Uma das formas mais frequentes e mais palermas de reclamar é escrever uma mensagem de mail, incendiária mas pouco explicativa e cheia de exigências, e mandar para uma lista de destinatários deste tipo:
Ninguém sabe para quem é. Ninguém percebe o que se passa. Ninguém faz nada.
Um cliente insatisfeito com o serviço prestado pela United Airlines, depois de meses de Herodes para Pilatos, decidiu fazer uma música e o respectivo teledisco, como forma de reclamação.
O resultado da coisa foi que o vídeo já teve mais de 5 milhões de visualizações, e os senhores da United Airlines já tentaram fazer aquilo que recusaram durante 9 meses de contactos (e ele declinou).
A história está aqui, e chegou-me via Nélio, com link para aqui.
"A bem da sanidade mental desta família, decidi inscrever-me na DECO, tens agora um número para onde podes ligar para esclarecer quaisquer dúvidas sobre direitos".
É impressionante o que um consumidor tem de fazer, para fazer valer os seus direitos. Uma pessoa sente-se minúscula (reparem que não digo impotente), a lutar contra enormes corporações que, com uma atitude arrogante, ignoram a lei e vão colocando entropias nos processos, areias na engrenagem.
A lei, lenta, como se quer em Portugal tarda em fazer-se respeitar. A lei não se dá ao respeito, mas quer que a respeitem.
É compreensível que, perante um panorama destes, qualquer pessoa perca a paciência, e opte por resolver a coisa de forma alternativa, mesmo que isso passe por fechar os olhos aos seus direitos. É compreensível e é mais eficaz, razoável e racional.
Mas, eu não sou razoável, e raramente sou racional.
Tenho uma porra de um telemóvel avariado há mais de um mês, metido na caixa, ao lado de um dossier onde se vão avolumando os documentos que constituem o processo. As cartinhas enviadas, as cartinhas recebidas, as reclamações, os avisos de recepção, os recibos dos registos de correspondência. Das reclamações escritas na loja, não há resposta, mas chegarão, talvez, quando já não me lembrar da coisa.
Outra pessoa já teria pegado no telemóvel, posto a arranjar na marca, e já estaria a usá-lo, em perfeitas condições, há muito tempo. Outra pessoa já se teria borrifado para a Ensitel, e teria acabado por fazer o que eles querem que eu faça.
Lamentavelmente para a Ensitel, eu não sou outra pessoa.
Assim como assim, este Blog já aparece na primeira página de resultados à pesquisa por Ensitel.
Celebrou-se no fim-de-semana o dia do consumidor. Mas Portugal tem ainda muito que aprender em matéria de defesa dos direitos do consumidor. A começar pelos consumidores. O português refila muito mas reclama pouco.
Neste momento tenho um conflito de consumo com a Ensitel. Comprei um telemóvel defeituoso, e os senhores recusam-se a trocar o equipamento por um novo, apesar da reclamação ter sido feita dentro dos prazos legais. Tenho portanto um telemóvel novo, dentro da caixa, à espera duma resposta da Ensitel, há cerca de 1 mês. A grande maioria das pessoas a quem relato este episódio pergunta porque é que eu não mando arranjar o telemóvel e pronto.
Portanto, vendem-me um equipamento com defeito, demitem-se das suas responsabilidades legais, mandam-me para o fabricante, e eu, na opinião da maioria, tenho de ir como uma ovelhinha bem mandada, juntamente com o resto da manada, resolver o assunto à minha conta, sem qualquer intervenção de quem me vendeu o equipamento?
Provavelmente era o que faria a maioria das pessoas, e confesso que pensei nisso. Mas pensando melhor vejo que isso faz parte da estratégia. Criar obstáculos, entropias, areias na engrenagem, para cansar o consumidor. Para que se desista.
Nem pensar. Vão levar comigo. Já levaram com uma cartinha da advogada, se não responderem sigo para o Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo, e se não resultar levam com o Julgado de Paz, e de vez em quando levam com um postezinho no Blog. Assim como assim este Blog já é o quarto resultado à pesquisa pela palavra Ensitel. Pode ser que faça mossa, informando as pessoas acerca da política da Ensitel quando vende equipamento defeituoso, não cumprem, sequer, a lei.
