças, evidentemente), e via a sala de aulas, se me apetecesse, e onde falava com os professores sem ser preciso marcação prévia. Foi perfeito? Não, não foi, mas eu não acredito que exista a escola perfeita. Assim como assim, também não existem crianças perfeitas, nem pais perfeitos.

 

O ano lectivo que agora termina foi a minha estreia no ensino público. Fui a medo, confesso. E o impacto e a diferença foram brutais. Mas não por causa da qualidade do ensino. Bons professores e maus professores há em todo o lado, seja no público seja no privado, portanto, também aqui, no liceu, tive direito às duas realidades. Mas, no geral, o balanço é positivo. Muito positivo. Também pode ser que eu tenha tido sorte, mas não creio que tenha sido só isso.

 

Reuniões bem organizadas, com uma directora de turma extraordinária (que é também boa professora), que se desunha para fazer chegar aos encarregados de educação a informação relevante, sem nunca deixar que as reuniões caíssem naquelas coisas típicas dos colégios particulares "ai, o meu Rodriguinho é tão prendado". Assertiva, mas 15 dias depois de começarem as aulas já conhecia os putos todos pelo nome. E, note-se, não estamos a falar de turmas de 15 meninos (que era a isso que eu vinha habituada), estamos a falar de turmas gigantescas, com 30 e mais alunos.

Não sei como é que ela consegue, mais para mais, sabendo que tem mais turmas, mas gostei de, no meio de um liceu com (bem) mais de 1000 alunos, que a coisa fosse, de certa forma, personalizada.

 

As auxiliares conhecem o puto pelo nome? Não. Mas quando ele se sentiu mal e foi preciso chamarem-me, sabiam exactamente onde é que ele estava, e quem é que era, e o que é que tinha, e quais tinham sido os sintomas.

 

Eu ressenti-me.... passar duma escolinha pequenina para uma escola gigantesca, não foi fácil. Sobretudo porque o "gigantesco" implica muitos alunos, todos mais velhos, a conviverem com os mais novitos que, coitados, parecem bebés. E pronto, também há uma catrefada de alunos que não são bem daquela escola, mas que frequentam espaços comuns que não são, dizem, muito recomendáveis. E, sim senhor, já vi cenas de pancadaria à porta, mas foi só uma vez. E há assaltos, e obviamente, os mais novos são as vítimas mais evidentes, mas os assaltos acontecem fora da escola, e a polícia anda sempre por ali.

 

A comida da cantina. Na outra escola aquilo era quase à la carte. O menino não gosta de bacalhau? Não faz mal, eu cozo-lhe uma postinha de pescada. E ficavam lá a ver se ele comia tudo, e havia sopa e fruta. Agora ele diz-me que a comida é boa, que há sempre sopa (e ele nunca come, aposto), que nos dias em que não gosta da comida come menos, e depois come umas bolachas da máquina (pessoalmente, eu dispensava a máquina, mas pronto), e chega a casa com mais fome, ao lanche. O saldo é positivo.

 

Os professores. Teve sorte com uns, teve azar com outros. É como tudo na vida. Não é novidade. No ensino particular também apareceram bons e maus professores. Ou melhor, professores mais empenhados e mais motivados, e professores que não querem saber. O meu trabalho, como mãe, acho eu, passa por ensiná-lo a respeitar todos, e a tentar colmatar as falhas dos professores menos inspirados, de forma a que a falta de inspiração não estrague o gosto do puto por uma determinada disciplina. Inglês, disciplina em que ele é, claramente, um aluno excelente (porra, o puto lê livros em inglês), tocou-lhe uma professora maluca, que ia arruinando o gosto que o puto tem pela língua. Ele percebeu. Também percebeu que às vezes, a professora pode ser boa, mas ele não gosta da matéria (disse-me isso acerca de uma das disciplinas - ó mãe, a professora é boa e ensina bem e é justa, eu é que não gosto nada daquilo), fair enough.

 

Não vai ter negativas. Vai ter mais 3 do que o que eu gostaria, mas é o primeiro ano, é o de adaptação. Para o ano puxo mais por ele (aliás, já comecei a puxar, que o sacaninha está de férias, mas tem livros para ler, e ditados para fazer, que a caligrafia é uma queixa generalizada).

