Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
Tenho mais de 20 anos de carta de condução. Mais importante, são mais de 20 anos em que conduzo diariamente. Já tenho muita auto-estrada atrás de um volante, e percursos urbanos idem.
Gosto de conduzir, e conduzo bem.
Não sou ceguinha e, portanto sei, como sabe qualquer pessoa com 3 dedos de testa e que conduza, que a maioria das mulheres tem tiques universais de condução que colidem com o sistema nervoso de qualquer condutor mais afoito. Tudo isto só para explicar que, sendo gaja, e condutora, não padeço, felizmente, do mal que assola a grande maioria das mulheres condutoras, portanto, não acho que a estrada seja toda minha, não acho que os retrovisores sirvam para retocar a maquilhagem, e não acho que o mundo inteiro está às nossas ordens, e tem de viver e andar ao nosso (lento, arrastadíssimo) ritmo.
Ora, que a maioria das mulheres conduz que é uma merda (deixemo-nos de politicamente correctos) é uma verdade universal, há epítetos semelhantes para os taxistas (a um nível diferente), para os velhotes, e para mais uma ou duas categorias de condutores. E são daquelas verdades que ninguém, com dois dedos de testa, contesta, lá está.
No entanto, há uma afirmação comum que me encanita. É a do título do post. Não é raro ouvir-se que os gajos das motas são uns vândalos, umas avantesmas, uns aceleras, uns resvés campo de ourique, mal encarados, razias, mal educados. Enfim, a escória dos condutores.
E isto, meus senhores, a minha experiência não confirma. Muito pelo contrário.
Se cedemos passagem a um condutor, em 90% dos casos as motas agradecem, em 90% dos casos os carros estão-se cagando. As motas (e sim, eu que são as motos) são confrontadas (literalmente) com os piores condutores do mundo (mudança de faixa, de repente, sem sinalização e sem verem se lá vem alguém), e mesmo assim...... acho que nunca vi uma mota passar-se dos carretos.
Pedem desculpa quando erram, agradecem quando devem, são cordiais, facilitam, são mais solidários (entre si, evidentemente, era o que mais faltava), pelo que não percebo de onde é que vem a ideia de que os condutores de motas são uns vândalos.
A sério..... o trânsito (pelo menos em Portugal) seria tão mais fácil, se houvesse mais motas. E não digo isto por causa da ausência de carros. Os condutores de motas são, genericamente falando, uns senhores.
Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
Em Fátima deve estar o caos, pelo menos se todos os carros que hoje NÃO estiveram, como de costume, na Marginal de Lisboa lá estiverem.
Os habituais 45 minutos que levo a chegar à escola do puto transformaram-se em 15 + meia hora parada à porta da escola.
Foi toda a gente para Fátima ou tolerância de ponto é um mero eufemismo para "podem baldar-se à vontade"?
É-me indiferente.
Venha mais vezes, Bento XVI, a mim deu-me um jeitaço, e adoraria que fosse sempre assim. Os reais 15 minutos que demora a fazer o percurso, em vez dos 45 que habitualmente dura a viagem.
(Por outro lado, o número de acessos aos Blogs e à Internet vão decrescer dramaticamente).
Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
É algo com que me deparo TODOS os dias, logo pela manhã, na carneirada de trânsito que segue na direcção de Lisboa.
E escolha eu o que escolher, nunca fico satisfeita com a escolha.
É melhor encaixar-me na categoria dos tansos, ou na categoria dos chico espertos?
Não gosto de chico espertos. Os palermas que acham que sabem mais do que os outros, e que pensam que são mais importantes, ou que a pressa deles é mais urgente que a minha.
Por outro lado, irrita-me pelo menos o mesmo, o gajo (ou a gaja) que deixa passar os chico espertos.
É uma verdade universal que só há chicos espertos porque há outros tantos tansos a facilitar-lhes a vida (ou, pelo menos, a não a dificultar).