Neste momento, a única coisa que pretendo é que fiquem com o equipamento defeituoso e me devolvam o dinheiro (já passei a fase em que apenas queria que trocassem o equipamento por um novo). Se for obrigada a ir para Centros de Arbitragem e Julgados de Paz acrescento as despesas legais e as deslocações.
Dá mais trabalho, e não será tão depressa que começo a usar o equipamento que comprei, mas eles contam com isso como factor dissuasor, esperam que as pessoas desistam.
Amiguinhos da Ensitel, se passarem por aqui, garanto-vos que não está nos meus planos desistir, e terão de levar comigo até tomarem a atitude certa.
Uma pesquisa simples por Ensitel dá pano para mangas em termos de reclamações. Muitas, muitas, muitas pessoas com o mesmo tipo de resistência à troca (ah, porque tem um risco - que mais ninguém vê), o mesmo tipo de falcatruas e desvios. O rol de reclamações é interminável.
Penso que estará para breve a criação da associação dos clientes insatisfeitos da ensitel.
A minha pergunta é muito simples, a partir de quantas reclamações é que uma empresa é multada?
De que é que serve a reclamação, para além de contribuir para resolver problemas pontuais? Se há um padrão de reclamações, continuado no tempo, não há quem multe este tipo de práticas desonestas?
Se isto fosse nos Estados Unidos, já tinham ido à falência, com processos legais e indemnizações chorudas aos lesados.
Não se pense que eu agora descobri a pólvora com as reclamações e que, vai daí, comece reclamar em todas as direcções, porque não é o caso. Eu sempre reclamei. Refilo pouco, mas reclamo bastante (ver a diferença, aqui). Desde sempre.
A minhasagacomaKodak vem de longe, e por motivos semelhantes aos que me levam a escrever este post.
Passo a vida a herdar gadgets, vantagens de se ter um namorado altamente geek, e altamente generoso, já agora :)
Herdei por isso, hoje, uma máquina fotográfica Casio EX-Z750, porque ele comprou uma "point and shoot" que tira mais cafés que esta.
Gosto de ver os manuais. Gosto de saber aquelas coisinhas que só lendo os manuais é que se sabem. Do tipo, se clicar em simultâneo nas teclas E3, B4 e C7 enquanto dá um salto e um mortal encarpado, o café sai mais espesso.
Como guardamos, religiosamente todas as caixas e manuais (e nem somos católicos), eu sabia que a caixa estaria arquivada num dos depósitos de caixas aqui de casa. Sim senhor, lá estava. Manual em CD, que é ecológico e o papel ocupa mais espaço.
CD no PC. Hum....posso ler o manual em Árabe, Chinês simples, Chinês Trad (seja isto o que for), Holandês, Francês, Inglês, Alemão, Italiano, Coreano, Espanhol e Sueco. Eu falo Inglês, percebo bem o Francês e o Espanhol (castelhano), mas de resto mais nada. Mas essa não é a questão. Eu sou portuguesa, e a máquina foi comprada em Portugal, mais propriamente na Fnac do Saldanha. Ok, vamos ao site, pode ser que existam manuais em Português.
Digito no browser www.casio.pt, e vou parar a http://www.casio-europe.com/euro/
Se nem a porcaria do site têm em português, muito menos manuais.
É impressão minha, ou há uma lei que obriga à existência de manuais em língua portuguesa?
Vai sair mail para a Casio, obviamente, mas não há nenhum organismo que controle estas coisas, e para quem também se possa enviar um mail?
Acho inadmissível que as marcas não disponibilizem informação na língua dos seus clientes. Sim, é mau feitio, que eu sei inglês. Não gosto é que partam do princípio de que eu tenho de saber inglês e eles não têm de saber português.
Os mais atentos (lá estou eu a falar como se isto fosse lido por muita gente) notarão que os anúncios google que ali estavam ao lado, já não estão. Nunca deram lucro (de que eu me tenha apercebido, pelo menos) e na realidade estavam ali apenas para testar a coisa, mas.....por poucos cliques que desse, sempre eram uns tostões que entravam nos bolsos do google. Há já muito tempo que o google tinha deixado de ser cool, pelo menos para mim, e a bem dizer, não sou geek, sempre preferi o SAPO que sempre me satisfez as necessidades.
Desde a celeuma da semana passada, com o google assumidamente a vender barato o respeito pelos Direitos Humanos a troco da sua entrada na China, que o google perdeu para mim todo e qualquer interesse.