 

Portanto, e porque isto já vai longo. A minha aventura pelos reinos do ensino público foi positiva. Para o ano, gostava que lhe (nos) calhasse a mesma directora de turma. Ajuda muito, ter alguém competente e empenhado, a puxar a carroça (e que me manda as actas por mail, para eu imprimir e assinar e mandar pelo puto - oh, as vantagens das novas tecnologias).

 

Ah, o moodle é uma merda. Para mim, que trabalho nesta área, aquilo é abaixo de cão em termos de usabilidade, navegabilidade, intuição, segurança, interactividade...enfim.....nada se aproveita. Era deitar fora e fazer de novo, mas como deve ser. Ofereço-me para consultoria (graciosa, não comecem já a pensar que eu me quero encher de guito) se alguma vez precisarem de beta testers ou de input de quem trabalha nesta indústria. A sério..... com os putos habituados a Facebook, Youtube, Blogs, jogos e coisas bestialmente bem feitas e ricas, pedirem-lhes para trabalhar no moodle é um turn of do caraças.

 

E pronto.... já ninguém está a ler esta parte do texto, que se fosse eu a ler, já tinha desistido há muito tempo, dum texto tão chato e tão comprido :)

 

E não, não digo em que liceu é que ele anda. Daqui a 5 anos falamos :)

 

Falta dizer que isto começou por ser um comentário a este post, e que depois, quando percebi que me ia alongar, achei que era melhor poluir o meu próprio espaço, e não o espaço alheio :)

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Isto é um ciclo, todos os anos por esta altura (ou um pouco mais cedo ou, mais frequentemente, mais tarde) começo a debater-me com o problema da ocupação dos tempos livres do meu filho, para o período de Verão. São 3 meses de férias, 15 dias comigo, 15 dias com o pai. Sobram 2 meses. 2 meses é muito tempo.

 

É nestas alturas que tenho pena de não ter uma terra. Já tinha pena quando eu era miúda, ver muitas colegas irem para a terra passar 3 meses de férias, e eu enfiada num apartamento, em Lisboa. Mas nesta família, não há terras, é tudo de Lisboa. Enfiá-lo em casa da avó não é uma opção. Seria para ele, que adoraria passar os dias da televisão para o computador, com almocinho e lanchinho preparadinhos pela avó. Seria bom para a minha mãe, ter lá o neto mais velho. Seria bom para mim, é um descanso e sempre sai mais barato.

 

Mas não.... sedentário já ele tem tempo para ser o resto do ano. Ando à procura. Não procuro um depósito de criancinhas daqueles que anunciam mundos e fundos, e depois não são nada de jeito, gostava duma coisa gira e divertida para ele. Cursinhos de jardinagem durante 3 manhãs não são uma opção.

 

Gostava de um workshop de culinária. Durante uma semana (ou duas), todas as manhãs (incluindo almoço e, eventualmente lanche) ia aprender a cozinhar que é uma coisa que ele adora. Não encontro nada disto. Qualquer coisa com desenho e pinturas, culinária, modelagem, música, que são as coisas de que ele gosta.

 

Alguém sabe de alguma coisa ou tem sugestões alternativas?

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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

É o livro de que preciso, a verdade é essa.

 

O meu iTunes faz muito morto dar voltas na campa, por se saber na mesma base de dados de muito outro morto (e vivo), mas tem uma (?) lacuna grave, a música clássica erudita.

 

Se o meu filho me fala de Queen, de Zeca, de Barbra, de Beatles, de Stones, de Trovante, enfim, duma série deles (uns mais obscuros que outros) eu consigo mostrar-lhe e dar-lhe a ouvir (em alguns casos a obra completa), mas quando o meu puto se vira para mim, que virou, e me diz que curte a Lacrimosa de Mozart, eu fico muda e queda.

 

Abençoada internet, que à distância de meia dúzia de teclas me elucida (e que foi, em primeiro lugar, o que lhe deu a conhecer a tal da Lacrimosa, que afinal é o Lacrimosa, porque é um Requiem).

 

E agora? Música clássica erudita no meu iTunes é coisa rara. Tenho um dos melhores álbuns de todos os tempos, o Hush do Bobby McFerrin, mas pouco mais.

 

Como é que eu lhe dou a conhecer um mundo que desconheço?