Eu não sou nem tansa, nem chica esperta. O problema é que não há uma fila de trânsito alternativa para as pessoas como eu. Se me ponho na fila dos tansos, não deixo entrar chico espertos, mas irritam-me os chico espertos que entram à frente dos tansos atrás de quem eu vou e que, coitados, por mais luzes ou apitadelas, continuam a ser verdadeiras madres teresas e a deixar entrar os chicos espertos. Nem percebem a que é que se devem os sinais de luzes (a senhora está com um problema nos faróis, já ouvi a um - e estava a ser sincero).
Ser chica esperta é fácil, mas colide com a minha maneira de pensar, e colide com o que quero ensinar ao meu filho, que vai ao meu lado no carro, no que concerne ao respeito pelos outros.
Mas é uma decisão difícil, ensino o puto a ser um tanso ou a ser um chico esperto?
Sábado, 3 de Outubro de 2009
É a promessa de alguns candidatos à presidência da câmara da capital.
É mentira.
Nenhum presidente da câmara de Lisboa pode resolver o problema do trânsito de Lisboa.
Terá de falar com o presidente da Câmara de Oeiras, com o presidente da Câmara de Cascais, com o presidente da Câmara de Sintra, com o presidente da Câmara da Amadora, já perceberam onde quero chegar, certo? E depois de se porem todos de acordo, têm de ir todos juntos falar com o Governo. Mas isto de se juntarem presidentes de Câmara de "cores" diferentes já é uma impossibilidade, e ainda por cima irem falar com o Governo, que terá uma "cor" diferente da de alguns deles, enquadra-se na categoria dos mitos, neste caso, urbanos.
E não me venham com a treta da melhoria dos transportes públicos, e da criação de ciclovias. Em relação ao primeiro, não pode passar só por isso. Têm de se criar parques de estacionamento nas zonas limítrofes, têm de se criar disparidade de horários, têm de se deslocalizar as empresas para fora de Lisboa, e tem de se melhorar a oferta de habitação em Lisboa. E em relação ao segundo, o maradona explicou tudo num post que já apagou e que eu tive a genialidade de preservar para a posteridade.
Não é criar mais entradas em Lisboa, é criar condições para que as pessoas não tenham de ir morar para fora de Lisboa. Casas más, velhas, caras, com a única vantagem de serem em Lisboa, e com o velho a ser classificado de pitoresco em forma de argumento de vendas. Ah, eu moro num bairro típico de Lisboa. Ya, e das duas uma, ou és rico e basicamente reconstruíste a casa para ela não cair com um vendaval e de caminho fizeste a mesma coisa às do lado, pelo sim pelo não, ou és um teso, e está tudo pintadinho e bonito, mas leva com uma rajada de vento mais forte e esburaca-se, e a instalação eléctrica é do tempo da maria cachucha, e as canalizações ainda são no bom velho chumbo, que é para trabalhar para a saúde. Em alternativa, pode-se sempre ir morar para uma casa construída de raiz há relativamente pouco tempo, em Lisboa, mas nesse caso, siga este link e boa sorte.
Não é aumentar o parque da carris, é pôr o actual parque a cumprir a porra do horário e, de preferência, alargá-lo, e a ir a sítios onde não vai.
É tornar a coisa viável e razoável.. Enquanto nas minhas contas do final do mês, sair ela por ela levar o carro ou não levar, eu vou levá-lo. É mais rápido, é mais confortável, é mais simples.
Se eu for buscar o meu filho de transportes, demoro, no mínimo, uma hora a chegar onde ele está. Mais outro tanto até chegar a casa.
Se fizer a mesma coisa, de carro, demoro, à mesma hora, 40 minutos.
Portanto.....qualquer candidato que tenha como promessa de campanha, resolver o trânsito de Lisboa, mente.
Adoro o vosso novo slogan "Há 15 anos que a EMEL trabalha para que ninguém estacione a sua vida” (é irónico, percebem?), mas permitam-me um pequeno esclarecimento.
Quem me estaciona a vida não são os condutores que não pagam o papelucho. Esses estão estacionados em lugares que não chateiam. Apenas o estão a fazer à borla, e isso não me estaciona a vida. Pode estacionar a vossa, mas não estaciona a minha.