Tirei os anúncios ali do lado e sim, teria feito exactamente a mesma coisa se aquilo rendesse como um euromilhões desenfreado.
Junto assim o google às outras marcas que abandonei por uma razão ou por outra, a saber: a Kodak, a Benetton, a Maison dos Crepes e, se puxar pela cabeça, ocorrer-me-ão certamente mais duas ou três.
São os senhores da Galp, que em vez de gastarem uns milhares valentes em campanhas publicitárias e em comunicação, deveriam ter gasto uma parcela substancial da maquia a apetrechar os stocks dos revendedores, para que uma pessoa não chegasse de pluma na mão e batesse com o nariz na porta.
Na zona de Paço de Arcos, são mais as vezes em que nenhum revendedor tem Pluma do que as que tem.
....mas se toda a gente refilasse, talvez passassem a ter mais cuidado.
Online (palavra de que não gosto muito), deve haver poucas coisas que me irritem mais do que sites institucionais (de marcas com posicionamento modernaço) onde se escreve mau português.
Caramba......têm dinheiro para gastar a rodos em campanhas publicitárias, mas não têm uns tostões para escrever correctamente na língua das pessoas que são o seu target?
Santa paciência. Estou farta de "câmeras", e de "familias" e de "videos". Por isso, já não sou cliente da Kodak, por isso, estes senhores deviam ter mais cuidado.
Houve uns caramelos que comentaram a citação do Celso, que aqui coloquei, com a seguinte mensagem: "Aproveite as GRANDES Promoções de NATAL e compre produtos de qualidade em: http://revenda-yvesrocher.com Aproveite já, não perca esta oportunidade fantástica! Enviado por Yves Rocher Revenda em novembro 15, 2005 12:23 AM"
Obviamente enviei um mail a pedir para não fazerem spam nos Blogs do SAPO em particular e no resto do mundo em geral.
Depois de uma primeira resposta a dizer que para definir spam eu me deveria dirigir a um técnico de informática, e depois da minha insistência, responderam de novo dizendo que só podia ser considerado spam se fosse electronicamente e, portanto, via mail.
Junte-se a isto o facto de dizerem que não foram eles a colocar o comentário ("e como os IPs são dinâmicos não se conseguirá nunca saber quem é que colocou a mensagem" - sic) resta-me achar que o Celso tem um admirador secreto a trabalhar na Yves Rocher.
Eu podia escrever manuais (vários volumes) sobre esta questão.
Eu gosto de exigir, gosto de reclamar quando acho que não estou a ser bem servida, no entanto, reclamar é uma arte.
Envolve persistência, paciência, desgaste, jogo de cintura, manipulação, argumentação, ameaças, tudo isto dependendo do interlocutor.
O português típico gosta de refilar, mas não gosta de reclamar. Eu explico. Um português típico refila acerca do tratamento que recebe num centro de saúde, ou acerca de um médico mais displicente, mas refila e comenta com os vizinhos, com os colegas, com as pessoas que estão na sala de espera. NUNCA pede o livro de reclamações, nunca regista oficialmente a sua queixa. Portanto, refila, mas não reclama.
Numa era em que cada vez mais as pessoas são números, as pessoas que não reclamam oficialmente, são consideradas pessoas satisfeitas. É um erro, cometido pela maioria das empresas e pelo estado, considerar que quem não se queixa, está satisfeito. É sinal de que desconhecem os portugueses.
O português prefere não fazer estrilho oficial, é mais fácil deixar andar do que reclamar, é mais fácil acatar pacificamente as imposições das empresas e do estado do que reclamar.
Os portugueses têm de aprender que, se não registarem oficialmente a sua insatisfação, ela não é perceptível para as empresas e para o estado (e portanto, as causas da insatisfação não podem ser colmatadas, ou sequer consideradas)
As empresas têm de aprender que, os clientes que não reclamam não são necessariamente clientes satisfeitos. Há muito mais para dizer sobre este tema, quando me apetecer......revolto.
Quem acompanha o meu Blog sabe que tenho um assunto pendente com a Kodak.
O tema teve alguns desenvolvimentos, nomeadamente uma resposta do contactcenter (depois da minha insistência) em que diziam que já tinham enviado a questão a quem de direito.
