Deve ser da idade, ou da experiência. Há filmes que eu não vejo. Nem de ficção, quanto mais os reais.
A sério, devo ter mais de uma dúzia de DVDs (do tempo em que ei ainda comprava DVDs) à espera de serem vistos. A ficção é sempre uma escolha, a realidade, na maioria das vezes, nem por isso.
Não vejo um vídeo online, se sei que me vai deixar na merda.
Não vejo os vídeos dos linchamentos.
Não vejo os vídeos de pessoas a serem mortas (por piores que elas possam ser).
Não vejo os vídeos do animal a ser atropleado/maltratado.
Não vejo os vídeas das miúdas a pregarem uma carga de porrada noutra.
Da última vez que uma merda dessas me entrou pelos olhos adentro, foi nos tumultos de Londres. Nada de violência extraordinária, mas extraordinariamente violento. Um jovem, provavelmente a tentar recuperar duma porrada, é ajudado por alguns, enquanto outros, aproveitando-se do momento, lhe abrem a mochila que levava às costas e o roubam. Não sabia ao que ia. Vi. Já passou muito tempo (o tempo, nos dias de hoje, passa mais depressa). Mas ainda não me consegui desfazer do sentimento de raiva. E ter raiva não é bom.
Não vejo vídeos. Não vivo num mundo cor de rosa, e sei que há pessoas más. Muitas.
Mas não vejo. Não preciso.
Por isso, não vejo.
E não vi, nem vou ver, o vídeo criança chinesa atropelada, e atropelada, e atropelada.
Para quê? Para que quereria eu ver o horror? Porque hei-de eu querer ficar com uma ferida que não desaparece, que deixa marca.
Antes de mais, o disclaimer. Eu sei que as generalizações são redutoras e perigosas.
Este post nasce de um outro post que aqui coloquei há bocado, e que privatizei pouco depois. Trata-se de um vídeo de uma brincadeira, filmada aqui no SAPO, durante a manhã de hoje.
O vídeo mostrava um combate violento de luta greco-romana entre o Celso e um rato (rato de computador, entenda-se), mas sem a parte dos fatos típicos daquele desporto, o que é pena. O rato esteve por momentos em vantagem, mas o Celso acaba por levar a melhor.
Coloquei o vídeo, porque, de facto, tinha imensa piada, e eu ri-me à gargalhada, e queria partilhar a boa disposição. Achei que toda a gente entenderia que se tratava de uma brincadeira. Tenho visto imensos vídeos de brincadeiras feitas noutras empresas, estrangeiras, e achei normal que, numa empresa jovem e divertida como é o SAPO, houvesse o mesmo tipo de brincadeiras que pudessem ser partilhadas com pessoas fora da empresa.
Aparentemente enganei-me. Os dois comentários que surgiram foram de pessoas que claramente não perceberam a brincadeira. Não sei se o facto de eu ter privatizado o post significa falta de fé nos outros que pudessem vir a ver o vídeo, mas paciência. Não era eu que estava no vídeo. Se fosse eu, o vídeo ainda aqui estava.
E aqui vamos à vaca fria. Ouço constantemente queixas de que as empresas portuguesas são cinzentas, pouco humanizadas, pouco divertidas e optam por uma comunicação demasiado formal. Trabalhando onde trabalho, ouço estas críticas com mais frequência ainda. Mas os portugueses têm dois pesos e duas medidas, que resulta de uma baixíssima auto-estima, e de um complexo qualquer de inferioridade face ao que "vem lá de fora".
Um vídeo de um gajo que trabalha no Gogle a dar um traque é um sucesso absoluto no Youtube. E toda a gente fala do vídeo, e ahhh que giro, os gajos dos Google dão uns traques muito bem dados. Os mesmos gajos são capazes de olhar para um vídeo semelhante, mas feito em Portugal e dizer "que traque de merda", sem que o "merda" se refira a substâncias adicionais expelidas em simultâneo com o traque.
Porquê senhores? Porquê continuar e persistir nessa ideia de que "o que vem lá de fora" é sempre bom, e que o se faz cá dentro é uma merda?
Porque é que o crédito de boa vontade, de humor e de inteligência é sempre maior se se tratar de algo estrangeiro?
Como dizia ele há bocado, o que é português é mau, até prova em contrário, e o que vem de fora é excelente, mesmo que dê provas de ser uma merda.
Foi hoje lançado mais um projecto fruto da parceria SAPO e Produções Fictícias.
Os Incorrigíveis são constituídos pelo Ricardo Araújo Pereira (que é alto como ó caraças), pelo Herman José (igual a si próprio, o que é sempre bom), pelo José Diogo Quintela (que é muito mais magro ao vivo do que na televisão), e pelo Bruno Nogueira (que como ó caraças é alto). Um por cada dia da semana. Mas a semana tem 5 dias, dirão vocês, falta um. Falta, é o volante. Cada um em seu dia, o volante às sextas. E o que é que eles vão fazer? Comentar. O que lhes apetecer. Em vídeo. E os vídeos são para partilhar.
Na conferência de imprensa estiveram televisões, jornais, rádios, revistas....e blogs, convidados especificamente para o efeito. Acho que é a primeira vez que uma conferência de imprensa convida especificamente autores de Blogs, para estarem presentes. Estiveram vários, mas deixa-me cá puxar a brasa à "minha" sardinha, o 31 da Armada esteve representado pelo Rodrigo Moita de Deus.