 

Há algumas músicas e/ou compositores cuja obra seja mais adequada às crianças? Confesso que a tal da Lacrimosa é belíssima, mas porra, é um Requiem, não há coisitas menos carregadas, mas igualmente belas?

 

Vá, ajuda precisa-se, que eu, nesta matéria (e em tantas outras) sou uma totó :)

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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Leio no DN que há uma nova polémica, por causa de um dicionário recomendado para os alunos do primeiro ano, dicionário cuja edição contém "palavrões".

 

E está toda a gente muito chocada, porque os dicionários têm lá, com todas as letras, as palavras que os pais não querem que os filhos aprendam.

 

Tudo isto está muito bem, e as pessoas têm o direito de se insurgirem contra o que muito bem entenderem, mas a minha pergunta é esta:

 

Como é que sabem que lá estão os palavrões?

 

Não foram as crianças, de certeza absoluta que, estando no início do 1º ano, não sabem ler.

 

Portanto, foram os pais que foram à procura dos palavrões, que aparentemente conhecem, apesar de não terem nenhum dicionário que lhes ensinasse a coisa.

 

Há uns anos tive de comprar um dicionário para o meu filho. Não tinha qualquer referência da professora, portanto, o critério era o meu. Recusei-me a comprar qualquer dicionário que não tivesse pelo menos, a palavra "merda". Vai sabê-la, vai aprendê-la, ao menos que, tendo curiosidade, possa saber como é que se escreve e o que significa, tendo, para além da mãe, outras formas de obter essa informação.

 

Os paizinhos estão convencidos que os filhinhos vão ler o dicionário? Ninguém lê um dicionário. Vai-se ao dicionário à procura do significado duma palavra que se ouviu ou que se leu, o dicionário raramente é a origem da coisa. Mas é o esclarecimento.

 

Prefiro ter um filho que ao dizer ou escrever "caralho" saiba exactamente o que é que está a dizer, do que ter um filho que escreva "keralho", e pense tratar-se duma ferramenta de lavoura.

 

Por último, senhores jornalistas, não escrevam "os pais manifestam-se contra". Escrevam "alguns pais manifestam-se contra", não me incluam no lote de imbecis que não sabe que a silly season já terminou, bem como o século XIX.

 

Ao senhor Albino Almeida, da confederação nacional das associações de pais, que recomenda a manutenção dos tradicionais dicionários escolares, uma informação: a tradição já não é o que era, e phoda já se escreve doutra forma, vá ver o dicionário.

 

Isto deve ser visto pelo lado pedagógico, se por acaso uma criança pegar num dicionário e começar a lê-lo, antes de chegar ao "caralho" já tem mais vocabulário que muitos licenciados.

 

Merda do corrector ortográfico dos Blogs não é dos bons, marca-me ali uma série de palavras como se fossem erros. Há que mudar isso.

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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Ao princípio andamos todos às aranhas. Tirando as educadoras, cada um parece ter uma ideia muito própria acerca do que é suposto debater-se numa reunião de pais.

 

Depois, com a prática e o andar dos anos, habituamo-nos a reconhecer os que nunca falam, os que nunca vão, os que acham que sabem tudo, os que adoram falar dos feitos das criancinhas, os poemas que fazem aos 5 anos, os futuros músicos, engenheiros, as tendências de génio que os infantes já demonstram, em tão tenra idade, as conquistas, etc.

 

Com a prática aprendemos a catalogá-los, e eles a nós, provavelmente. É uma espécie de reunião de condomínio, mas com pessoas que não são nossas vizinhas.

 

No entanto, apesar de tantos anos que levo de reuniões de pais, confesso que continuo a conseguir surpreender-me com algumas avestruzes.

 

Estamos no século XXI e o grupo dos graxistas ainda existe. Os que tratam a professora por "seutora", os que dão os parabéns no final da reunião, pelo sucesso da mesma, tentando usar palavras mais caras do que o que têm para gastar. São, provavelmente, netos do puto que levava invariavelmente uma maçã para oferecer à senhora professora. Palavra que não entendo.

 

Mas hoje, pela primeira vez em quase 12 anos que levo de reuniões de pais, um interveniente levantou uma questão original.

Simulacros e instruções de conduta para situações de emergência. Fogos, sismos, pensarão vocês, como eu pensei.