Recebi um telefonema, de um português que trabalha na Kodak, que foi simpatiquíssimo, mas deixou logo muito claro que as alterações que eu sugeria (exigia?) eram difíceis de implementar, não as do site, mas as dos manuais e as das câmaras.
Mas.....a cereja neste caso, é a gravação telefónica do callcenter, que estava num português aspanholado e abrasileirado e que, garantiram-me, já tinha sido alterada.
Foi de facto alterada, agora está naquilo que julgo ser, um alemão perfeito :) (800-880-449)
Noutro dos contactos disponíveis para Portugal, o texto está já em português de Portugal, mais ou menos, porque se inicia assim: "Bem-vindo à Kodak. Informamos que a sua conversação poderá ser recordada para efeitos de formação ou para monitoração das chamadas." Recordada. Deve ter a ver com o slogan, filmes Kodak, para mais tarde recordar.
Em apenas uma das páginas disponibilizadas pela Kodak, vejam só o número de erros que eu apanhei. E atenção, que apenas assinalei os erros de ortografia, não assinalei os erros de construção.
Para quem não percebeu nada.......é favor ler o post anterior.
Eu sei que sou fundamentalista da Língua Portuguesa, e que não gosto de erros de ortografia, e que sou uma chata com estas coisas mas há coisas que, de facto, me tiram do sério.
O último mimo deste tipo que vi, foi duma empresa que tem obrigação de ser cuidadosa (quanto mais não seja pela longevidade da sua presença em Portugal), a Kodak.
O meu puto fez 7 anos, e gosta de tirar fotografias.
Toca de lhe comprar uma câmara digital, daquelas mais simples, com menus em português (passou agora para o segundo ano, está a aprender a ler e a escrever), sem muitas complicações e funcionalidades, mas não completamente rasca. Comprei uma Kodak, e como estava em promoção, comprei também a impressora.
Dia 4, abro as caixas, e qual não é o meu espanto, quando o manual do utilizador está TODO em português do Brasil.
Não tenho absolutamente nada contra o português do Brasil, nem sequer sou da opinião de que o português de Portugal é que é bom, eu acho que são todos bons (o de Portugal, o do Brasil, o de Angola, o de Moçambique, o de Cabo-Verde, ect, etc, etc), mas, tudo no seu sítio.
Não quero português do Brasil no menu de uma câmara onde o meu filho (que, repito, está a aprender a ler) tem de ler "câmera" e tem de ler "contato" e outras coisas parecidas que estão correctíssimas em português do Brasil, mas que em português de Portugal são erros de ortografia, graves, por sinal.
Fui ao site da Kodak, à procura de um endereço de mail para poder reclamar (eu sou das que reclamam), e qual não é o meu espanto quando, em pleno site, está quase tudo em português do Brasil (embora haja mais cuidado na página inicial, nas sub-páginas está cheio de "usuários" de "contatos" de "câmeras" de "jato" de "atualizações" e afins).
Como ainda por cima não indicam nenhum endereço de mail, fui obrigada a ligar para o call centre.
Indescritível. A gravação de boas-vindas e de indicação das opções disponíveis é feita em tudo menos em português. Sinceramente, a mim pareceu-me uma senhora de um dos países do leste, a tentar falar espanhol, com uns laivos de sotaque brasileiro.
Testem vocês próprios, entre as 08h00 e as 16h00 - 21 415 41 25.
Se não fosse tão idiota, seria divertido.
Por fim, liguei para os escritórios da Kodak em Portugal, expliquei ao que ia, e fui muito bem recebida e muito bem atendida, e deram-me o endereço de mail para onde devo encaminhar a minha reclamação (já vai a caminho).
Não sou dona da língua portuguesa, não escrevo sem erros, e gostaria de saber muito mais do que o que sei, sobre a minha língua, mas se uma multinacional quer ter-me como cliente, vai ter de me tratar com respeito, e vai ter de respeitar a minha língua. Afinal de contas, o investimento que teriam de fazer para ter aquilo em português de Portugal seria substancialmente menor que o investimento que vão ter de fazer para me reconquistarem como Cliente.
A partir de agora, boicote total a todos os produtos Kodak, sejam máquinas, rolos, revelações, papel ou palitos.
Enquanto não mudarem a política da empresa, não sou cliente deles. Se alguém quiser reclamar acerca desta situação, eu tenho o mail dos senhores (que não disponibilizo aqui porque acho que o spam não é a melhor forma de reclamação).