Quem me estaciona a vida são os cabrões que estacionam na faixa de rodagem, transformando vias de duas faixas em vias de faixa única.
E eu, que por acaso frequento ali a zona da Fontes Pereira de Melo, fartei-me de ter multas por não pagar a merda do papelucho, mas não vos vejo com o mesmo empenho a multar os carros que estão estacionados atrás da PT, na praça José Fontana, que fodem (não há mesmo outra palavra e eu não gosto de asteriscos) o trânsito todo.
Portanto, não me venham com tretas. Vocês não andam atrás de quem estaciona mal. Vocês andam atrás de quem não paga o papelucho.
E se me disserem ah, mas isso não é da nossa competência, isso é da competência da polícia de trânsito (ou psp, ou polícia municipal, ou outros quaisquer), então mudem de slogan, que isso é publicidade enganosa.
Bem sei que se trata duma campanha para ver se limpam a vossa imagem, mas a imagem não se branqueia com campanhas, branqueia-se com seriedade e competência (e simpatia, já agora) no serviço que prestam. O vosso serviço é o de venda de papeluchos, não é o de melhorar o estacionamento em Lisboa.
Ah, e os vossos papeluchos são obscenamente caros.
Sábado, 28 de Março de 2009
Parece que foi lançada uma campanha contra o estacionamento selvagem em Portugal. Trata-se duma iniciativa que, do que percebi, passa por se colocarem uns autocolantes nos automóveis que estejam mal estacionados, prejudicando os peões. Um autocolantes destes:

Nestas coisas eu sou muito pouco portuguesinha, e prefiro a versão americana, curta e grossa:

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
Por dá cá aquela palha, ouve-se dizer que o que faz falta é mais formação. Seja de professores, seja de médicos, enfermeiros, alunos, técnicos e demais trabalhadores. Ah, pois, isso não está bem, eles precisam de mais formação.
Por estranho que pareça, no que à condução diz respeito, nunca ouvi tal coisa.
Ah, Portugal continua a subir olimpicamente na lista de países com mais acidentes. Ah, a culpa é da velocidade, baixem-se os limites, imponha-se a tolerância zero, encurte-se a trela.
Mas nunca ouvi ninguém falar de melhorar a formação.
Também não conheço ninguém que tenha aprendido a conduzir nas míseras aulas práticas de instrução. Isto é, alguns chegam lá e já sabem como é que funciona a mecânica da coisa. Para que servem e como funcionam os pedais, manetes, volante e demais intumescências. Outros há, como eu, que aprenderam isso na instrução.
Mas isso não é aprender a conduzir, isso é aprender a controlar o carro, normalmente em ambiente altamente controlado, a velocidades perigosamente baixas. Isso não é conduzir.
Eu aprendi a manobrar o carro na instrução, mas aprendi a conduzir cá fora, já com carta na mão. No dia-a-dia do trânsito. Errando, e aprendendo com os erros, os meus e os dos outros. E até tive um instrutor catita, que me levou para a 2ª circular com 6 aulas no bucho, tirou o volante do lado dele (os mais antigos percebem isto), e disse, então vá lá, já que tem a mania das velocidades, ande lá a 100 à hora, para ver se tira isso da ideia. Mas estas ideias mais progressistas, não me ensinaram a conduzir.
Todos os dias encontro avantesmas no trânsito. Não tenho números, mas assim de repente, parece-me estar cada vez pior.
Não se devia investir em formação? Não se devia ensinar as pessoas a conduzir?
E já agora, haver escolas especiais, para pessoas com necessidades especiais. Fazia-se um teste à cabeça, que definiria para que escola é que as pessoas deveriam ir. A maior parte das mulheres iam todas para as escolas almofadadas, e demorariam, pelo menos, 3 anos a tirar a carta. Cambada de lesmas, mariquinhas, enconadas, caraças.
E não me venham com tretas de estatísticas "ah, pois, mas as mulheres têm menos acidentes que os homens". O caraças. A estatística que interessa, não é saber quantos acidentes têm os carros conduzidos por mulheres, mas saber quantos acidentes PROVOCAM os carros conduzidos por mulheres.