 

Mas não. Aparente e adicionalmente o senhor referia-se a alunos armados de espingardas, à solta nas instalações, matando tudo e todos e depois eles próprios. Uma coisa assim como Columbine, mas num bairro de Lisboa.

 

Não sei o que é que me divertiu mais, se a questão colocada pelo progenitor, se a cara de espanto dos outros presentes, se a aflição da directora de turma que estava a levar a coisa.

 

Enfim, é o início de um novo ciclo que, pelo teor da reunião me parece auspicioso e, acima de tudo, muito divertido.

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Domingo, 29 de Agosto de 2010

Todos os anos é a mesma coisa, por esta altura. Os pais anseiam vivamente pelo regresso das aulas. Pelo menos eu :)

 

Tanto que, este ano, antecipei a coisa, já tenho os livros todos, já os identifiquei e já os forrei, que é o que me leva a escrever este post.

 

Eu sei que me repito, mas a verdade é que quem inventou o Kit Salva Livros da AMI, devia receber um prémio qualquer. Epá, a sério. O puto este ano vai para o 7º. Carradas de disciplinas e, consequentemente, carradas de livros. Se eu tivesse de forra os sacanas dos livros como antigamente, com papel autocolante, gastava 3 tarde, 20 rolos de papel e neurónios (que têm de se poupar porque, como sabe, nas loiras, não abundam).

 

No ano passado só consegui arranjar dois Kits, no início de Setembro. Este ano decidi ser mais esperta. Ontem no Office Centre abarbatei-me a 3 Kits. Decidi começar a forrar os livros há bocado. Já estou despachada. Ficaram porreiríssimos, e até desenvolvi uma técnica especial que me permite poupar ainda mais tempo.

 

Material necessário? Os livros propriamente ditos, os Kits, e um X-acto. Nada de fita-cola nem tesouras.

 

A sério, quem ainda não forrou livros com esta coisa, não sabe o que está a perder.

 

Adoro!

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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

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O nosso serão, ontem à noite. E o DVD não é meu, foi o meu puto que comprou (ok, ok, influenciado por mim). Adorei o blusão, com o detalhe do fecho que abre mesmo. O Tom Cruise revisitado afirma-se como um canastrão de primeira. A cintura dos homens, há 20 anos, era muito mais acima do que é hoje. As calças por baixo do cu (sem acento, notem) que estão tanto em voga nos dias que correm é, na minha opinião, uma resposta por reacção ao facto das calças se usarem praticamente por baixo do peito, há 20 anos. Foi a teoria em que trabalhei ontem, enquanto via o filme.

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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

Dava entrada na maternidade, com o palerma do enfermeiro, com ar altivo e sobranceiro, a dizer que ia ver se eu ia ficar ou se me mandava para casa.

 

Viu. Não fui para casa.

 

Daqui a 2 horas e pouco, faz 12 anos que fui mãe.

 

Sacaninha, ainda noutro dia acabou de nascer, e já tem 12 anos......

 

Vantagens acrescidas deste dia? Sei exactamente o que é que vou vestir amanhã :)

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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Não me refiro às minhas férias que ainda vêm longe. Refiro-me às do puto, que começam para a semana.

 

Portanto......fico com o puto pendurado metade de Junho, Julho, Agosto e uma parte de Setembro.

 

O que é que é suposto os pais fazerem aos filhos durante 3 meses? Ok, 1 mês de férias com os pais, e o resto?

 

Já procurei ateliers disto e daquilo e campos de férias (daqueles em que não se dorme lá), e desporto e coiso e tal, e tenho Julho mais ou menos resolvido.

 

Mas ateliers para Junho, é mentira. Ainda por cima é esquisito o chavalo.

 

Se alguém souber de um atelier de grafiti na 2ª quinzena de Junho, perto de Lisboa, eu agradeço.

 

Mas baratinho, que nas actividade de Julho da criança já quase se foi o subsídio de férias completo, e ainda não comprei todo o material necessário.

 

E se eu fosse ainda mais tesa e não tivesse dinheiro para isto tudo? Onde é que eu enfiava o puto?

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Domingo, 9 de Maio de 2010

Esta coisa do Benfiquismo é algo que qualquer bom chefe de família tem de transmitir à descendência. A Mística cultiva-se.

