Está aberta a época dos rankings. Aquela época em que órgãos de comunicação social pegam nos dados estatísticos, e os trabalham a bem dos seus leitor...não, desculpem, e os trabalham a bem do tamanho de letra da primeira página.
Já acreditei mais em rankings das escolas do que acredito neste momento.
E confesso que já não estou à espera que haja uma porra dum jornal ou duma televisão ou duma rádio que façam trabalho jornalístico sério, mas irritam-me cada vez mais estas notícias dos rankings.
Façam lá um estudo a sério, senhores. Vão lá às escolinhas que estão no topo do ranking, de preferência apenas aquelas em que mais de 50 alunos fizeram os exames, e avaliem a qualidade de vida dos meninos. Vejam quantos deles têm internet em casa, e livros, e vejam quantos deles é que têm explicadores. Lembrei-me destes três factores, todos eles externos à escola, mas que contribuem para os resultados que os alunos alcançam nos exames. Depois de recolhidos esses dados, trabalhem-nos em conjunto com os dados demográficos da área da escola, e com os dados de criminalidade na área da escola, e, só depois disso e aí sim, cruzem os vossos resultados com os dados do ranking.
Se quiserem ir um bocadinho mais longe, podem entrar pela escola dentro, e ver se tem associação de pais ou não, qual é a taxa de senioridade dos professores, e qual o tempo médio de permanência de um professor naquela escola, podem ainda ver as condições físicas da escola, e o seu equipamento, e o número médio de alunos por sala, e a taxa de absentismo (de alunos e professores), e eu podia continuar por aqui fora.......
Não me tratem como atrasada mental, e não me atirem para a cara números que pintam o quadro como vocês querem vê-lo pintado, e não como ele está na realidade.
Dos jornalistas, não quero quadros. Quero fotografias. Sem photoshop.
Eu sei, vale o que vale, o ranking das escolas. E está completamente enviesado pelo binómio localização geográfica/poder de compra dos pais dos alunos, e está inflacionado pelo laxismo e facilitismo dos exames e os rankings são uma merda.
Mas, para mim, que ando à procura de uma escola onde o meu filho possa frequentar o 7º ano (daqui a um ano e tal, que eu gosto de pensar nestas coisas com antecedência), os rankings são das poucas ferramentas disponíveis para ajudar a uma decisão.
É isso, o passa-palavra e uma tentativa de visita à escola (quando tentei visitar escolas oficiais do 1º ciclo, aqui ao pé de mim, foi uma desgraça, numa até me diziam que era preciso eu pedir uma autorização especial do ministério da educação).
Que mais ferramentas têm os pais para escolher uma escola?
Candidatam-se à escola da zona de residência e rezam para que seja boa?
E quem não sabe rezar?
E já agora, onde é que se encontra o ranking deste ano que está a ser anunciado e comentado na comunicação social? É que no Ministério da Educação, nem vê-lo.