Para os mais desatentos, e antes de se porem para aí a bradar aos céus pelos motivos errados. Olhem para o cabeçalho do Blog. A foto que lá está, sou eu. Eu sou mulher, e conduzo bem, que as há a conduzir bem. São é uma minoria.
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

De acordo com algumas notícias, como por exemplo
esta, o limite máximo de velocidade dentro das localidades vai baixar de 50Km/h para 30Km/h.
Das duas uma, ou é um lobby de gajas que está a propor a lei, ou é um lobby da Segway, para aumentar as vendas.
Porra, 30Km/h?
Já a cinquenta eu vou a stressar com a velocidade, quanto mais se baixam para trinta.
Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
Senhores do Lisboa - Dakar, temos penas que a vossa diversão tenha sido suspensa e coiso e tal, mas agora, se não se importam, arrumem lá a porra da chafarica e abandonem o estaminé que eu estou farta de empancar no trânsito todas as manhãs e todas as tardes à conta do vosso aparato.
Muito agradecida.
Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
Detecto um padrão recorrente, neste Blog. Deve haver alturas do ano em que as questões do trânsito me afectam mais, e isso reflecte-se na quantidade de posts sobre esse tema.
Aqui há uns tempos falei
aqui do granel matinal à porta do
Colégio do Bom Sucesso. Eu resumo. Duas faixas, uma em cada sentido. Um Colégio. Semáforos. Paizinhos e mãezinhas que estacionam os seus bólides em plena via, impedindo a passagem dos restantes carros, de forma a que os seus pimpolhos possam fazer o menor percurso possível entre o carro e a entrada da escola. Se a coisa correr bem, ainda trocam umas palavras amigas com outros pais que ali estejam à mesma hora. Os outros que querem passar, que aguentem, que eu sou mais importante que o resto do mundo, e é essa a mensagem que quero passar aos meus filhinhos.
Esta manhã, quando viro para a rua do referido colégio, já vou a insultar mentalmente estes paizinhos mentecaptos, quando vejo ao longe, nos semáforos, dois agentes da polícia. Suspende-se de imediato o insulto, e começa-se logo a trabalhar no elogio, quer às forças de segurança quer ao Colégio que deve ter tido a iniciativa de promover a estadia dos senhores agentes, a fim de melhorar o tráfego e impedir que paizinhos idiotas, que são uma minoria, façam horrores pela reputação quer da escola quer do resto da comunidade.
Sim, senhor. É assim mesmo.
Rapidamente porém inverto a marcha ao pensamento. Os senhores agentes estão ali por outras razões. Os senhores agentes estão ali para legalizar os actos acima descritos. Mandam parar os carros, para que as mãezinhas possam atravessar. Caramba, temos 2 agentes a fazer a vez de semáforos. Isto é que é eficiência. E de forma ainda mais eficaz. Basta alguém aproximar-se, que pára logo o trânsito, para dar passagem às senhoras. Está vermelho para os peões, mas que se lixe. São uma espécie de detectores de movimento, mas mais rápidos.,
E não paramos aqui, embora paremos ali, mesmo com sinal verde, fui obrigada a obedecer à ordem de um dos agentes, e parar o meu carro para que uma mãezinha pudesse deixar o seu pimpolho e, não satisfeita com isso, ainda fez uma gloriosa inversão de marcha, sempre com a ajuda e as indicações prestáveis dos senhores agentes.
Quando temos a ajuda da polícia para cometer infracções, a vida fica mais fácil.
Back to basis, vamos regressar aos insultos (mentais), mas agora temos mais destinatários na lista, as mãezinhas, os paizinhos, a escola e a polícia.
Domingo, 4 de Novembro de 2007
Eu defendo
esta proposta há algum tempo, mas acho que ainda não consegui convencer ninguém.
O que mais me custa é o facto de cada vez mais ser confrontada com a utilidade desta minha proposta. Hoje foi mais uma dessas ocasiões.