 

Nessa perspectiva, assim que o jogo acabou, fomos recolher os putos às respectivas progenituras, e ala para o Marquês.

 

As minhas comichões em relação a levá-los ao football, aqui, não se colocavam, certo?

 

Não há violência, é tudo do Benfica, não há insultos.....tudo seguro.

 

Pois, pois.....a parte da violência tudo bem, nada a assinalar, mas em pleno relcado do Marquês, enquanto saltávamos porque senão éramos já não sei o quê, o cânticos mudam de repente.

 

Pó Caralho, Pó Caralho, Pinto da Costa Pó Caralho.

 

E eu aflita. Não estava nos meus planos, que eles dessem de caras com palavrões.

 

Caralho já conheciam, provavelmente. Pinto da Costa, olha, passaram a conhecer.

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Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Qualquer mãe (ou pai) que já ande nisto há uns anos, e tenha, como eu, o puto numa escola que fecha quando terminam as aulas depara-se todos os anos com o dilema do costume.

 

O que fazer com ele no mês em que ainda eu não estou de férias, mas ele já?

 

E oferta não falta mas, como tive oportunidade de descobrir em Junho do ano passado, ou pensamos na coisa com antecedência, ou estamos lixados, com f de cama.

 

Este ano, fruto da experiência do ano passado, já estou em campo à procura dum sítio de jeito, que o satisfaça e, mais importante, que me satisfaça a mim (sou mãe galinha, sempre fui, sempre serei, e não deixo o puto com os primeiros caramelos que organizam umas actividades que, no papel, parecem giras).

 

A 1ª semana de Julho está resolvida. Familiarmente resolvida. As restantes, até Agosto, estão apalavradas mas, não há bela sem senão, por estas 3 semanitas em que um bando de putos vai andar a desenvolver actividades pedagógicas que vão contribuir para o seu desenvolvimento psico-social e mais o raio que o parta, sai-me do bolso.

 

A continha, para 3 semana (e vem dormir a casa, que, como disse mais acima, sou mãe-galinha), já vai em €700.

 

Já quando eu era miúda me lembro de ter pena de não ter "terrinha". As minhas amigas iam 3 meses para a terrinha, e voltavam de lá felizes e contentes, de brincarem com a primalhada, em família e com ordem de soltura. Hoje, tenho pena de não ter "terrinha" porque seria para lá que empandeirava o puto, em ambiente familiar, com actividades que certamente iam contribuir para aquelas coisas importantíssimas que referi ali em cima, e sempre me sobrava alguma para quando chegasse a altura das férias em comum.

 

Fónix, que esta coisa do desenvolvimento psico coiso e mais além, custa caro.

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Sábado, 27 de Março de 2010

Vi na Ervilha que há mais quem tenha um problema semelhante ao meu, embora menos grave.

 

O que fazer quando um filho faz anos em período de férias? O meu faz anos em Agosto. Não preciso de dizer mais nada, pois não?

Nunca está NINGUÉM para a festa. O desgraçado passa a vida em festas dos colegas, leva presente a todos e quando chega a vez dele festejar, népia, está tudo de vacaciones.

 

Já tentei antecipar, já lhe fiz a proposta de festejar 6 meses depois, mas não cola.

 

Assim, um nicho de mercado para um negócio porreiro, era aquelas agências de casting alugarem miudagem para serem figurantes em festas. Melhor ainda. Aqueles estabelecimentos onde se organizam festas de aniversário das criancinhas podiam fazer um dinheirão se, além das instalações, e dos insufláveis, e dos lanchinhos, tivessem a opção de acrescentar convidados.

 

Vocês podem achar que eu estou maluca, mas a verdade é que já pensei nisso, num ano em que, desoladíssimo, viu que ninguém respondia ao convite.

 

Fica a ideia. Se alguém aproveitar, depois que faça um desconto, muito agradecida.

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Quinta-feira, 25 de Março de 2010

Sou Benfiquista. Sempre fui. Antes de nascer já era sócia, depois tiveram de trocar o nome, porque estavam à espera de um João Maria e saí eu, uma Maria João. Portanto, era inevitável.

