Depois de aqui expor a minha perplexidade, as minhas dúvidas e a minha ignorância em relação à forma como as coisas funcionam no Parlamento Europeu, fui aprofundar.
Isto tudo porque percebo que a senhora Mikko tenha todo o direito de fazer uma proposta imbecil (as pessoas têm o direito a serem imbecis se quiserem ou se não puderem ser de outra forma), mas já não percebo que uma instituição como o Parlamento Europeu possa ser imbecil. Aceito a imbecilidade individual, não aceito a imbecilidade das instituições, muito menos desta instituição (que é mais do que uma instituição, já agora).
Perguntei a um grande entendido da matéria dos meandros políticos nacionais, internacionais e até europeus:
Olha lá, tu que percebes destas coisas, explica-me como se eu fosse muito burra, como é que o parlamento deixa chegar isto, sequer, a debate?
Resposta (sic, e transcrita da minha janela de messenger):
"como é que chega a ser debatida é fácil: ninguém leu ou era chinês para quem leu!"
Depois queixam-se da falta de credibilidade da UE junto das camadas mais jovens.
E agora, madame Mikko, se quiser saber quem foi a minha fonte, venha atrás de mim.
Já agora, a senhora tem Blog, mas, para mim, não adianta de muito, só percebo a data do post.
"If Bloggers had no ethics blogging would have failed, but it didn't. So, let's get a clue"
Via Pontomedia.
E não me refiro à Blogosfera portuguesa, refiro-me à Blogosfera toda.
Vai ser votada uma proposta que tem por objectivo clarificar o estatuto dos Blogs. (PDF aqui)
Já em Junho (que foi quando esta questão surgiu) falei sobre o assunto, mas pelos vistos não me ligaram nenhuma, lá na UE (não gosto de auto links por isso, se estiverem verdadeiramente interessados, está no arquivo, no final de Junho).
A senhora que propõe estas recomendações não tem Blog, e provavelmente conhece poucos Blogs.
É a velha história de recusa, perseguição, identificação, registo, cadastro e tentativas de terminar algo que não se compreende, e que não se controla. Se não percebo como é que posso controlar, tenho de regular, para controlar dessa forma.
Eu gostava de saber como é que uma proposta destas chega, sequer, a ser apresentada ara votação. Independentemente de ser aprovada ou não, não devia estar, sequer a ser apresentada. Alguém, do grupo parlamentar a que a senhora pertence, devia ter-lhe dado uma palmadinha nas costas e devia ter mandado a senhora fazer outra coisa qualquer. Não me choca muito que uma pessoa, ignorante, certamente, tenha a ideia peregrina de pensar no tema desta forma, mas choca-me pensar que há uma instituição, com poder, que permite que este tipo de imbecilidades cheguem onde esta chegou.
Não sei como é que funciona o Parlamento Europeu, mas pelos vistos, não funciona lá muito bem.
Sucintamente, a proposta pode ser vista aqui.