A5, sentido Cascais - Lisboa, 13h40, mais coisa menos coisa. Acidente na subida para Linda-a-velha. Tudo parado. Lá vamos nós, na faixa da direita. Havia um senhor a pé (sim, a pé na auto-estrada), que nos ultrapassou calmamente. Íamos devagar, portanto.
Um bocadinho antes de chegarmos à zona do acidente, encontramos à nossa direita a via que vem não sei de onde, com a respectiva faixa de aceleração, para que os carros possam entrar na A5.
Então o que é que alguns "automobilistas" decidem fazer? Engatar a marcha atrás, e ir, em marcha atrás pela via de onde deveriam apenas sair carros. E reparem, não foi um ou dois, enquanto pude ver, foi uma bela meia dúzia.
Um dos caramelos, que por acaso era uma caramela, num Smart com uma cadeira de criança esborrachada no porta bagagens, fez isso mesmo à nossa frente. Apitadela, olha para nós, faz um ar de "não se metam onde não são chamados" e tunga, lá vai ela, em marcha atrás, metendo pela via de onde poderia surgir um carro a uma velocidade razoável (uma vez que se prepararia para entrar numa auto-estrada).
Ela não ia muito depressa, e fez a manobra mesmo nas nossas barbas. A espingarda de paintball teria dado TANTO jeito.
Quer dizer, se os senhores "automobilistas" quiserem pegar nos seus carrinhos, colocarem-se em fila à beira de um penhasco e avançar, não tenho nada contra. Estão no seu direito, e não magoam terceiros.
Sempre que vejo uma calinada destas penso a mesma coisa. Há bestas em quem eu tenho de confiar todos os dias a minha vida e a do meu filho e, se os conhecesse, não lhes confiaria sequer, a minha roupa suja.
Ter uma espingarda de paintball e disparar contra o carro duma caramela destas é crime? E, se for crime, qual é a pena? Valerá a pena?
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Não sei se será assim nas outras cidades, mas em Lisboa é o que constato.
Com o advento (adoro esta palavra) dos jornalinhos grátis, já não chegava os distribuidores (sempre gente muito bem apessoada) colocarem-se nos pontos estratégicos de entrada e saída de transportes públicos. Não. Eles querem ir mais longe, quer chegar à classe A, AB e C, e por isso, colocam-se estrategicamente nos semáforos. E toca de distribuir os jornalinhos pelos carros que estão parados.
Acho muito bem, não teria nada contra, não fosse o facto dos carros ficarem, muitas vezes, à espera que chegue o ardina improvisado. E ficam parados mesmo que já possam andar. Tendo em conta que há sítios onde há ardinas de 3 jornais diferentes, e que os carrinhos ficam à espera que lhes chegue aquela preciosa (e nada redundante) fonte de informação, o impacto é grande. No trânsito, no meu estado de espírito, e na minha buzina.
Toscos.
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
O trânsito de Lisboa é, habitualmente caótico, especialmente em horas de ponta, mas não é obrigatório. Já apanhei bichas (eu cá não sou de eufemismos), bichas (e repito) a horas perfeitamente insuspeitas, e já apanhei abertas em horas de ponta. Mas é cada vez mais raro.
Presumo que todos estão de acordo acerca do factor stress que o trânsito de Lisboa provoca nos cidadãos que são obrigados, todos os dias, a fazer a sua vidinha de sai de casa, põe criança na escola, vai para o trabalho, vai buscar o puto à escola e vai para casa.
Não sei das outras pessoas, mas eu tenho horários. Mais importante, o meu puto tem horários. Os horários do meu puto são mais importantes que os meus. Quero que ele seja uma pessoa pontual, e respeitadora do tempo dos outros, e dos seus compromissos. É com muito orgulho que ele me mostra o boletim de avaliação periódica a dizer "aluno assíduo e muito pontual". Eu também fico orgulhosa, porque sei o esforço que me exige, levantar-me com as galinhas, para ele estar, a horas, na escola. Odeio levantar-me cedo. Sempre odiei. Mas esforço-me por passar a mensagem certa, que nesta coisa de filhos, não há como as acções. Funcionam muito melhor do que o paleio.
Os horários do meu filho são os mais importantes do mundo.