 

E isto é uma coisa que se passa aos filhos. Não baptizei o meu filho, ele que escolha a religião que quiser, quando tiver idade para o fazer, enfim, as escolhas, em todos os campos, são dele, mas não no campo desportivo, aí só tem uma opção, e é inapelável e irrevogável, ser Benfiquista não é uma opção, é assim que somos, obrigatoriamente. É de família (embora nem toda a minha família fosse do Benfica, tive uma avó lagarta, mas era a excepção).

 

Para consolidar o espírito Benfiquista do puto é preciso trabalhar. Fartei-me de lhe dizer que o Benfica tinha sido campeão, mesmo e anos em que isso não aconteceu, quando ele não tinha idade para obter a informação doutra forma :) Neste tema não faço prisioneiros, e uso todos os argumentos. Enfim, sou uma política, desportivamente falando.

 

Mas, no meio de tanto trabalho, ainda não fiz algo que considerava imprescindível para esta consolidação ou confirmação. O puto ainda não foi à Luz ver um jogo do Glorioso. Não é por falta de tempo, nem de dinheiro, eu até sou sócia, pelo que os preços são mais em conta. O problema é que eu sou Benfiquista mas também sou mãe. E eu sou maluca, mas não sou estúpida.

 

Não levo o meu filho a ver um jogo de football no estádio. O risco da coisa dar para o torto é cada vez maior, e mesmo que não nos acontecesse nada a nós, a perspectiva de ter uma cena de pancadaria ali ao pé, ao vivo e a cores, não me agrada.

 

Ah, porque és super protectora, ah porque mais tarde ou mais cedo ele vai ver essas coisas, ah, porque quanto mais cedo ele for confrontado com a realidade melhor.

 

Uma merda. Sou super protectora sim e até acho que tenho feito nesse campo um trabalho razoável, porque se eu achasse que ver porrada lhe fazia bem deixava-o ver rodos os programas de televisão que ele quer, ou começava a dar-lhe porrada desde cedo, para o ajudar a perceber que a vida é mesmo assim, e que passamos a vida a levar porrada.

 

Tenho pena, mas enquanto não achar que estão asseguradas as condições de segurança que eu considero mínimas para o meu filho e para mim, não vou à bola.

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Quarta-feira, 10 de Março de 2010

Já está à venda o 3º volume da colecção Diário de um Banana.

 

Se já conhecem a coisa, sabem que é ir comprar a correr.

 

Se não conhecem, e se (como eu) desesperam porque o vosso filho não lê, comprem já.

 

O meu larga PSP, PS2, PS3, Nintendo DS, Xbox 360, televisão, seja o que for, para ler estes livros. Este 3º volume tem 223 páginas que marcharão em 2 ou 3 dias, quando os livros pequeninos da leitura obrigatória demoram semanas.

 

Foi ele que descobriu que ia sair porque procurou online, foi ele que quis ir à livraria (pela segunda vez) ver se já havia.

 

E mais boas notícias, o 4º já está agendado. As más notícias é que só sai em Outubro.

 

Seja como for, em português chama-se "A última gota" e é editado pela Vogais e Companhia.

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Segunda-feira, 8 de Março de 2010

Sou primeira filha. Até aos 3 anos, os meus pais, que trabalhavam ambos fora de casa, deixavam-me de manhã em casa dos meus avós e iam-me buscar ao fim do dia. Nada de infantários, creches ou contacto com outras crianças.

 

De repente, tinha eu 3 anos, nasce-me uma irmã, e vai tudo para o infantário, por razões que agora não vêm ao caso.

 

Ora eu, era uma flor de estufa, como poderão calcular. A menina, a princesinha que punha e dispunha em casa dos avós, de repente, viu-se atirada aos lobos, os gandulos que já sabiam da poda porque estavam no infantário desde que tinham 1 mês (na altura era o que havia de baixa de parto). Em casa dos meus avós, faziam-me as vontadinhas todas, não gosta desta comidinha? A avó faz outra (e fazia), enfim.....aturavam-me as manias todas, próprias de quem tem 3 anos e percebe que faz daqueles adultos os que quiser, Em casa fiava mais fino, mas mesmo assim, era eu o centro das atenções.