Como é que eu explico ao meu filho que, por causa de uns senhores que não conhecemos de lado nenhum, milhares de pessoas vão chegar atrasadas aos seus trabalhos, aos seus compromissos, às suas aulas?
E depois o mesmo, ao fim do dia. Quantos pais chegaram tarde para ir buscar os seus filhos à escola? Quantos pais chegaram a casa em cima da hora de jantar, com uma enorme dose de stress, já sem paciência para os banhos, as brincadeiras, o jantar?
Porque é que aqueles senhores, em plena hora de ponta, têm auto-estradas inteiras, fechadas para poderem passar?
O que é que aqueles senhores são mais do que nós?
Não vou cair na piada fácil do filho da Putin. Porque o Putin não tem culpa nenhuma. A responsabilidade passa por quem aceitou as condições que o pessoal da segurança do Putin impôs. Ou então arranjavam uma pensão modesta em Mafra, e espetavam com o gajo por lá. Sei lá, qualquer coisa ali perto, que não obrigasse a deslocações de vários Km, à hora de ponta da manhã e à hora de ponta do fim do dia.
Deve ser qualquer coisa relacionada com a mania das grandezas, de pobrezinho mora longe. Fechaste a praça vermelha para eu poder fazer jogging para a fotografia? Ok, eu fecho várias vias de comunicação, centrais, de acesso à capital do meu país, para tu poderes ir ali a Mafra. Diz que tem uns pastelinhos muito bons.

Imagem da A5 hoje, às 9h00 da manhã, com um contingente policial a impedir a entrada de carros, no sentido Lisboa - Cascais.
Aquel gente toda que se vê de pé, para além dos polícias, são motards, desmontados, em amena cavaqueira.
Claro que o trânsito no sentido contrário atascava por causa dos palermas dos curiosos. Mas isso fica para outro post.
Domingo, 21 de Outubro de 2007
Há 15 dias, na A17, a estrear a A17, por sinal.
Íamos na faixa da esquerda, a passar uma carrinha Audi. De repente, imediatamente antes de passarmos a carrinha, esta assinala pisca para a esquerda e começa, sem razão aparente, a chegar-se para a faixa onde íamos. Atalhou caminho, voltou à sua faixa, assinalando o facto com o pisca da direita.
Quando passámos por eles, olhei-os com insistência.
Como eram? - Perguntou ele.
Eram uns Hélderes - Respondi eu.
Vamos fugir desses gajos, que são um perigo - Acrescenta ele.
Fugimos.
10 Km mais tarde, os Hélderes param na berma, saem do carro, colocam o chapéu típico da farda da polícia de trânsito, e sacam-nos €300. Disponibilizam vários métodos de pagamento. Cheque, multibanco, visa.
Uns modernaços, estes evangelizadores.
Sábado, 21 de Julho de 2007

Eu tenho pressa.
Eu tenho sempre muita pressa, mesmo que não tenha pressa.
Passear num centro comercial, que é coisa que eu não faço, mas vamos lá usar um grande suponhamos (dito à futebolista), se eu fizesse os tais passeios nos centros comerciais, seria a passos largos, estugados, saiam da frente que eu quero passar.
A mesma coisa se aplica a muitas outras coisas (não todas) da minha vida. Conduzir, conduzo com pressa, mesmo que esteja adiantada. Escrevo depressa, leio depressa, falo depressa e como depressa. E gosto de pensar que penso depressa. Mesmo que não tenha pressa. Tenho, portanto, uma monumental falta de paciência.
Mas isto tudo para chegar a algo que me ocorreu hoje de manhã, quando conduzia o carro a caminho do trabalho, apressada, sem estar atrasada (não tinha ninguém à minha espera).
Se toda a gente cumprisse os limites máximos de velocidade permitidos por lei (aquela coisa dos 50 Km/hora dentro das localidades), nunca ninguém chegaria a tempo e horas a sítio nenhum, perder-se-ia um tempo infinito que se pode usar noutras coisas, e a produtividade caía a a pique.