 

Ora, de repente, não só deixo de ser o centro das atenções em casa (a mais nova, evidentemente precisava de mais atenção) como me atiram para um meio agressivo, cheio de adultos para quem eu era apenas mais uma, e, sobretudo, para o meio de uns selvagens que não percebiam que eu era mais importante, e que me batiam, e que me roubavam os brinquedos.

 

Não sei quanto tempo durou, sei que me lembro de odiar ir para a escola. Lembro-me de chorar baba e ranho, lembro-me de odiar os professores, lembro-me de ser muito boa aluna, especialmente a português e de perceber que nem assim me safaria.

 

Lembro-me de me queixar em casa que os outros meninos me batiam, mas não sei se fizeram alguma coisa.

 

Lembro-me, sobretudo, da primeira estalada que dei na escola. Um dia farta de levar biqueiros, e puxões de cabelo, e beliscões, e empurrões, virei-me aos maus.

 

 

Foi remédio santo. Assim que percebi que afinal não era tão impotente como isso, e que quem vai à guerra dá e leva e que a melhor defesa é o ataque (vestígios da tropa do meu pai) e, principalmente, porque era corajosa, e nunca fui de andar à luta como as meninas (se era para bater era de mão fechada e os pontapés iam direitinhos ao sítio certo), a coisa resolveu-se.

 

Fui vítima de bullying? Fui. Não tinha era um nome tão fino. Como é que resolvi? Olhem, desenrasquei-me. Os meus pais deixaram de ouvir queixas minhas em casa, passaram a ouvir queixas de mim, na escola. Do mal o menos, terão pensado.

 

É difícil o equilíbrio entre a protecção que queremos dar aos nossos filhos (e se eu sou mãe-galinha) e a autonomia que temos de lhes dar, para se desenmerdarem, para fazerem pela vida, para se desenrascarem, para aprenderem a resolver problemas.

 

É sempre um dilema. Protejo-o e transformo-o numa flor de estufa, vou à luta por ele, vou à luta com ele, deixo-o da mão para ele resolver?

 

Penso que optaria por um misto. Ia à luta diplomática com ele, e se fosse preciso, nas costas dele, dar um enxerto de porrada nos pais das criancinhas bullies, acho que também se arranjava.


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Sábado, 6 de Março de 2010

Para quem tem filhos a estudar entre o 5º e o 6º ano, para ver junto com os pais. É divertido e pedagógico. E rápido :)

 

 

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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Volta não volta meto-me nestas coisas, por necessidade, claro.

 

Está na altura de decidir em que escola ponho o puto para o próximo ano lectivo. O meu filho sempre andou em escolas particulares, mas desta vez, decidi-me pelo público, sou, portanto, marinheira de primeira viagem nestas coisas das inscrições e dos registos e dos agrupamentos e das burocracias.

 

Poderia pensar-se que nos dias de hoje, com a web, a coisa seria fácil de fazer (ou de aprender), mas parece que não.

 

Saber a que agrupamento escolar pertence a minha área de residência parece ser um segredo bem guardado, online, pelo menos. As recomendações que tenho recebido mandam-me à junta de freguesia da minha área de residência, fazer a pergunta. Tendo em conta que é informação automaticamente georreferenciada, não deve ser difícil fazer um site do tipo, coloque aqui a sua morada, e nós dizemos quais os agrupamentos. Não sei, talvez seja impressão minha.

 

Saber quais as escolas que tenho à minha disposição, independentemente da minha área de residência, e o que é que tenho de fazer, dentro de que prazos, para inscrever o meu filho, com que grau de certeza de que fica na escola que escolhi, também é difícil, ou sou eu que estou à procura no sítio errado.

 

Horários das escolas, por anos, também é coisa que não encontro (pelo menos para as escolas que estão na minha short list).

 

E depois, aquela coisa, sobre a qual eu até entendo que ninguém escreva (mas já merecia), que é prática comum, a de aldrabar a morada para se conseguir que os putos fiquem na escola onde pretendemos que, de facto, fiquem. Tanto post a explicar como é que se fazem bombas, e como é que se fazem outras coisas menos próprias, e uma coisa simples, que aparentemente toda a gente faz (mas eu não conheço ninguém que faça, claro), e não há um post com um passo-a-passo para explicar como é que se faz a coisa, alegada e hipoteticamente, claro.

 

É, chamemos-lhe assim, um admirável mundo novo que estou a descobrir.

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