Portanto, senhores do governo, não nos multem se andarmos mais depressa, não só porque eu tenho pressa, mas porque andar depressa é bom para a economia.
Esta história da pressa sem pressa e do stress auto-induzido ainda há-de render mais um post, quando eu tiver tempo para pensar nisto.
Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Ora bem, estamos em dia de pouco trânsito. Muitas foram as pessoas que aproveitaram o feriado para uns dias de férias.
Isso notou-se a vários níveis:
1 - À hora do almoço, havia mesas livres, na área de restauração do centro comercial onde costumo almoçar (normalmente estão todas ocupadas e anda uma série de gente de tabuleiro na mão, com ar de pacóvio, à procura de mesa).
2 - O número de pessoas a menos, na empresa, via-se bem. Bastantes lugares vazios.
3 - O número de mails que recebi na minha caixa de correio foi cerca de metade do habitual.
4 - O número de comentários aos vários Blogs em que participo foi menos de metade do habitual.
Portanto, está provado que estes dias são de pausa, são de ficar em casa, são de descanso e de férias.
Nesse caso, alguém me explica o que é que esta gente, que está toda de férias, veio fazer para a Fontes Pereira de Melo às 18h30 da tarde? Não era por causa do túnel, que estava praticamente vazio. Era uma manifestação? Era um flash mob?
Não tenho memória de tanto tempo (quase 30 minutos) para entrar no Saldanha e desembocar no Marquês.
Quarta-feira, 4 de Abril de 2007
Se os veículos particulares, ao circularem nas faixas reservadas aos transportes públicos, estão a cometer uma infracção, porque é que o contrário não é verdade?
Porque é que raio os /&%(/)&%$ dos taxistas podem circular nas "nossas" faixas à vontade?
Porque, enquanto eu, utilizadora dos transportes públicos de grande porte, consigo tolerar um autocarro na "minha " faixa (só e quando há uma mudança de direcção que o justifique), já não percebo porque raio os taxistas têm livre trânsito para andarem de um lado para o outro sem justificação visível.
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006
Eu tenho a solução.
A sério.
Tenho a certeza absoluta de que resultaria, embora dependa de vários factores de díficil gestão.
Então aqui vai:
Constituam-se várias equipas de duas pessoas. Um condutor e um pendura (de preferência o pendura tem pontaria).
Estas equipas têm de ser constituídas por pessoas idóneas e justas (eu sou desde já voluntária).
O condutor limita-se a conduzir, tal como habitualmente, pelo percurso pré-definido, em hora de ponta, embora possa também funcionar como olheiro consultor.
O pendura, tem uma espingarda de paintball e a janela aberta - no Inverno é mais complicado.
Tem também carta branca para atirar um splash cor-de-rosa fluorescente para qualquer carro que transgrida (quer esteja parado em 2ª fila quer a transgressão seja feito em movimento).
Os polícias apenas teriam de encontrar os carros com splash e aplicar-lhes multas no valor mínimo de 100.
Caso o carro tivesse 2 Splashs, passaria a 200, e etc, etc, etc. O número de tiros variaria consoante a gravidade da infracção.
Numa primeira fase, seria este o plano. Numa segunda fase poderia passar a abranger peões (como alvos, não como atiradores).
Pessoas que atravessam fora das passadeiras, pessoas que atravessam nas passadeiras mas na diagonal, ou que atravessam demasiado lentamente, coisas assim.
Garanto que em 15 dias o volume de trânsito nas artérias onde fosse activado este plano, diminuiria drasticamente.
Esta coisa ocorreu-me há bastante tempo, mas a sua eficácia e exequibilidade tem vindo a ser confirmada diariamente, nas minhas viagens como pendura.
Eu sou voluntária, alguém quer lançar um abaixo assinado?
Sábado, 7 de Maio de 2005

Todos os dias de manhã, especialmente se decido levar o carro, e se opto pela A5, sou atingida por uma saudade profunda.
Curiosamente isto acontece mais ou menos sempre à mesma hora. Por volta das nove, mais coisa menos coisa.
Habitualmente, a essa hora, estou a passar por Miraflores.
Ai! Que saudades.